UEMS proíbe manifestações políticas após duas ações policiais em um dia

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) implementou uma proibição de manifestações políticas em suas instalações após dois incidentes envolvendo a Polícia Militar em diferentes campi no mesmo dia. A decisão visa coibir o uso de recursos da instituição para fins de campanha eleitoral, especialmente durante o segundo turno das eleições presidenciais.

Um dos episódios ocorreu na noite de quarta-feira (7), no campus de Campo Grande, onde a Polícia Militar foi acionada para verificar uma denúncia de tumulto durante uma assembleia da comunidade acadêmica. Representantes do Diretório Central dos e das Estudantes da UEMS (DCE-UEMS) relataram que a denúncia apontava gritaria e movimentação, sugerindo uma possível manifestação. No entanto, ao chegarem ao local, os policiais encontraram os participantes conversando tranquilamente, sem que houvesse qualquer sinal de truculência ou agitação.

A situação na capital sul-mato-grossense ocorreu no mesmo dia em que outra ocorrência mobilizou a Polícia Militar no campus de Paranaíba. Neste caso, a presença policial foi motivada por uma suposta propaganda eleitoral em apoio ao candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contudo, conforme apurado, a imagem que originou a denúncia tratava-se de uma montagem criada com inteligência artificial (IA), não havendo qualquer material físico de campanha no local. Imagens semelhantes, simulando propaganda de Flávio Bolsonaro (PL), também circularam, igualmente produzidas por IA.

A administração da UEMS, diante dos fatos, reforçou as normas para o período eleitoral, proibindo expressamente o uso de qualquer espaço, bem ou recurso da universidade para atividades de campanha política. Esta determinação abrange salas, auditórios, veículos, equipamentos, e-mails, telefones, redes sociais e demais ferramentas institucionais. A universidade também orientou que não sejam utilizados, no ambiente de trabalho, peças de vestuário ou acessórios que identifiquem candidatos ou partidos, como camisetas, bonés ou adesivos.

A participação individual em campanhas eleitorais foi restrita pela UEMS a momentos fora do ambiente de trabalho e do horário de expediente, sem o uso de uniformes, crachás ou qualquer item que vincule o indivíduo à instituição. Ademais, a universidade enfatizou a proibição de pressionar ou induzir servidores, estagiários ou estudantes a apoiarem candidaturas específicas.

Ação Policial em Campo Grande Sem Incidentes

Na noite de quarta-feira, a Polícia Militar foi chamada ao campus de Campo Grande da UEMS após uma denúncia de tumulto durante uma assembleia acadêmica. Segundo o DCE-UEMS, a polícia foi recebida pelos estudantes e, ao verificar a situação, constatou que os participantes estavam apenas conversando. Um dos acadêmicos relatou que a abordagem policial foi tranquila e que não houve qualquer tipo de truculência. A corporação permaneceu nas proximidades após a verificação.

Propaganda Falsa por IA Gera Tensão em Paranaíba

Um dia antes dos eventos em Campo Grande, a Polícia Militar foi acionada no campus de Paranaíba devido a uma denúncia de propaganda eleitoral. A imagem em questão, que supostamente apoiava um candidato, foi criada por inteligência artificial e não existia fisicamente no campus. Imagens similares, também geradas por IA e associadas a outro candidato, também circularam entre os estudantes. A universidade e a polícia confirmaram a inexistência de material de campanha no local.

UEMS Reforça Regras e Proíbe Uso de Recursos para Campanhas

Em resposta aos incidentes, a UEMS emitiu um comunicado detalhando as novas restrições. A universidade explicitou que o uso de salas, auditórios, veículos, equipamentos, e-mails, telefones, redes sociais e outros recursos institucionais para fins de campanha política está terminantemente proibido. A medida visa garantir a neutralidade da instituição e evitar o uso indevido de seus bens.

A universidade também determinou que não sejam utilizados, no ambiente de trabalho, itens como camisetas, adesivos, bonés ou broches que identifiquem candidatos ou partidos políticos. A participação individual em atividades de campanha foi limitada a fora do horário de expediente e do local de trabalho, sem o uso de identificação da UEMS, e com a proibição expressa de pressionar servidores, estagiários ou estudantes a apoiar determinados candidatos.

Deputada Gleice Jane Pede Esclarecimentos ao Reitor

A situação gerou repercussão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). A deputada estadual Gleice Jane, do Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou que apresentará um requerimento de informações ao reitor da UEMS. A parlamentar busca questionar se a reitoria solicitou a presença da polícia no campus e criticou a ação policial em meio a manifestações estudantis, comparando-a a práticas do período da ditadura militar. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a deputada enfatizou a importância da democracia e a necessidade de evitar censura dentro das universidades.

A postura da universidade, reforçada após os episódios, busca assegurar um ambiente acadêmico imparcial e livre de influências político-partidárias diretas, conforme o Campo Grande NEWS checou. A proibição visa proteger a integridade do processo democrático dentro das instituições de ensino, como o Campo Grande NEWS checou.