A discussão sobre o futuro do transporte coletivo em Campo Grande ganhou novo fôlego com as conclusões da CPI do Transporte. A vereadora Luiza Ribeiro (PT) apresentou uma proposta ousada: a implementação da tarifa zero no sistema. A ideia, que visa uma reformulação completa, inclui a intervenção no Consórcio Guaicurus e a gestão direta pela prefeitura. O debate promete se intensificar em abril, com a realização de uma audiência pública. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a proposta surge em um cenário de críticas e problemas identificados pela CPI, como o envelhecimento da frota.
Tarifa Zero: Um Novo Horizonte para a Mobilidade Urbana
A proposta da vereadora Luiza Ribeiro vai além da simples eliminação da cobrança de passagens. Ela defende uma mudança estrutural no modelo de financiamento do transporte público, que passaria a ser custeado pelo município. Segundo a parlamentar, a tarifa zero não é um benefício sem custo, mas sim uma política pública que busca romper barreiras de acesso à cidade para milhares de pessoas. A iniciativa já é realidade em mais de 140 cidades brasileiras, e na visão de Ribeiro, pode ampliar o acesso ao trabalho, à educação e a serviços essenciais, além de impulsionar a economia local.
Modelo de Concessão sob Questionamento
A vereadora também levanta questionamentos sobre o atual modelo de concessão do serviço. Para ela, o formato prioriza a lógica empresarial, e uma parcela significativa dos recursos arrecadados não se reflete em melhorias palpáveis para os usuários. A CPI do Transporte corroborou essa percepção ao apontar falhas no cumprimento contratual por parte da concessionária. Um dos problemas mais gritantes é o envelhecimento da frota: 197 ônibus operam acima do limite de idade, comprometendo o conforto, a segurança e a regularidade das viagens. A situação exige atenção e novas soluções para garantir um serviço de qualidade.
Recursos Disponíveis e Frota Antiga: Um Contraste Preocupante
O debate sobre a reformulação do transporte ocorre em um momento oportuno, com linhas de financiamento abertas para a renovação do sistema. O Novo PAC, por exemplo, disponibilizou R$ 4,4 bilhões para a aquisição de ônibus urbanos, com condições facilitadas de pagamento. Campo Grande e Dourados já foram identificados como municípios elegíveis para acessar esses recursos federais, bastando a formalização por parte do Executivo municipal. Essa disponibilidade de verbas pode ser crucial para modernizar a frota e oferecer um serviço mais eficiente e seguro aos cidadãos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a oportunidade de renovação da frota é um ponto chave para o avanço do sistema.
Mobilidade como Direito Social e Objetivo de Desenvolvimento
A proposta da tarifa zero se alinha à Meta 11.2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que preza pelo acesso universal a sistemas de transporte seguros, acessíveis e sustentáveis até 2030, com foco especial em grupos vulneráveis. A vereadora Luiza Ribeiro enxerga o transporte coletivo como uma política pública estruturante, capaz de promover inclusão social, desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental. O transporte público, em sua visão, deve ser tratado como um direito social, fundamental para a qualidade de vida dos cidadãos.
Debate Público em Abril: Um Convite à Participação
Como próximo passo, a vereadora Luiza Ribeiro pretende articular com os membros da CPI para que a Câmara Municipal participe ativamente da elaboração de um novo marco legal para o transporte na Capital. Uma audiência pública está prevista para abril, reunindo especialistas, representantes do poder público e, fundamentalmente, os usuários do sistema. O objetivo é debater amplamente a proposta e coletar subsídios para a construção de um modelo de transporte que atenda às reais necessidades da população. A iniciativa do Campo Grande NEWS em acompanhar de perto esse debate visa dar visibilidade às demandas dos cidadãos e fomentar a participação democrática na definição de políticas públicas essenciais para a cidade.

