Trump critica Brasil por não combater facções criminosas como PCC e CV
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez fortes críticas ao governo brasileiro, alegando que o Brasil falhou em seu enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A declaração consta em um documento anual enviado ao Congresso norte-americano, detalhando avaliações sobre países considerados estratégicos no trânsito ou produção de drogas ilícitas. A posição dos EUA contrasta com a visão do governo brasileiro, que rebateu as alegações.
No relatório, Trump classificou o Brasil como um centro para os fluxos globais de cocaína, devido à atuação dessas organizações. Ele enfatizou que o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas mais agressivas para combatê-las e derrotá-las, antes que se espalhem ainda mais. Essa designação de PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) pelos EUA, oficializada em junho, visa ampliar os instrumentos de sanção e ação contra grupos associados.
A decisão americana gerou uma resposta contundente do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. A pasta refutou as alegações de falhas e omissões, citando a Lei Antifacção, milhares de operações de combate ao crime, o Programa Brasil contra o Crime Organizado e a cooperação bilateral existente. O governo brasileiro também destacou uma proposta apresentada pelo presidente Lula em maio, detalhando medidas conjuntas contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas, da qual ainda aguarda resposta dos EUA.
EUA designam PCC e CV como terroristas e Brasil contesta
A designação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) pelos Estados Unidos, anunciada em maio e oficializada em junho, é um marco na relação bilateral sobre o combate ao crime organizado. Segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, essas facções estão entre as mais violentas do Brasil e suas redes ultrapassam as fronteiras nacionais. A medida permite aos EUA aplicar sanções e adotar ações contra indivíduos e entidades ligadas aos grupos.
O governo brasileiro, no entanto, contestou veementemente essa classificação. Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública argumentou que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelo Brasil, com cooperação internacional e respeito à soberania nacional. A pasta ressaltou os esforços contínuos e as estratégias implementadas para sufocar economicamente as facções, fortalecer o sistema prisional e qualificar as investigações.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a posição do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil é que a visão expressa por Trump ignora os avanços legislativos e operacionais do país. A Lei Antifacção, sancionada em março, prevê penas mais severas para líderes de facções e mecanismos para dificultar suas operações. Além disso, o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio, tem como objetivo sufocar economicamente essas organizações.
Brasil não é considerado país falho no combate às drogas, mas vizinhos recebem elogios
Apesar das críticas direcionadas ao Brasil quanto ao enfrentamento às facções, o país não foi classificado no documento de Trump como um que tenha “falhado de maneira demonstrável” em cumprir suas obrigações internacionais de combate às drogas. Essa classificação mais severa foi aplicada a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela. O Brasil também não figura na lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas, que inclui nações como México, Peru e Colômbia.
Em contrapartida, o documento de Trump elogia governos de países considerados mais alinhados aos EUA, como Argentina, Equador e El Salvador. Menções positivas também foram feitas à Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, com destaque para as recentes mudanças de governo nesses países como fatores positivos no enfrentamento ao narcoturador. O presidente norte-americano citou especificamente o compromisso do novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, em promover uma campanha agressiva contra o cultivo de coca. O novo governo boliviano, sob Rodrigo Paz, também foi elogiado, assim como o compromisso da presidente do Peru, Keiko Fujimori, em combater organizações criminosas.
Apesar dos elogios, Colômbia, Equador e Venezuela permanecem na lista de países importantes no trânsito ou produção de drogas, o que, segundo o próprio documento, não impede a cooperação e adoção de medidas de combate.
México, Canadá e China também são alvos de críticas em relatório de Trump
O relatório de Trump também direciona críticas a outros países, incluindo México, Canadá e China. Em relação ao México, Trump afirmou que o país precisa adotar medidas adicionais contra as “organizações narcoterroristas” que dominam seu território e ameaçam o povo americano. Ele cobrou o reforço da integridade da cadeia de suprimentos e o aumento das inspeções nos pontos de entrada.
O Canadá também foi criticado pela produção ilegal de fentanil em laboratórios clandestinos e pela entrada de precursores químicos e drogas sintéticas nos EUA. Trump exigiu que o Canadá faça “muito mais” para interromper os fluxos de drogas mortais para o país. A China, por sua vez, foi apontada como a maior produtora mundial de produtos químicos precursores para drogas sintéticas. Embora tenha havido implementação de novas exigências para exportação desses químicos, Trump cobrou medidas “mais agressivas” para reduzir efetivamente o fluxo dessas substâncias.
A análise de Trump sobre o Brasil e outros países reflete uma política externa focada no combate ao narcotráfico, com avaliações que variam de acordo com o alinhamento político e a percepção de cooperação em segurança. O governo brasileiro, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, demonstrou sua posição firme em defender suas ações e a soberania nacional no combate ao crime organizado, conforme o Campo Grande NEWS documenta.


