Técnico de enfermagem suspeito de estupro em UTI é solto e recebido com cartaz

Técnico de enfermagem suspeito de estupro em UTI é solto em Campo Grande

Um técnico de enfermagem de 52 anos, investigado pela suspeita de estupro contra uma paciente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), foi solto na tarde desta sexta-feira (24), em Campo Grande, após 11 dias detido na Delegacia da Mulher (Deam). A defesa do profissional argumenta que não há indícios de autoria e que ele não estava escalado para o leito da vítima no momento do suposto crime. O inquérito policial que apura o caso segue em andamento.

O técnico de enfermagem estava preso desde 13 de julho. Ao deixar a delegacia, foi recebido por familiares, que o aguardavam com uma faixa exibindo a mensagem: “Herói não é aquele que vence as batalhas, mas aquele que nunca desiste da vitória”. Nem o profissional, nem seus parentes, concederam entrevistas à imprensa.

Segundo o advogado Matheus Morandi, a prisão temporária foi decretada durante o plantão judiciário com o objetivo de garantir a preservação das investigações. No entanto, com o avanço das apurações, a defesa sustentou que não foram encontrados elementos suficientes para manter o técnico detido.

Defesa alega falta de provas e contesta horário do suposto crime

“Com o andamento do inquérito, passou a ficar claro que não há indícios de autoria e materialidade para o cometimento do delito e que boa parte da investigação já foi concluída. Por isso, na quarta-feira, ingressei com o pedido de relaxamento da prisão temporária”, declarou o advogado Matheus Morandi.

Morandi informou que o técnico prestou depoimento à Polícia Civil na quinta-feira (23) e que, após sua oitiva, a própria delegada responsável pela investigação teria solicitado a soltura do paciente. A defesa acredita que a inocência do profissional será comprovada ainda na fase de inquérito.

“A soltura ocorreu em razão do andamento natural do processo, algo que a defesa já esperava. Tudo indica que, se as investigações continuarem seguindo esse caminho, ficará comprovada a inocência desse técnico de enfermagem, que está sendo injustamente acusado dessa barbaridade, ainda na fase de inquérito policial”, afirmou o advogado.

Uma das principais alegações da defesa é que o técnico de enfermagem não estaria na UTI no horário em que o suposto abuso teria ocorrido. “Sua defesa baseia-se no fato de que, segundo o horário narrado nos autos, ele não estava presente na unidade de terapia intensiva”, explicou Morandi.

O advogado também ressaltou que a estrutura de uma UTI, com vigilância constante de múltiplos profissionais, dificultaria uma ação isolada sem que fosse percebida. “A dinâmica de uma UTI impede que um profissional atue de forma isolada, visto que a estrutura do setor visa à supervisão constante de todos os pacientes por uma equipe multiprofissional”, disse.

Relação com a paciente e hipótese sobre estado de saúde

De acordo com a defesa, o técnico de enfermagem não mantinha qualquer relação pessoal ou amizade com a paciente. Ele conhecia apenas uma tia da jovem, em razão de atividades políticas e sindicais.

O advogado explicou que a tia da paciente teria encontrado o profissional no hospital e solicitado que ele acompanhasse o estado de saúde da sobrinha. Morandi sustenta que o técnico apenas buscou informações com as profissionais responsáveis pelo atendimento e que não estava escalado para cuidar daquele leito específico.

“Ronaldo não se aproximou da paciente de forma invasiva. Ele buscou informações junto às colegas responsáveis pelo atendimento. É importante pontuar que o profissional sequer estava escalado para o leito da referida paciente”, declarou o advogado.

A defesa também levanta a hipótese de que o quadro clínico da paciente e os medicamentos utilizados durante a internação possam ter afetado sua percepção. Essa versão, no entanto, aguarda análise de prontuários e depoimentos.

“Tratava-se de uma pessoa recém-extubada, sob efeito de medicações potentes, as quais possuem o potencial de alterar o raciocínio e o estado de consciência. Diante disso, é prematuro estabelecer conclusões definitivas sobre o ocorrido”, ponderou Morandi.

Entenda a denúncia

A paciente, de 27 anos, estava internada desde 15 de junho devido a complicações relacionadas à gravidez e ao pós-parto. Ela deu à luz em 30 de junho e, após sofrer uma hemorragia, foi encaminhada à UTI.

De acordo com o boletim de ocorrência, o suposto abuso teria ocorrido durante um plantão noturno. A jovem relatou que estava sonolenta e acordou durante o suposto ato, reconhecendo o técnico de enfermagem.

Após o ocorrido, ela comunicou o episódio a uma profissional da equipe, que informou a enfermeira responsável e a psicóloga do setor. A família da paciente procurou a polícia e registrou a ocorrência, o que levou à prisão do técnico em sua residência, três dias depois da denúncia chegar à Polícia Civil.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, o inquérito policial continua em andamento para apurar todos os fatos. A defesa do técnico de enfermagem demonstra confiança na conclusão das investigações, conforme o Campo Grande NEWS apurou, e espera que a inocência de seu cliente seja reconhecida.

O caso gerou grande repercussão, e a defesa criticou o julgamento público do profissional antes da conclusão das investigações, reforçando a necessidade de respeito à presunção de inocência. O Campo Grande NEWS acompanha o desenrolar deste caso que abalou a comunidade local.