Uma operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), resultou na prisão de dois servidores municipais e um ex-secretário de obras em Campo Grande nesta terça-feira (12). A investigação aponta para um esquema de desvio de verbas em contratos de manutenção de vias públicas, envolvendo manipulação de medições e pagamentos indevidos. A ação apreendeu R$ 429 mil em dinheiro vivo.
Gecoc desmantela esquema bilionário de desvio em obras
Edivaldo Aquino Pereira, coordenador do serviço de tapa-buraco em Campo Grande e lotado na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), foi um dos detidos. Ele já havia sido alvo da operação “Cascalhos de Areia”, deflagrada em 2023 por irregularidades no setor de ruas sem asfalto. Conforme o Campo Grande NEWS checou, após a operação anterior, Edivaldo se tornou fiscal do contrato de aquisição de concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ).
Outro preso é o engenheiro Mehdi Talayeh, servidor comissionado na Sisep desde 2020. Sua prisão preventiva foi decretada em 29 de abril, dentro de uma medida cautelar sigilosa. A defesa de Mehdi alegou não ter acesso aos autos completos do processo, que tramita sob sigilo absoluto. O engenheiro também foi alvo da operação “Cascalhos de Areia” e, em sua vida privada, divulga resultados de cavalos de competição em um sítio que leva seu nome em Bandeirantes.
Entre os presos está também Rudi Fiorese, ex-secretário de obras entre 2017 e 2023. As defesas de Fiorese e do empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, sócio-administrador da Construtora Rial Ltda, afirmaram não ter tido acesso ao processo. A reportagem do Campo Grande NEWS não conseguiu contato com Edivaldo.
Esquema milionário sob investigação
A investigação do MPMS revelou a existência de uma organização criminosa que atuava fraudando sistematicamente a execução de serviços de manutenção de vias públicas. O modus operandi incluía a manipulação de medições e a realização de pagamentos indevidos, com o objetivo de desviar dinheiro público e enriquecimento ilícito. A má qualidade das vias na cidade é apontada como consequência direta desse esquema.
Dados levantados indicam que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão na Sisep, e R$ 429 mil em dinheiro vivo foram apreendidos. A Prefeitura de Campo Grande foi procurada para comentar o caso e aguarda retorno.
Conexão com “Cascalhos de Areia”
A prisão de Edivaldo Aquino Pereira reforça a conexão entre a atual operação e a “Cascalhos de Areia”, que em 2023 já apontava irregularidades no setor de manutenção de vias. A nomeação de Edivaldo como fiscal de contrato após a primeira operação levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle interno. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos desta investigação.
Detalhes da apreensão e sigilo do caso
A apreensão de R$ 429 mil em dinheiro vivo durante a operação é um indicativo da dimensão financeira do esquema. O sigilo absoluto em que tramita o processo contra Mehdi Talayeh, conforme obtido pela reportagem, dificulta o acesso a detalhes sobre as evidências coletadas. A investigação visa desarticular completamente a organização criminosa responsável pelos desvios.
O caso promete novas revelações sobre a gestão de contratos de obras públicas em Campo Grande. A atuação do Gecoc é fundamental para garantir a transparência e a probidade na aplicação dos recursos públicos, assegurando que os serviços prestados à população sejam de qualidade e condizentes com os valores pagos. O Campo Grande NEWS se mantém atento aos próximos capítulos desta importante investigação.

