A viagem de celebração de um casamento se transformou em um pesadelo devastador na BR-163, em Bandeirantes (MS), no último domingo (16). Um grave engavetamento, seguido por uma explosão, tirou a vida de quatro pessoas de uma mesma família, que se dirigiam a Rondônia para o enlace matrimonial de Sidnei Doná, de 60 anos. O advogado, em estado de choque, descreveu a perda como a de “metade da minha família”.
Tragédia na BR-163: Família inteira morre em engavetamento e explosão a caminho de casamento
Sidnei Doná, de 60 anos, perdeu seus pais, José e Natalina, e seus irmãos, Sérgio e Ana, no trágico acidente. Todos os quatro viajavam juntos em um Toyota Etios, que foi atingido em cheio no violento engavetamento que culminou em uma explosão. A notícia abalou profundamente o advogado, que soube da fatalidade pela televisão e confirmou a identidade dos familiares através do número do chassi do veículo.
A dor de Sidnei Doná: “Perdi mais da metade da minha família”
Ainda tentando processar a magnitude da perda, Sidnei Doná compartilhou a dor que o consome. “Nós somos uma família pequena, do interior de São Paulo. O pai, a mãe e quatro filhos”, explicou. Ele revelou que outro irmão, Valter, está em Campo Grande (MS) para a coleta de material genético e identificação dos corpos, que foram carbonizados na explosão. A família é natural de Campos Novos Paulista, no interior de São Paulo, onde o velório deverá acontecer, embora ainda não haja previsão.
A viagem para Rondônia tinha um motivo especial: o casamento de Sidnei, marcado para a próxima sexta-feira (21). Sua esposa está grávida de seis semanas, e a família estava unida e feliz, celebrando a vida e a chegada de um novo membro. “Eles estavam todos felizes porque já houve outras dificuldades, outras tragédias em nossa casa”, comentou Sidnei, referindo-se a perdas anteriores.
O advogado mencionou que dois netos de José e Natalina já haviam falecido em circunstâncias trágicas. Em 2013, uma neta de 13 anos morreu após descobrir um tumor cerebral, e o filho de Sidnei, de 17 anos, faleceu em decorrência de um choque elétrico. “Eles estavam vindo todos alegres para o casamento aqui em Ariquemes (RO)”, disse Sidnei, com a voz embargada.
O percurso para o casamento e a confirmação da tragédia
“Minha esposa está grávida de seis semanas. Eles estavam todos felizes porque já houve outras dificuldades, outras tragédias em nossa casa”, relatou Sidnei. Ele ainda expressou a tristeza por não poder realizar o desejo da mãe de vê-lo casar na igreja. “Era um desejo da minha mãe. Era vontade dela ver o filho casando na igreja, como ela sempre quis. Tadinha, não pode realizar”, lamentou.
A ficha ainda não caiu para Sidnei. “Eu perdi mais da metade da minha família. Eram pai, mãe, quatro filhos e dois sobrinhos. Foram quatro, ficou metade. A ficha ainda não caiu”, desabafou. Ele soube do acidente pela televisão e a preocupação começou quando não conseguiu mais contato com a mãe e o irmão, que costumavam avisar sobre o trajeto.
“Quando foi 18h eu olhei o celular e falei: ‘Cadê vocês?’ E ninguém me respondeu. Achei que deviam estar na estrada, mas já achei estranho. Na segunda comecei a ligar para o meu irmão, para o meu irmão que ficou e para meu cunhado”, contou. Após ver a reportagem, a família buscou informações junto à PRF e à Polícia Civil. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a confirmação veio após encontrarem o número do chassi e da placa do veículo.
“O nosso conforto, o que nos tranquilizava, era que falavam que eram três pessoas no Etios. Na segunda à noite conseguimos achar o número do chassi e da placa do carro deles e falamos com a PRF e confirmamos que era a mesma numeração”, relatou Sidnei.
Reconstruindo a história de uma família marcada pela fé e união
César, um dos filhos falecidos, era engenheiro agrônomo e mestre em Agricultura Tropical e Subtropical, com uma sólida carreira na pesquisa científica pública de São Paulo. Ele deixou esposa e um filho de 25 anos. Ana, outra filha, também deixou esposo e uma filha de 15 anos. A família, segundo Sidnei, será lembrada pela fé e pela união.
“Aquilo foi uma fatalidade. Daqui para lá ia a carreta de combustível e o meu irmão vinha logo atrás. Essas duas carretas bateram uma na outra, houve uma parada brusca e não deu tempo de ninguém frear. O carro branco ainda conseguiu parar, mas o preto não, que era o carro do meu irmão… morreram quatro inocentes”, explicou Sidnei sobre a dinâmica do acidente, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
“Morreu uma família de fé, religiosa. O meu pai era um homem muito bom, ele era capaz de dar o sangue dele para não fazer mal a uma formiga. Meu irmão era supercuidadoso. A minha irmã é superzelosa. Uma família que fazia questão de estar juntos”, concluiu Sidnei, em depoimento divulgado pelo Campo Grande NEWS, evidenciando a força dos laços familiares que foram brutalmente interrompidos na BR-163.

