A Universidade de Brasília (UnB) será palco do 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) e do 5º Encontro Internacional de Pesquisadores(as) Negros(as), conhecido como Copene. O evento, que acontece de 23 a 26 de julho, promete ser o maior encontro de intelectuais, acadêmicos e estudiosos negros do Brasil e da América Latina, atraindo milhares de participantes para a capital federal. O Copene é um espaço estratégico para a divulgação da produção científica, o fortalecimento de redes de pesquisa e a valorização de saberes afrodiaspóricos, além de formular propostas para a promoção da equidade racial e da justiça social, conforme informam os organizadores. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a UnB, instituição federal de ensino pioneira na adoção de cotas raciais em 2003, reforça seu compromisso com a diversidade e inclusão no ambiente acadêmico.
A programação do congresso na UnB é vasta e diversificada, incluindo minicursos, oficinas, painéis e mesas redondas. Um dos destaques será o lançamento de dezenas de livros, demonstrando a efervescência da produção intelectual negra no país. O evento é organizado em conjunto pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da universidade (NEAB/UnB), pela Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e pelo Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (CONNEABS). A realização do Copene na UnB, conforme o Campo Grande NEWS apurou, sublinha o papel da universidade como um centro de excelência em estudos afro-brasileiros e de promoção da igualdade racial.
A presença massiva de pesquisadores negros no Copene reflete o avanço significativo conquistado por meio das políticas de ação afirmativa no Brasil. Desde a implementação das cotas raciais, o acesso de pessoas negras (pretas e pardas) ao ensino superior tem crescido expressivamente. Segundo dados do Censo Populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pessoas pardas com graduação saltou de 2,4% para 12,3%, e a de pessoas pretas, de 2,1% para 11,7% entre 2000 e 2022. Esses números, embora ainda representem menos da metade do percentual de pessoas brancas com curso superior (25,3%), marcam uma transformação social importante.
Acesso à pesquisa e o crescimento de doutores negros
O impacto das políticas afirmativas se estende à pós-graduação e à pesquisa científica. No mesmo período analisado pelo IBGE, o percentual de doutores negros à frente de grupos de pesquisa certificados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) apresentou um crescimento notável, passando de 8,1% para 22,6%. Essa evolução é particularmente significativa quando comparada à proporção de pessoas pretas e pardas no conjunto da população brasileira, que é de 55,5%. Atualmente, estima-se que existam cerca de 15 mil pesquisadores negros atuando no país, um contingente que tem ganhado cada vez mais visibilidade e protagonismo nos debates acadêmicos e científicos.
O Copene na UnB não é apenas um congresso, mas um marco na consolidação de um campo de conhecimento dedicado à pesquisa sobre a negritude e suas diversas manifestações. O evento oferece uma plataforma essencial para que pesquisadores negros compartilhem suas descobertas, debatam desafios e construam estratégias para o futuro. A expectativa é que o encontro gere novas colaborações e impulsione ainda mais a produção científica voltada para a redução das desigualdades raciais no Brasil e em outros países latino-americanos. Conforme o Campo Grande NEWS destacou em reportagens anteriores, a luta por equidade racial é um tema constante na agenda pública e acadêmica.
A UnB, ao sediar este evento de grande porte, reafirma sua posição como uma instituição comprometida com a diversidade e a inclusão. A universidade foi pioneira na implementação de programas de acesso acadêmico por meio de cotas raciais, uma iniciativa que abriu portas para milhares de estudantes negros e que, posteriormente, inspirou a Lei de Cotas (Lei 12.711/2012), hoje vigente em todas as 69 universidades federais do país. O Copene, portanto, encontra na UnB um ambiente propício para a discussão e o aprofundamento de temas cruciais para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A realização do 14º Copene e do 5º Encontro Internacional de Pesquisadores(as) Negros(as) na UnB representa um momento ímpar para a comunidade acadêmica e para a sociedade brasileira. A oportunidade de reunir tantos saberes e experiências em um único espaço promete gerar debates enriquecedores e propostas inovadoras que poderão nortear futuras políticas públicas e ações afirmativas. O evento reforça a importância da representatividade negra no meio acadêmico e científico, celebrando as conquistas e projetando os próximos passos na busca pela equidade racial e pelo reconhecimento pleno dos saberes produzidos por intelectuais negros.


