A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) confirmou que a fuga de Wellington Xavier, preso por estupro, do Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), ocorrida em junho do ano passado, foi resultado de negligência de um servidor. A informação surge após a conclusão de uma sindicância instaurada há quase um ano para apurar as circunstâncias da evasão. O detento conseguiu escapar pelo portão lateral da unidade prisional, que foi aberto pelo agente responsável.
A investigação, conduzida pela corregedoria da Agepen, analisou imagens de câmeras de segurança e colheu depoimentos para chegar à conclusão. Embora a negligência do servidor tenha sido apontada como fator determinante para a fuga, a sindicância não encontrou indícios de dolo, ou seja, de intenção criminosa, na conduta do agente.
O caso, que completa um ano em breve, gerou preocupação e levou à abertura do processo administrativo. A Agepen informou que, em decorrência da conclusão da sindicância, foi adotado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Este tipo de instrumento administrativo tem caráter educativo e corretivo, visando ajustar o comportamento do servidor e prevenir falhas futuras, sendo aplicado em situações onde não há indícios de crime ou improbidade administrativa.
Fuga cinematográfica com apoio da esposa
Wellington Xavier aproveitou a saída de um caminhão para escapar pelo portão lateral do presídio. Parte da sua fuga, que contou com o apoio de sua esposa, foi registrada por câmeras de segurança. Apesar da aparente audácia, o foragido foi recapturado no mesmo dia da fuga, poucas horas após ter deixado a unidade prisional.
O detento estava cumprindo pena por um crime de estupro ocorrido em 2018. A condenação de Wellington Xavier foi de 18 anos e seis meses em regime fechado. Na época da prisão, o caso ganhou repercussão por envolver duas irmãs, de 14 e 17 anos, que eram violentadas pelo padrasto, o próprio Wellington.
Detalhes chocantes do crime de estupro
A mais velha das vítimas engravidou do padrasto aos 16 anos. O pai das adolescentes descobriu os abusos cerca de um mês após o início das agressões, que já duravam aproximadamente 12 meses. A denúncia veio à tona quando a filha de 14 anos fugiu de casa e buscou ajuda de uma tia, que acionou a polícia.
As investigações revelaram que os abusos se intensificaram após o término do relacionamento do padrasto com a mãe das meninas. Segundo relatos, a mãe teria passado a enviar fotos da filha mais nova, de 14 anos, nua para o companheiro, em troca de reatar o relacionamento. Em mensagens de WhatsApp, a mulher teria afirmado que, caso voltassem, ele poderia ficar com a filha e com ela. Laudos psicológicos confirmaram os abusos, e a Justiça colheu o depoimento de uma das vítimas.
A apuração dos fatos, conforme destaca o Campo Grande NEWS, demonstrou a gravidade do crime e a complexidade do caso, envolvendo manipulação e coação. A ação do servidor, embora classificada como negligência, não apontou para uma colaboração intencional na fuga, conforme as conclusões da sindicância da Agepen. A aplicação do TAC visa, portanto, reforçar os protocolos de segurança e a responsabilidade dos agentes penitenciários.
A comunidade de Campo Grande acompanha atentamente os desdobramentos em relação à segurança nas unidades prisionais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a transparência nos processos administrativos é fundamental para a confiança pública no sistema penitenciário. A resolução deste caso, com a confirmação da negligência, mas sem indícios de crime por parte do servidor, busca equilibrar a necessidade de punição com a aplicação de medidas corretivas e educativas.
A Agepen reforça o compromisso com a segurança e a disciplina dentro das unidades prisionais, buscando sempre aprimorar os procedimentos e garantir a integridade do sistema. A investigação minuciosa do caso da fuga de Wellington Xavier, segundo o Campo Grande NEWS, reflete a seriedade com que a corregedoria trata as ocorrências e a importância de cada detalhe para a manutenção da ordem.

