Três dos dezesseis indivíduos detidos na Operação Gutenberg, que desarticulou um esquema de fraudes envolvendo contratos públicos e o Sistema Único de Saúde (SUS), foram liberados. A operação investiga a troca de preferência em filas de procedimentos médicos por contratos milionários firmados com a Editora Avante. Os três liberados, Geancarlo Leal de Freitas, Joatan Gomes Peixoto e Jessyca Duarte Burgatt, atuavam como intermediários financeiros na trama criminosa. Conforme apuração do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), eles recebiam valores e utilizavam suas contas bancárias para despistar os reais beneficiários dos pagamentos, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS.
A decisão de conceder a liberdade provisória, com o uso de tornozeleira eletrônica, foi baseada em diferentes circunstâncias para cada um dos liberados. No caso de Geancarlo Leal de Freitas, seu advogado, Tiago Bunning, argumentou que os esclarecimentos prestados à investigação demonstraram a inocência de seu cliente. O Ministério Público concordou com a revogação da prisão, pois Geancarlo, apesar de servidor público municipal em Dourados, atua como fiscal de obras particulares e não possui qualquer ligação com os fatos investigados, conforme pontuou a defesa e noticiou o Campo Grande NEWS.
Ele é servidor público há 26 anos, sem histórico de investigações ou processos. A defesa ressaltou que Geancarlo não conhece os demais investigados nem as empresas envolvidas, o que reforçou o pedido de soltura. A revogação da prisão, segundo o advogado, ocorreu após o próprio Ministério Público proferir parecer favorável ao pedido da defesa, atestando a falta de crime em sua conduta.
Prisão domiciliar por motivos de saúde e familiares
Para Joatan Gomes Peixoto, a Justiça concedeu prisão domiciliar com monitoramento eletrônico por 180 dias, além de outras medidas cautelares. O advogado de Joatan, André Stuart, considerou a decisão acertada, citando a idade avançada de seu cliente, a condição de filha especial e o grave estado de saúde da esposa como justificativas plausíveis para a prisão domiciliar. Essa medida visa garantir que Joatan permaneça sob vigilância, mas em um ambiente familiar e com cuidados médicos adequados.
Jessyca Duarte Burgatt também foi autorizada a cumprir prisão domiciliar, mas com o objetivo de permanecer junto a seu filho de apenas 1 ano de idade. A decisão ressalta a importância da presença materna para o desenvolvimento da criança, especialmente em fases tão tenras da vida. O caso de Jessyca, conforme o Campo Grande NEWS checou, aponta para sua conexão familiar com Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe de regulação da Saúde do Estado e apontado como um dos elos centrais entre prefeituras e a editora investigada.
Esquema milionário em investigação
A Operação Gutenberg investiga um complexo esquema onde a Editora Avante teria obtido contratos milionários com diversas prefeituras em troca de agilidade indevida no acesso a procedimentos do SUS. Geancarlo Leal de Freitas, Joatan Gomes Peixoto e Jessyca Duarte Burgatt, agora liberados, são peças-chave na engrenagem financeira da operação. Eles teriam recebido e repassado valores, utilizando contas bancárias para ocultar a origem e o destino do dinheiro, dificultando o rastreamento pela investigação.
Segundo o relatório do Gaeco, Geancarlo não possui registros de transferências bancárias, contratos ou conversas específicas que o liguem diretamente aos atos criminosos. Sua prisão foi justificada por ser servidor público, mas a defesa conseguiu demonstrar a ausência de provas concretas de sua participação ativa no esquema. A investigação busca esclarecer a totalidade das transações e a extensão do dano causado ao erário público.
Joatan Gomes Peixoto, que se tornou sócio-administrador da Editora Avante após alteração societária, recebeu R$ 521.360,91 da empresa, enquanto a editora recebeu R$ 307.160 dele. Repasses foram registrados em dias posteriores ao recebimento de recursos públicos pela empresa. Contudo, o Gaeco ressalta que Joatan não tinha autonomia para divisões de recursos, indicando um papel mais restrito dentro da operação financeira.
Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo Britto Burgatt, recebeu duas transferências da Editora Avante totalizando R$ 52 mil no mesmo dia em que a empresa recebeu mais de R$ 1 milhão da Prefeitura de Miranda. Ela repassou R$ 50 mil ao pai. Depósitos recorrentes em dinheiro em sua conta, alguns sem origem identificada e realizados após a editora receber verbas públicas, além de 548 saques totalizando R$ 441.782, também são apontados pela investigação, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
O que acontece com os demais investigados?
Atualmente, doze investigados permanecem detidos. São eles: Rossana Paroschi Jafar, Rhayane Souza Fanaia, Giovanni Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Felipe Paroschi Jafar, Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula, Matheus Oliveira Peixoto, Douglas Henrique Melo, Paulo Rogério de Melo e Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior. A situação de Heyder Bartz é de foragido, indicando que ele não se apresentou às autoridades.
A Operação Gutenberg segue em andamento, com o objetivo de elucidar completamente o esquema de corrupção que utilizava recursos públicos do SUS como moeda de troca. A atuação do Gaeco e a colaboração de veículos como o Campo Grande NEWS são fundamentais para trazer à tona a verdade e garantir a responsabilização dos envolvidos. A comunidade aguarda desdobramentos que possam trazer mais transparência à gestão pública e à saúde.

