Subtenente da PM morta a tiros é sepultada em Campo Grande

A subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, que foi morta a tiros na segunda-feira (6) em Campo Grande, foi sepultada na tarde desta terça-feira (7). O velório aconteceu na capela do cemitério Memorial Park, onde militares e amigos prestaram as últimas homenagens à policial, que atuava no Comando-Geral da corporação. A comoção entre os colegas de farda foi evidente, destacando a dedicação e o caráter exemplar de Marlene ao longo de seus quase 40 anos de serviço público.

O tenente-coronel Cícero Pereira, que trabalhou próximo à subtenente, expressou o profundo choque da corporação com o ocorrido. “É uma violência que choca, choca muito. Quando isso atinge nós, que trabalhamos no combate diário a esse tipo de violência, o choque é ainda maior. A Marlene era uma pessoa muito querida, trabalhadora, com uma conduta irrepreensível. Uma pessoa ímpar”, declarou Pereira, ressaltando a expectativa de que a justiça seja feita.

A morte de Marlene de Brito Rodrigues, ocorrida em sua residência no bairro Estrela Dalva, levanta sérias questões sobre a segurança e a violência doméstica, mesmo dentro de um ambiente que deveria ser o mais seguro: o lar. A Polícia Civil já identificou o principal suspeito, que é o namorado da vítima, Gilberto Jarson, de 50 anos, preso em flagrante no local do crime. O caso está sendo tratado como feminicídio.

De acordo com as investigações preliminares, o casal mantinha um relacionamento há cerca de um ano e quatro meses e morava junto há apenas dois meses. Gilberto Jarson foi encontrado com a arma do crime em mãos e, inicialmente, alegou que a subtenente teria cometido suicídio. No entanto, suas versões apresentaram contradições, o que intensificou a suspeita de que ele seja o autor do feminicídio.

A delegada Analu Lacerda Ferraz, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), informou que, até o momento, não há registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal. Essa informação, conforme o Campo Grande NEWS checou, reforça a dificuldade em prever e prevenir tais atos, que muitas vezes se manifestam de forma súbita e trágica. A investigação segue em andamento para esclarecer todos os detalhes que levaram à morte da subtenente.

Marlene de Brito Rodrigues dedicou quase quatro décadas à segurança pública, atuando no Comando-Geral da Polícia Militar, no setor de Ajudância-Geral. Sua longa carreira e sua conduta profissional foram amplamente elogiadas por seus colegas. O subtenente Luiz Antônio de Souza compartilhou a tristeza e a incredulidade com a perda da colega: “É lamentável ver isso acontecer com uma pessoa tão benquista, amiga de todos, dentro e fora da corporação. É algo que nos deixa sem chão. Quem conheceu a Marlene sabe o quanto ela era uma pessoa amada, respeitosa, jamais tratava alguém com rispidez”, afirmou.

O subtenente Souza também destacou o impacto social do crime, ressaltando que a violência pode atingir qualquer pessoa, independentemente de sua profissão ou treinamento. “Choca ainda mais porque mostra que esse tipo de violência está em todo lugar. Mesmo uma policial treinada pode ser vítima dentro da própria casa. Isso precisa ser tratado com muita seriedade”, disse. A fala do subtenente ecoa a preocupação de que a violência doméstica é um problema que transcende barreiras sociais e profissionais.

O subtenente Cícero Barbosa, por sua vez, enfatizou o tempo de serviço de Marlene, uma profissional que contribuiu significativamente para a segurança pública do estado por quase 40 anos. Em nota oficial, o Comando-Geral da Polícia Militar lamentou profundamente o falecimento da subtenente, expressou solidariedade à família, amigos e colegas, e informou que está acompanhando o caso de perto, com equipes designadas para oferecer apoio aos familiares. A corporação reafirmou seu compromisso com a apuração rigorosa dos fatos.

O caso serve como um doloroso lembrete da persistência da violência contra a mulher e da necessidade contínua de ações de conscientização e prevenção. A Polícia Civil, conforme o Campo Grande NEWS checou, segue empenhada em reunir todas as evidências para garantir que a justiça seja feita e que o responsável pela morte da subtenente Marlene de Brito Rodrigues seja devidamente responsabilizado pelos seus atos, conforme a lei.

A morte de uma policial dentro de sua própria casa, onde deveria se sentir segura, é um fato que assusta e reflete a complexidade do combate à violência de gênero. A dedicação de Marlene à Polícia Militar é lembrada com carinho e respeito por todos que a conheceram, e seu legado como profissional exemplar permanece. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o desenrolar desta investigação e trará atualizações assim que disponíveis, mantendo a comunidade informada sobre este trágico evento que abalou Campo Grande.