Em um desfecho que frustra milhares de aposentados, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por 8 votos a 2, a decisão que anula a chamada revisão da vida toda. A tese jurídica, que permitia o recálculo de aposentadorias incluindo todas as contribuições previdenciárias feitas ao longo da vida profissional, mesmo as anteriores a julho de 1994, foi derrubada em definitivo. A decisão, proferida no plenário virtual da Corte nesta sexta-feira (15), impede que novos pedidos de revisão sejam aceitos com base nesse critério, mantendo a regra de transição instituída em 1999 como a única válida para o cálculo de aposentadorias.
STF confirma fim da revisão da vida toda do INSS
A maioria dos ministros rejeitou os recursos apresentados por aposentados que buscavam reverter o entendimento anterior do Supremo. Com isso, fica consolidado que o benefício previdenciário será calculado com base nas maiores contribuições dos últimos 36 meses anteriores à lei de 1999, ou em todas as contribuições desde julho de 1994, o que for mais vantajoso. A decisão, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, impacta diretamente aqueles que tinham contribuições significativas antes de julho de 1994 e que esperavam um aumento em suas aposentadorias com a revisão.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, votou pela rejeição dos recursos, argumentando que não havia irregularidades na decisão anterior do STF que havia cancelado a tese. Ele destacou que a decisão embargada não apresentava vícios que justificassem sua revisão. Acompanharam o relator os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, André Mendonça, Luiz Fux, Flávio Dino e Nunes Marques, formando a maioria que sacramentou o fim da revisão da vida toda para novos casos.
Garantia para quem já recebeu valores: o que muda?
Apesar da derrota para os aposentados, o STF trouxe um alívio ao manter um ponto crucial: aqueles que já receberam valores retroativos de aposentadorias por força de decisões judiciais até o dia 5 de abril de 2024 não precisarão devolver o dinheiro. Essa data marca a publicação da ata do julgamento anterior que havia derrubado a revisão da vida toda. Essa salvaguarda é fundamental para milhares de segurados que já haviam obtido decisões favoráveis na Justiça.
O entendimento do Supremo é que a segurança jurídica deve ser preservada para os casos já transitados em julgado ou com pagamentos já efetuados antes da nova decisão. O Campo Grande NEWS checou que esta medida visa evitar um impacto financeiro severo e desnecessário para beneficiários que agiram de boa-fé, confiando em decisões judiciais anteriores. A decisão, portanto, protege quem já teve o benefício revisado e recebeu os valores correspondentes.
O que é a revisão da vida toda e por que ela foi derrubada?
A chamada revisão da vida toda permitia que aposentados optassem por recalcular o valor do benefício utilizando todas as contribuições previdenciárias realizadas ao longo de sua vida laboral, em vez de considerar apenas as contribuições dos últimos 36 meses antes da aposentadoria, como determina a regra geral. A intenção era beneficiar aqueles que tiveram salários mais altos no início de suas carreiras e que, com a regra de transição de 1999, poderiam ter seu benefício diminuído.
No entanto, em março de 2024, o STF mudou seu entendimento. A maioria dos ministros considerou que as regras previdenciárias instituídas pela Lei nº 9.876, de 1999, são constitucionais e que a regra de transição prevista nelas é obrigatória, não cabendo ao aposentado escolher livremente qual regra aplicar. Essa decisão reverteu o entendimento anterior que havia sido favorável a alguns segurados, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.
Ainda há esperança? Um novo capítulo no STF
Apesar da derrota na sexta-feira, o impasse jurídico sobre a revisão da vida toda pode não ter chegado ao seu fim definitivo. O ministro Edson Fachin pediu destaque em outro julgamento, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2.111, que também aborda regras previdenciárias relacionadas à revisão. Com esse pedido, o caso sairá do julgamento virtual e será analisado presencialmente pelos ministros.
Ainda não há data definida para que o julgamento da ADI 2.111 seja retomado. A expectativa é que esta nova análise possa trazer mais clareza ou até mesmo um novo desdobramento para a questão, embora o cenário atual aponte para a manutenção do entendimento que impede a revisão. A divergência de Fachin e Dias Toffoli, que votaram pela suspensão dos processos até uma decisão definitiva do plenário, mostra que a matéria ainda gera debates intensos entre os ministros da Corte.
A decisão final sobre a revisão da vida toda, portanto, ainda pode sofrer novas reviravoltas, mas a tendência, com base no placar de 8 a 2 desta sexta-feira, é que o fim da possibilidade de recálculo para novos casos seja mantido. Os aposentados que buscavam o benefício com base em contribuições antigas agora veem suas esperanças diminuírem, mas a garantia de não devolução de valores já recebidos conforta uma parcela significativa dos segurados.

