Turismólogo de SC expõe arte sobre Mata Atlântica na Blue Zone da COP15 em Campo Grande

Um turismólogo de 63 anos, vindo de Santa Catarina, encontrou uma forma inusitada de dar visibilidade à Mata Atlântica durante a COP15 em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Paulo Lidner utilizou sua participação no evento internacional para expor dezenas de obras que retratam o bioma, conseguindo uma brecha diretamente com a ONU para apresentar seu trabalho na Blue Zone, espaço dedicado às negociações entre países. A iniciativa busca levantar pautas ambientais importantes para o Sul do Brasil.

Arte e Meio Ambiente em Campo Grande

Paulo Lidner chegou a Campo Grande na terça-feira (24) e, no dia seguinte, obteve a permissão para expor suas obras na Blue Zone, localizada no Bosque Expo. O artista, que vive de sua arte e a leva consigo, estava preparado para a exposição. A conquista do espaço exigiu persistência e a capacidade de dialogar com as pessoas certas, como ele mesmo relata.

“Eu vim para a COP15 para conversar sobre questões das nossas florestas, com pessoas que estariam aqui. Então, foi uma oportunidade de encontrar várias pessoas para conversar de assuntos importantes para a gente lá no Sul. Encontrei com um, com outro, e me falaram ‘Aqui não tem chance, aqui é território das Nações Unidas’. Mas eu sou meio teimoso e conversei com um, com outro e consegui chegar no pessoal das Nações Unidas. E eles gostaram”, explicou Paulo.

Apesar de lamentar não poder explorar a capital sul-mato-grossense devido à imersão total na COP15, Paulo Lidner destaca a importância de aproveitar cada segundo do evento para dar visibilidade à Floresta Atlântica. Ele mencionou, contudo, que pretende experimentar a linguiça de Maracaju e a carne de jacaré antes de retornar para Santa Catarina.

“Eu nunca tinha vindo ao Mato Grosso do Sul. É a primeira vez que eu estou aqui e tô numa imersão total aqui na COP15, saio oito da noite daqui, direto pro hotel, e daí é banho, comer e dormir. Então, nessa vez, eu não vou ter a oportunidade de conhecer a cidade, nem o Pantanal, nada, porque vai ser corrido”, disse o artista.

“Cacos da Mata”: a arte que colore a Blue Zone

As paredes da Blue Zone, tradicionalmente neutras para negociações internacionais, ganharam vida com a exposição “Cacos da Mata”. A mostra apresenta obras que retratam a rica fauna e flora da Mata Atlântica, utilizando uma linguagem artística desenvolvida pelo turismólogo. As peças estão à venda, com preços que variam de 400 a 1.500 dólares.

O objetivo de Paulo Lidner com a exposição é claro: **chamar a atenção para a importância vital da Mata Atlântica**. Ele ressalta que o bioma é fundamental para a qualidade de vida das populações, especialmente aquelas que vivem em seus domínios, já que 70% das cidades brasileiras estão localizadas nessa região. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a iniciativa de Paulo demonstra a força da arte como ferramenta de conscientização ambiental.

“A ideia do ‘Cacos da Mata’ é difundir as belezas, os serviços ambientais que ela presta para a gente, para as pessoas terem conhecimento, porque, a partir do momento que a gente tem conhecimento, a gente começa a gostar”, finalizou o artista, reforçando a conexão entre conhecimento e preservação. A exposição, que traz a essência da Mata Atlântica para o coração das negociações climáticas, é um marco para a divulgação das riquezas naturais do Brasil.

COP15 em Campo Grande: um palco global para a conservação

A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) está reunindo em Campo Grande, de 23 a 29 de março, delegações de até 133 países. O evento, organizado pela CMS, um grupo da ONU, espera a participação de cerca de duas mil pessoas, incluindo pesquisadores, cientistas e membros da sociedade civil.

As atividades da COP15 são divididas entre a agenda oficial da CMS, com debates e negociações na Zona Azul, e programações abertas ao público em diversas partes do município. O Governo Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), também promove ações como debates e sessões de cinema gratuitas, como no espaço Conexão Sem Fronteiras e na UFMS, conforme divulgado pelo próprio evento. A cobertura jornalística do Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos da conferência.

A presença de iniciativas como a de Paulo Lidner na Blue Zone enriquece o debate, conectando a arte e a cultura diretamente às discussões sobre conservação e sustentabilidade. A exposição “Cacos da Mata” se torna um ponto de luz, lembrando aos participantes a beleza e a urgência da proteção dos biomas brasileiros. O trabalho de Paulo, como noticiado pelo Campo Grande NEWS, exemplifica como a paixão e a expertise podem se unir para promover causas ambientais em palcos internacionais.

A COP15 em Campo Grande é uma oportunidade única para a troca de conhecimentos e o fortalecimento de acordos globais pela conservação da biodiversidade. A participação de artistas e cidadãos engajados, como Paulo Lidner, demonstra a importância da **mobilização coletiva na luta pela preservação ambiental**, ecoando a mensagem de que a arte tem um papel fundamental em inspirar ações e transformações positivas para o planeta.