O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou polêmica ao afirmar que uma “exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais” está prestes a começar na Groenlândia. A declaração surge em um momento de tensão com o território, que já resistiu a tentativas de Trump de controlá-lo e proibiu novas perfurações de petróleo bruto. Trump descreveu a ilha dinamarquesa do Ártico como “nossa nova e bela Groenlândia”, elogiando ganhos dos EUA decorrentes de um acordo de segurança assinado em setembro. Conforme informação divulgada, o gabinete do primeiro-ministro da Groenlândia se recusou a comentar a declaração, assim como o Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca e o Ministério de Recursos Minerais da Groenlândia.
A Groenlândia tem sido alvo de disputas com Trump desde 2019, quando ele expressou o desejo de que os EUA comprassem ou tomassem posse da ilha, citando sua localização estratégica e riqueza em minerais. Em diversas ocasiões, Trump não descartou o uso da força para atingir seus objetivos. Recentemente, EUA, Dinamarca e Groenlândia chegaram a um acordo para reforçar a presença militar americana na ilha, o que parecia ter resolvido o impasse. No entanto, este acordo não concedeu quaisquer direitos de mineração ou perfuração.
Apesar da proibição de novas perfurações de petróleo bruto em 2021, o governo da Groenlândia está avaliando se uma empresa do Texas, a Greenland Energy, pode utilizar licenças anteriores à proibição. A empresa anunciou planos de perfurar em busca de petróleo em 2027 em uma bacia ainda não explorada na costa leste, embora não possua licença própria. A proprietária anterior, a Arco, realizou trabalhos sísmicos na década de 1970, mas nunca perfurou.
Intenções de Trump permanecem inalteradas, aponta especialista
Jacob Kaarsbo, consultor independente dinamarquês em política de segurança, avalia que os comentários de Trump podem indicar que seu desejo de controlar a Groenlândia não mudou. “É extremamente perigoso considerar esse acordo entre o governo Trump e a Dinamarca como algo que tenha alterado as intenções de Trump”, declarou Kaarsbo, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.
O acordo de 10 páginas entre EUA, Dinamarca e Groenlândia facilitou a instalação de duas novas bases militares e do sistema de defesa antimísseis “Domo de Ouro”, ao mesmo tempo em que reafirmou a soberania dinamarquesa e o direito dos groenlandeses à autodeterminação. Trump declarou que “qualquer ataque futuro aos Estados Unidos terá que passar pela Groenlândia, onde nossa Defesa derrubará rotineiramente drones, mísseis ou qualquer outra forma de arma ainda nem sequer concebida”.
Potencial de recursos minerais na Groenlândia
Trump destacou em sua plataforma Truth Social que “há especialistas que afirmam que a quantidade de petróleo facilmente acessível é muito maior do que a de praticamente qualquer outro território, em qualquer lugar do mundo”. Contudo, ele não citou acordos específicos ou projetos concretos de desenvolvimento. A Groenlândia, que proibiu a mineração de urânio e toda futura exploração de petróleo em 2021, pode ter um vasto potencial mineral ainda inexplorado. O Campo Grande NEWS apurou que a empresa Greenland Energy tem interesse em explorar essa possibilidade, mesmo diante das restrições ambientais vigentes.
Acordo de segurança e a visão de Trump
O acordo de segurança firmado com a Dinamarca e a Groenlândia é visto por Trump como um avanço estratégico. Ele afirmou que o acordo “nos dá tempo, localização e linha de visão como em nenhum outro lugar do mundo!”. A presença militar reforçada na ilha é um ponto crucial para a estratégia de defesa americana, segundo o presidente. A declaração sobre a exploração de recursos naturais, no entanto, adiciona uma camada de complexidade às relações diplomáticas, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS.


