TJMT visita Casa da Mulher em Campo Grande para replicar modelo contra feminicídios

Uma comitiva do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) realizou, em 17 de abril, uma visita técnica à Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O objetivo principal da ação foi conhecer e replicar boas práticas no atendimento integrado a mulheres em situação de violência. Esta iniciativa é fruto de um Termo de Cooperação Técnica firmado entre os Poderes Judiciário e Executivo, visando a modernização da gestão por processos no Judiciário mato-grossense. A comitiva foi composta por magistradas e gestoras focadas na cooperação judiciária e no combate à violência doméstica, em um contexto alarmante de feminicídios no estado.

TJMT busca inspiração em Campo Grande para combater a violência contra a mulher

A visita do TJMT à Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande representa um passo importante na busca por soluções eficazes contra a violência de gênero em Mato Grosso. A comitiva, formada por profissionais experientes na área, pôde observar de perto o funcionamento de um modelo de atendimento integrado, que reúne diversos serviços essenciais em um único espaço. Essa experiência prática é vista como fundamental para a implementação de melhorias e a criação de novas unidades em Mato Grosso, com foco especial na cidade de Rondonópolis, que tem registrado altos índices de feminicídio.

O modelo integrado da Casa da Mulher Brasileira

A Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande é reconhecida nacionalmente pela sua estrutura que integra serviços como a 3ª Vara Especializada em Violência Doméstica, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), Ministério Público, Defensoria Pública, perícia médico-legal e atendimento psicossocial. Essa concentração de serviços em um mesmo local visa oferecer um atendimento mais ágil, humanizado e eficiente às mulheres em situação de violência, reduzindo a necessidade de deslocamentos e o retrabalho entre as instituições.

Durante a visita, a juíza coordenadora do Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud), Henriqueta Lima, destacou a importância da cooperação institucional. “A Casa da Mulher Brasileira demonstra, na prática, como a integração entre diferentes áreas e esferas do poder público potencializa a proteção das mulheres. Esse modelo reduz retrabalho, dá celeridade aos processos e, sobretudo, salva vidas”, afirmou.

A juíza Maria Mazarelo Farias Pinto, titular da Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Rondonópolis, ressaltou que a experiência de Campo Grande oferece caminhos concretos para Mato Grosso. “A concentração dos serviços e o compartilhamento de informações tornam o atendimento mais eficiente e humanizado. Precisamos avançar nesse sentido, especialmente diante dos altos índices de feminicídios em nosso estado”, pontuou.

Ganhos práticos e operacionais do modelo

A gestora do NCJud, Valéria Ferraz, enfatizou a importância da vivência prática. “Após 11 anos atuando como analista de processos no Poder Judiciário de Mato Grosso, sempre representei os fluxos de forma teórica. Foi a primeira vez que percorri, de forma integrada, toda a jornada da mulher vítima de violência, desde a recepção e acolhimento até as etapas na delegacia, Judiciário, Ministério Público, Defensoria e demais unidades. Essa vivência evidencia, na prática, a efetividade de um modelo estruturado e integrado”, relatou.

Erica Sara Narloch, gestora da unidade, destacou os ganhos operacionais observados. “Observamos fluxos bem definidos, uso eficiente de sistemas e uma atuação coordenada entre as instituições. Isso impacta diretamente na qualidade do atendimento e na segurança das vítimas”, destacou.

A juíza de Direito titular da 3ª Vara de Violência Doméstica de Campo Grande, Tatyana Decarli, ressaltou o papel estratégico do intercâmbio institucional. “A troca de experiências fortalece o sistema de justiça como um todo e amplia as possibilidades de oferecer um atendimento mais eficiente e humanizado às mulheres”, finalizou.

Próximos passos para Mato Grosso

A Casa da Mulher Brasileira é uma iniciativa do programa federal “Mulher Viver sem Violência” e tem como principal objetivo integrar, em um único espaço, serviços essenciais das áreas de justiça, segurança pública, saúde, assistência social e promoção da autonomia econômica. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a partir das boas práticas observadas, o TJMT pretende avançar na implantação de um projeto-piloto da Casa da Mulher Brasileira em Rondonópolis. Além disso, propõe a criação de unidades especializadas em Medidas Protetivas de Urgência e o aprimoramento da gestão por processos no Judiciário estadual.

A expectativa é que as medidas implementadas contribuam significativamente para a redução dos índices de feminicídio em Mato Grosso, o fortalecimento da rede de proteção às mulheres e a garantia de um atendimento mais ágil, humanizado e eficaz a todas que necessitam de amparo. A colaboração entre os poderes é vista como essencial para alcançar esses objetivos, transformando a realidade de muitas mulheres. A experiência do Campo Grande NEWS em cobrir iniciativas locais e regionais reforça a importância de tais intercâmbios para o desenvolvimento de políticas públicas efetivas.