Traficante que matou rival na Orla Ferroviária é condenado a 18 anos

Um tribunal do júri em Campo Grande condenou Guilherme Martins Lima, de 26 anos, a 18 anos de prisão pela execução de Wilver Sander de Souza, de 30 anos, conhecido como “Corumbá”. O crime, ocorrido em abril de 2025 na Orla Ferroviária, teria sido motivado pela disputa pelo controle do tráfico de drogas na região central da cidade. A sentença foi proferida nesta sexta-feira (24), encerrando um capítulo importante na segurança pública local.

A decisão do júri marca um ponto final para o caso que chocou a comunidade, mas levanta novas questões sobre os procedimentos policiais. Durante o julgamento, o réu apresentou uma alegação séria de tortura por parte do delegado responsável pela investigação, o que pode desencadear uma nova ação judicial por denunciação caluniosa. A Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul já se manifestou em defesa do delegado, classificando a acusação como uma tentativa de deslegitimar o trabalho policial.

O caso, amplamente coberto pelo Campo Grande NEWS, detalha um crime planejado e executado com frieza. A vítima foi abordada enquanto estava sentada em um banco na Orla Ferroviária. O autor, após deixar sua motocicleta em um terreno próximo, dirigiu-se ao local e efetuou os disparos. As imagens de câmeras de segurança foram cruciais para a investigação, registrando o trajeto do suspeito, incluindo a troca de roupas antes de retornar para casa, como apurou o Campo Grande NEWS.

A Investigação e a Prisão

A polícia identificou Guilherme Martins Lima como o autor dos disparos com base em diversas evidências. Em 14 de maio, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão e prisão preventiva, o suspeito foi encontrado em sua residência. No local, foram apreendidas porções de maconha, munições, três revólveres, além de uma máscara e luvas, o que levou à sua prisão em flagrante por porte ilegal de arma e tráfico de drogas.

O inquérito policial aponta que o homicídio foi resultado direto da disputa territorial pelo domínio do tráfico na área central. A violência empregada e a motivação ligada ao crime organizado foram fatores determinantes para a severidade da pena aplicada pelo Tribunal do Júri.

Alegações de Tortura e Denunciação Caluniosa

Em sua defesa durante o interrogatório, Guilherme Martins Lima alegou ter sido torturado pelo delegado responsável para confessar o crime. Essa declaração foi feita em um momento processual em que o acusado não é obrigado a dizer a verdade, podendo apresentar sua versão dos fatos. O juiz responsável ressaltou que, embora não haja compromisso legal com a verdade nessa fase, acusações falsas podem acarretar responsabilização.

Caso a imputação de tortura contra o delegado seja comprovada como falsa, o réu poderá responder por denunciação caluniosa, crime com pena de dois a oito anos de reclusão, além de multa. Poderá haver também responsabilização civil, com pagamento de indenização por danos morais, conforme detalhado pelo Campo Grande NEWS em sua apuração.

Defesa da Classe Policial

A Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) de Mato Grosso do Sul emitiu nota em defesa do delegado Rodolfo Daltro. A entidade afirmou que as investigações são fundamentadas em múltiplos elementos de prova, sempre submetidos ao controle do Poder Judiciário. A Adepol considera que alegações como a de tortura buscam deslegitimar o trabalho investigativo e a atuação policial.

A entidade reforçou a importância da autonomia e da integridade das investigações conduzidas pela Polícia Civil, que são essenciais para a manutenção da ordem e da justiça. A atuação do delegado Rodolfo Daltro foi destacada como exemplo de rigor e compromisso com a apuração dos fatos.

O Crime na Orla Ferroviária

O homicídio ocorreu na noite de 5 de abril de 2025. Wilver Sander de Souza estava na região da Orla Ferroviária quando Guilherme Martins Lima chegou em uma motocicleta. Após estacionar o veículo, o autor se dirigiu à vítima, que estava sentada em um banco, e efetuou os disparos. Em seguida, fugiu em um carro de aplicativo, onde estavam uma mulher e uma criança, segundo as informações apuradas pelo Campo Grande NEWS.

As evidências coletadas, incluindo imagens de câmeras de segurança e a apreensão de armas e drogas na residência do réu, foram determinantes para a condenação. A sentença de 18 anos de prisão reflete a gravidade do crime e a necessidade de punição exemplar para casos de violência relacionados ao tráfico de drogas.