Tifanny denuncia nova regra da CBV e afirma: “Não vou me calar”
A oposta Tifanny, um dos nomes de destaque no vôlei feminino brasileiro, rompeu o silêncio e se pronunciou pela primeira vez sobre a controversa nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A regra, que restringe a participação em competições femininas a atletas designadas como do sexo biológico feminino ao nascer, foi classificada pela jogadora como um “enorme retrocesso”. Tifanny, que é a primeira atleta transgênero a atuar na Superliga, assegura que não desistirá de sua carreira e lutará por seus direitos.
“A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos”, declarou Tifanny, em um pronunciamento divulgado pela assessoria de imprensa de seu clube, o Osasco São Cristóvão Saúde. Ela ressalta que a decisão afeta não apenas ela, mas também seu clube, patrocinadores, fãs e, principalmente, o direito de todas as pessoas trans. A atleta compara a nova política a métodos vexatórios de testes de gênero utilizados nas décadas de 1960 e 1970.
A jogadora, que atua no vôlei feminino desde 2017 e conquistou a Superliga em 2025, sendo pioneira como a primeira trans a vencer o principal torneio do país, enfatizou sua determinação em seguir lutando. “Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão”, afirmou. A declaração ocorreu após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista, no último sábado (15), onde, apesar de seus 19 pontos, a equipe foi derrotada pelo Pinheiros por 3 sets a 2.
CBV alega alinhamento com regras internacionais
A nova política da CBV, anunciada na última sexta-feira (14), tem como objetivo, segundo a entidade, estar em conformidade com as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). O critério de elegibilidade estabelece que as atletas devem apresentar um resultado negativo para o gene SRY, um dos marcadores genéticos associados ao sexo masculino. Anteriormente, mulheres trans podiam competir desde que seus níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de um limite específico.
A determinação já é válida para as competições deste ano, incluindo a Superliga (nas duas principais divisões) e a Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027. A Federação Paulista de Volleyball (FPV), por sua vez, informou que o Campeonato Paulista seguiria o regulamento vigente no início do torneio. A FPV declarou que “eventuais medidas” serão consideradas para competições futuras, após análise das áreas jurídica e de saúde.
Impacto e repercussão da nova regra
A decisão da CBV tem gerado amplo debate e críticas de ativistas e da comunidade LGBTQIA+. Tifanny, como uma figura pública proeminente no esporte, tornou-se porta-voz dessa insatisfação, destacando a importância da inclusão no esporte. A atleta expressou sua frustração com o que considera um passo atrás em termos de direitos humanos e igualdade, especialmente em um momento em que a visibilidade e a aceitação de pessoas transgênero vêm crescendo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a luta por inclusão no esporte é um tema complexo e multifacetado.
A participação de Tifanny na partida do Campeonato Paulista, mesmo após o anúncio da nova política, foi possível graças à decisão da Federação Paulista de Volleyball de manter o regulamento anterior para o torneio estadual. Essa decisão, segundo a FPV, visa permitir uma análise mais aprofundada antes de implementar quaisquer alterações em competições futuras. A situação evidencia a complexidade e as diferentes interpretações das regras de elegibilidade no esporte, um assunto que continuará em pauta nos próximos meses, como bem aponta o Campo Grande NEWS em suas análises sobre diversidade no esporte.
O que dizem as regras internacionais?
As novas diretrizes da CBV buscam, de acordo com a entidade, alinhar-se às recomendações mais recentes de órgãos internacionais. No entanto, a interpretação e aplicação dessas regras por federações nacionais têm gerado controvérsias. A exigência do teste genético, especificamente a detecção do gene SRY, é um ponto de grande questionamento por parte de especialistas em gênero e direitos humanos, que a consideram invasiva e discriminatória. O Campo Grande NEWS acompanha de perto estas discussões para trazer informações atualizadas sobre o tema.
A controvérsia em torno da participação de atletas transgênero no esporte feminino é um reflexo de debates mais amplos sobre identidade de gênero, equidade e inclusão. A posição de Tifanny reforça a necessidade de um diálogo aberto e respeitoso para encontrar soluções que garantam a integridade das competições sem excluir atletas com base em sua identidade de gênero. A luta por um esporte mais inclusivo e justo segue como pauta principal para muitos, incluindo a própria atleta.


