Um desfecho trágico chocou a Vila Bandeirantes, em Campo Grande, nesta segunda-feira (27). Um filho, ao retornar para casa, deparou-se com uma cena desoladora: seus pais, Therezinha Nantes de Arruda, de 54 anos, e Joel Escocio Carvalho, de 59, estavam mortos no interior da residência da família. O caso, que aponta para um feminicídio seguido de suicídio, é o 16º registro da modalidade em Mato Grosso do Sul neste ano.
Segundo informações apuradas pela Polícia Civil, Joel Escocio Carvalho teria desferido golpes de faca contra a esposa, Therezinha Nantes de Arruda, e, em seguida, tirado a própria vida. A descoberta macabra foi feita pelo filho do casal, que prontamente acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A equipe médica, ao chegar ao local, apenas pôde constatar os óbitos.
A delegada plantonista da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Larissa Serpa, detalhou as primeiras impressões da investigação. Conforme a autoridade policial, não havia registros prévios de violência doméstica envolvendo o casal, nem medidas protetivas de urgência em vigor a favor da vítima. A cena encontrada pela perícia indicava que Therezinha tentou resistir às agressões.
“Houve um embate, provavelmente uma tentativa da vítima de se desvencilhar. Ela apresenta algumas marcas que, tipicamente, identificamos como marcas de defesa”, explicou a delegada Larissa Serpa, destacando a brutalidade do ato. Os corpos foram encontrados próximos um do outro, em um cenário que evidencia a violência do ocorrido.
Familiares relataram aos investigadores que Therezinha Nantes de Arruda manifestava o desejo de se separar do marido há algum tempo. Segundo a delegada, essa intenção era conhecida pela família, mas encontrava forte resistência por parte de Joel Escocio Carvalho. A união do casal já ultrapassava 30 anos.
“Essa vítima já havia manifestado para a família que desejava se separar e havia uma espécie de resistência por parte do autor em encerrar esse relacionamento, embora houvesse esse desejo dela”, afirmou a delegada. Essa dinâmica familiar teria sido o estopim para a tragédia.
Ainda de acordo com a delegada, Joel Escocio Carvalho enviou mensagens de áudio para um dos filhos antes de cometer o crime. Nas gravações, ele não confessou explicitamente ter matado a esposa, mas fez referências a uma “tragédia iminente”. Essa comunicação prévia sugere um planejamento por parte do agressor.
“Ele não fala isso de maneira expressa. Havia essa divergência entre o casal sobre a separação. Ele anuncia alguma forma de tragédia, mas não diz exatamente o que aconteceria”, detalhou a delegada, ressaltando a natureza enigmática das mensagens, mas que, em retrospecto, ganham um sentido sombrio.
O caso de Therezinha Nantes de Arruda e Joel Escocio Carvalho se insere em um contexto alarmante de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. Este é o 16º feminicídio registrado no estado em 2024. O último caso antes deste, conforme o Campo Grande NEWS checou, ocorreu em 17 de julho, em Nioaque, onde Antonio Marcos da Silva matou Rosenida de Oliveira Candelário e um conhecido. A recorrência desses crimes evidencia a urgência de políticas públicas e de conscientização social.
A violência doméstica e o feminicídio são problemas complexos que exigem atenção contínua. O Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto as estatísticas e os desdobramentos desses tristes eventos, buscando informar e alertar a população sobre a gravidade da situação. A falta de registros anteriores de violência doméstica neste caso específico não diminui a gravidade do ato, mas ressalta a importância de estar atento a sinais de conflito e sofrimento em relacionamentos.
Em situações de risco ou sofrimento, buscar ajuda é fundamental. Em Campo Grande, o Grupo Amor Vida (GAV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 0800 750 5554. O Núcleo de Saúde Mental e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) também são locais de acolhimento. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo número 188, disponível 24 horas. Em emergências, a Polícia Militar (190) e o Corpo de Bombeiros (193) são os contatos necessários.
A denúncia de qualquer forma de agressão é um ato de cidadania e pode salvar vidas. A Central 180 funciona 24 horas, gratuitamente, e oferece orientação e acolhimento, com possibilidade de anonimato. Em casos de risco imediato, o 190 deve ser acionado. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa não pode ser silenciada, e a sociedade tem um papel crucial em combater essa mazela. A confiabilidade das informações sobre segurança pública em Campo Grande é um pilar para o Campo Grande NEWS.

