Trem do Pantanal: incêndio destrói vagões históricos em Aquidauana

Um incêndio de grandes proporções atingiu na noite de sexta-feira (18) dois vagões históricos pertencentes ao saudoso Trem do Pantanal. O incidente ocorreu no pátio da Estação Ferroviária de Aquidauana, localizada a 141 quilômetros da capital Campo Grande. As chamas consumiram completamente um dos vagões e causaram danos significativos em outro, mas a rápida ação do Corpo de Bombeiros impediu que o fogo se alastrasse para outras estruturas.

No sábado (19), um isqueiro foi localizado nas imediações dos vagões atingidos, levantando suspeitas sobre a origem do fogo. No entanto, as autoridades ainda investigam as causas exatas do incêndio e se há ligação entre o objeto encontrado e o início das chamas. Ninguém ficou ferido durante o ocorrido.

O patrimônio ferroviário e a memória afetiva

O Trem do Pantanal é mais do que apenas um meio de transporte; ele é um símbolo cultural e afetivo do estado de Mato Grosso do Sul, eternizado na canção de Geraldo Roca e Paulo Simões em 1975. A circulação regular de passageiros foi encerrada na década de 1990, mas a memória do trem permanece viva.

Em 2009, uma tentativa de reativação turística marcou a estação do bairro Indubrasil, em Campo Grande. Apesar do forte apelo governamental, a iniciativa enfrentou baixa demanda e custos elevados, sendo paralisada definitivamente. Desde então, as instalações físicas, que receberam investimentos públicos de R$ 739 mil, tornaram-se alvo de vandalismo e degradação.

Planos para revitalização da área

O secretário de Gestão Estratégica de Aquidauana, Alexandre Gustavo Riva Périco, informou que a área onde estavam os vagões passava por um processo de limpeza para receber novas instalações. “Esse incidente era de se esperar, a gente começou a limpar essa região, porque vamos colocar ela para bom uso, vamos fazer aqui uma instalação de postes LED, com energia solar, que estão vindo nas próximas semanas”, explicou Alexandre ao portal O Pantaneiro.

A prefeitura de Aquidauana também planejava ceder os vagões a um grupo da Associação dos Feirantes de Arte e Cultura. A ideia era transformar um dos vagões em um café simples e o outro em um espaço para exposição de artesanato das feirantes. O projeto, agora, precisará ser reavaliado diante da destruição parcial e total dos vagões.

A dispersão do patrimônio ferroviário

O caso dos vagões históricos em Aquidauana se soma a outros episódios de dispersão do patrimônio ferroviário sul-mato-grossense. Recentemente, o Campo Grande NEWS noticiou a restauração de um vagão fabricado em 1936, que estava abandonado em Três Lagoas. A peça histórica, após ser completamente restaurada pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), voltará a operar em passeios turísticos, mas em Campinas (SP), a centenas de quilômetros de sua origem.

Essa situação ilustra a dificuldade em preservar e reintegrar o rico acervo ferroviário do estado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a transferência de patrimônio histórico para outros estados levanta debates sobre a importância da preservação local e a necessidade de políticas eficazes para salvaguardar esses bens culturais.

Investigação em andamento

As causas do incêndio que destruiu os vagões do Trem do Pantanal ainda estão sob investigação. A descoberta do isqueiro próximo ao local é um indício, mas as autoridades buscam mais informações para determinar se o fogo foi acidental ou criminoso. O Campo Grande NEWS acompanha os desdobramentos desta apuração e trará novas informações assim que disponíveis.

A comunidade local e entusiastas do patrimônio ferroviário aguardam o resultado das investigações e esperam que medidas sejam tomadas para evitar que outros símbolos históricos sofram danos semelhantes. A perda dos vagões representa um golpe para a memória e a cultura de Mato Grosso do Sul.