TSE decide manter retirada de posts sobre Nossa Senhora em eleição

TSE forma maioria e mantém retirada de posts sobre Nossa Senhora

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou nesta quarta-feira (30) maioria de votos para manter a retirada de postagens nas redes sociais que envolviam a imagem de Nossa Senhora Aparecida durante o período eleitoral. A decisão acata um pedido inicial feito pelo candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) e reforça a posição do ministro André Mendonça.

A votação, que ocorreu em julgamento virtual, já conta com a manifestação favorável à retirada das publicações por parte dos ministros André Mendonça, Nunes Marques, Dias Toffoli e Ricardo Villas Bôas Cueva. O resultado final, no entanto, ainda aguarda o encerramento da sessão, previsto para as 23h59 desta quarta-feira.

O caso, que ganhou destaque nos últimos dias, envolve acusações de disseminação de notícias falsas e o uso da imagem de Nossa Senhora Aparecida em um contexto eleitoral. A controvérsia se desdobra em duas frentes principais: se o entendimento se aplica apenas a postagens “notoriamente inverídicas” ou se também abrange críticas, opiniões e sátiras relacionadas ao tema.

Entenda o caso: Humorista e Flávio Bolsonaro no centro da polêmica

A polêmica teve início no último final de semana, quando o humorista Antonio Tabet publicou na rede social X (antigo Twitter) a frase: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”. A publicação, segundo o pedido de Flávio Bolsonaro, teria disseminado uma notícia falsa.

O candidato alegou que a postagem se insere em um contexto de mensagens falsas que o atribuem a apresentação de um projeto de lei para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, o que ele nega veementemente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o pedido de remoção foi acatado pelo ministro André Mendonça, sob a justificativa de desinformação.

Decisões no STF e reviravoltas no caso

A questão ganhou contornos jurídicos mais amplos com decisões no Supremo Tribunal Federal (STF). Inicialmente, o ministro Flávio Dino, do STF, atendeu a um recurso do humorista e derrubou a decisão de Mendonça, permitindo a manutenção da postagem. Contudo, a situação se inverteu novamente quando o candidato recorreu ao ministro Luiz Fux, do STF, que reverteu a decisão de Dino.

O presidente do STF, Edson Fachin, optou por não incluir o julgamento das duas decisões conflitantes na pauta da sessão desta quarta-feira, deixando o caso para ser resolvido internamente no TSE. A decisão do TSE, portanto, ganha ainda mais relevância no desfecho dessa disputa.

O que está em jogo: Liberdade de expressão vs. Combate à desinformação

O julgamento no TSE busca equilibrar o direito à liberdade de expressão com a necessidade de combater a disseminação de notícias falsas, especialmente em períodos eleitorais. A decisão da maioria em manter a retirada das postagens sinaliza uma postura mais rigorosa da Corte em relação a conteúdos que possam interferir no processo democrático.

A decisão final, que se consolida com a maioria formada, impacta diretamente o debate público e a forma como temas sensíveis e religiosos podem ser abordados nas redes sociais durante campanhas eleitorais. Conforme o Campo Grande NEWS analisou, a Corte busca estabelecer um precedente importante para futuras situações semelhantes, reforçando a importância da veracidade das informações em campanhas políticas.

Próximos passos: Ampliação do entendimento ou manutenção da decisão pontual

Os ministros restantes ainda precisam votar para consolidar o placar final. Além disso, o julgamento abordará se o entendimento de retirada de postagens se estenderá a conteúdos “notoriamente inverídicos” envolvendo candidatos ou se abrangerá também críticas, opiniões e sátiras sobre o tema religioso em contexto eleitoral. Conforme o Campo Grande NEWS acompanhou, a decisão final poderá definir novas regras para o discurso político online.