Simone Tebet, após uma jornada política de quase 30 anos em Mato Grosso do Sul, tomou a decisão de trocar o MDB pelo PSB e disputar uma vaga no Senado por São Paulo. A manobra, que visava fortalecer o palanque de Lula, representou a maior aposta de sua carreira. Apesar de não ter conquistado o mandato, terminando em terceiro lugar atrás de Guilherme Derrite e André do Prado, Simone obteve mais de 8 milhões de votos, um feito notável que quintuplicou sua votação anterior em São Paulo como candidata à presidência e superou quatro vezes o eleitorado de seu estado de origem.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a ex-ministra se define como uma política de centro e reafirma sua independência em relação a Lula, apesar de pontuar convergências em pautas como democracia e direitos humanos. A derrota, embora não tenha resultado em mandato, pode ter pavimentado um novo caminho político para Simone Tebet, fortalecendo sua imagem em território nacional e consolidando-a como uma potencial alternativa para as eleições de 2030.
A Ruptura com o Passado e a Conquista de um Novo Espaço
A mudança para São Paulo marcou uma significativa ruptura com a geografia política familiar. Simone Tebet deixou o MDB, filiou-se ao PSB e transferiu seu domicílio eleitoral para a capital paulista. Seu marido, Eduardo Rocha, permaneceu em Mato Grosso do Sul, mas sua candidatura a deputado estadual pelo MDB não foi bem-sucedida. Essa transição, de acordo com o Campo Grande NEWS, sugere um distanciamento da família da política sul-mato-grossense.
São Paulo, no entanto, não era um território totalmente desconhecido para Simone. Nas eleições presidenciais de 2022, o estado foi onde ela obteve sua maior votação, com 1,626 milhão de votos, representando cerca de um terço de sua votação nacional. A candidatura ao Senado, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS, conseguiu transformar esse resultado em uma aposta concreta e competitiva.
Estratégia de Campanha e Diálogo com Diversos Setores
Um dos principais desafios da campanha foi convencer o eleitorado paulista de que uma política formada em Mato Grosso do Sul poderia representá-lo. Adversários exploraram sua condição de “forasteira”, mas Simone respondeu com sua vasta experiência nacional: senadora, candidata à Presidência, ministra, prefeita de Três Lagoas e vice-governadora. Sua estratégia foi construir uma candidatura que não se alinhasse completamente à esquerda nem se afastasse de seu eleitorado tradicional.
Ao integrar a aliança de Fernando Haddad e dividir palanque com figuras como Lula, Geraldo Alckmin, Márcio França e Marina Silva, Simone buscou dialogar com setores do interior, do agronegócio e com eleitores que não se identificam integralmente com o lulismo. Notavelmente, ela superou Marina Silva em votação, um feito relevante. A campanha também se estendeu para além das fronteiras partidárias, buscando apoio de lideranças do PSD e até mesmo do Democracia Cristã.
O Resultado: Derrota no Mandato, Vitória no Território
A competitividade demonstrada ao longo da campanha afastou a ideia de que a candidatura de Simone Tebet fosse meramente simbólica. As pesquisas indicavam sua disputa por uma das vagas. No entanto, a onda bolsonarista que elegeu Guilherme Derrite e André do Prado acabou por impedir a conquista do mandato. A aposta principal, obter a cadeira no Senado, fracassou.
Apesar da derrota, o projeto por trás da candidatura pode não ter sido completamente abalado. Simone Tebet não buscava apenas um mandato, mas também a consolidação de um território político para o futuro. Ao encerrar a eleição como uma candidata competitiva em São Paulo, ela obteve um capital político significativo. Simone descreveu o pleito como “uma eleição atípica, nacionalizada” e notou um “cansaço do eleitor” com a polarização.
O Futuro: Otimismo para 2030
A leitura de Simone Tebet sobre o eleitorado, que busca um centro democrático capaz de dialogar para além da polarização, alinha-se com o espaço político que ela pretende ocupar. Por isso, apesar da derrota, a ex-senadora declarou-se “bastante otimista”. A possibilidade de retornar ao governo Lula, caso ele seja reeleito, permanece aberta, mas dependerá de futuras decisões políticas. Mais distante, mas politicamente viável, está a projeção para 2030. Sem mandato, Simone precisará manter sua relevância no debate nacional e capitalizar a experiência paulista para futuras disputas.

