Terceiro suspeito de duplo homicídio em Caarapó se entrega e aponta ex-cunhado como autor dos disparos

O terceiro suspeito do duplo homicídio ocorrido em Caarapó, Antonio Lucas Bispo da Silva, de 31 anos, apresentou-se à polícia em Dourados. Ele é investigado pela morte do advogado Cássio de Souza, 40, e do servidor público Hugo Centurião Enciso, 49, crimes que aconteceram no último domingo. Em seu depoimento, Antonio Lucas acusou seu ex-cunhado, Alex dos Santos Silva, de ser o autor dos disparos. As informações foram divulgadas pelo Campo Grande News.

O caso, que já apresentava uma série de desentendimentos anteriores entre os envolvidos, incluindo uma discussão em uma festa, agora conta com versões contraditórias sobre a autoria dos crimes. A prisão preventiva de Antonio Lucas já havia sido decretada.

Antonio Lucas se entregou na tarde desta terça-feira (3) na sede do SIG (Setor de Investigações Gerais), em Dourados. O delegado Ciro Jales Carvalho, responsável pelo inquérito, deslocou-se de Caarapó para interrogar o suspeito. Conforme apurado pelo Campo Grande News, Antonio Lucas repetiu a versão de seu pai, Antenor Marques da Silva, de 55 anos, e apontou Alex dos Santos Silva, 34, como o responsável pelos quatro tiros que tiraram a vida de Cássio e Hugo.

Alex e Antenor Marques da Silva foram presos na manhã de segunda-feira (2), quando retornavam de Juti para Caarapó. Durante o interrogatório, Alex, por sua vez, acusou o ex-sogro, Antenor, de ser o autor dos homicídios.

Versão de Antonio Lucas aponta para Alex dos Santos Silva

De acordo com o advogado de defesa de Antonio Lucas, Rodrigo Elder Lopes Bueno, seu cliente confirmou que era amigo do advogado Cássio de Souza há muitos anos. Antonio Lucas alega que a briga que culminou nas mortes foi iniciada por Hugo Enciso.

O advogado explicou que Lucas e Cássio, embora tivessem desentendimentos pontuais, geralmente retomavam a amizade no dia seguinte. Hugo, por outro lado, não era amigo de Lucas, mas sim de Cássio. Essa dinâmica, segundo a defesa, é crucial para entender o contexto.

Ainda segundo a versão apresentada por Antonio Lucas, em uma festa anterior, Hugo teria provocado Lucas, que havia se separado recentemente da esposa, chamando-o de “corno” em tom de brincadeira. Lucas não teria gostado da provocação e respondeu chamando Hugo de “puxa saco de um agiota da cidade”, antes de deixar a festa.

Antonio Lucas afirma que só voltou a ver Hugo no dia dos crimes, na madrugada de domingo. Ele relatou que foi cumprimentar Cássio, mas Hugo, que estava junto, tentou agredi-lo com um soco, dando início à confusão. O advogado Rodrigo Helder Bueno destacou que seu cliente mantém a versão de que Alex dos Santos Silva efetuou os disparos.

Frentista confirma fala de Antonio Lucas, mas nega autoria

Antonio Lucas também confirmou ter dito a um frentista de um posto de combustível onde parou para abastecer seu veículo, um Golf preto, que havia “matado os caras que estavam brigando com ele”. No entanto, ele reitera que os tiros foram disparados por Alex dos Santos Silva.

O suspeito segue a linha de raciocínio do pai, Antenor Marques da Silva, afirmando que o revólver calibre 38 utilizado nos crimes pertencia a Alex. Antonio Lucas declarou que, após os disparos, Alex teria dito a Antenor que se ele fosse homem, assumiria as mortes. A defesa de Antonio Lucas informou ao Campo Grande News que nenhum dos outros acusados o aponta como autor dos homicídios e que entrará com um pedido de revogação da prisão preventiva de seu cliente.

O caso segue em investigação pelas autoridades policiais, que buscam esclarecer os fatos e determinar a responsabilidade de cada um dos envolvidos no duplo homicídio que chocou a cidade de Caarapó.