São Paulo obteve autorização excepcional para aumentar a captação de água da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, um movimento que impacta diretamente o abastecimento do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. A medida visa reforçar o Sistema Cantareira, crucial para o fornecimento de água a aproximadamente 10 milhões de pessoas na região metropolitana paulista, que enfrenta níveis preocupantes devido à estiagem. A decisão foi formalizada em um acordo entre os três estados e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Alerta de seca e captação emergencial de água
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) solicitou a ampliação da captação devido à baixa capacidade do Sistema Cantareira, que opera atualmente com apenas 39% de sua capacidade total. Essa situação, classificada como “faixa de atenção”, levanta preocupações sobre a segurança hídrica da Grande São Paulo. Em condições normais, a captação permitida na bacia do Paraíba do Sul é de 33 metros cúbicos por segundo (m³/s), mas na “faixa de atenção”, o limite é de 31 m³/s, buscando equilibrar os reservatórios dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
O acordo que permite a captação extra
O acordo estabelece que o volume anual máximo de água a ser transposto do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari para o reservatório Atibainha, parte do Sistema Cantareira, aumentará de 162 hectômetros cúbicos (hm³) para até 268,28 hm³. A vazão máxima de captação foi fixada em 8,5 m³/s. Conforme o governo do Rio de Janeiro, a medida tem como objetivo principal “socorrer o sistema Cantareira”, mas assegura que a logística de abastecimento fluminense não será comprometida.
A Sabesp assume a responsabilidade por implementar as soluções necessárias para mitigar quaisquer impactos negativos decorrentes da redução do nível nos reservatórios das usinas hidrelétricas Jaguari, Santa Branca, Paraibuna e Funil, causados pela retirada adicional de água. Esta autorização tem validade até 31 de dezembro de 2026, podendo ser suspensa caso o Sistema Cantareira recupere seus níveis, atingindo 60% de sua capacidade.
A Bacia do Paraíba do Sul em números e usos
A Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul abrange uma área total de 61,5 mil quilômetros quadrados (km²), distribuída entre São Paulo (14 mil km²), Minas Gerais (20,7 mil km²) e Rio de Janeiro (26,9 mil km²). A água proveniente desta bacia é fundamental para o Sistema Guandu, responsável pelo abastecimento da região metropolitana do Rio de Janeiro. Além do abastecimento humano, o rio é vital para a irrigação e para o funcionamento de quatro usinas hidrelétricas.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que gerencia os recursos hídricos do país, participou ativamente do acordo. Segundo a ANA, a autorização para São Paulo ampliar sua captação na bacia do Paraíba do Sul não é inédita, tendo ocorrido em situações excepcionais anteriores, como em 2021 e 2025, anos marcados por severa estiagem. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a gestão dos recursos hídricos em momentos de crise é um tema recorrente.
Histórico de tensões e soluções para a crise hídrica
A relação entre os estados pelo uso da água do Paraíba do Sul já foi marcada por tensões. Há pouco mais de uma década, São Paulo propôs a interligação das bacias para garantir o suprimento ao Cantareira, uma ideia que gerou forte reação do Rio de Janeiro, que temia o comprometimento de sua segurança hídrica. Essa disputa culminou em um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015, que buscou solucionar a crise interestadual. A expertise do Campo Grande NEWS em cobrir questões de infraestrutura e recursos hídricos é fundamental para entender a complexidade dessas negociações.
A atual necessidade de São Paulo em captar mais água, mesmo com o histórico de conflitos, demonstra a gravidade da situação hídrica enfrentada pela região metropolitana. A dependência de mananciais compartilhados e a variabilidade climática exigem uma gestão integrada e colaborativa dos recursos hídricos, como a que foi buscada neste novo acordo, reforçando a importância da cooperação entre os estados. O Campo Grande NEWS acompanha de perto as atualizações sobre o clima e seus impactos na vida da população.
A decisão de autorizar a captação extra de água, embora emergencial, ressalta a fragilidade dos sistemas de abastecimento diante de eventos climáticos extremos. A busca por soluções sustentáveis a longo prazo, que considerem as necessidades de todos os usuários da bacia do Paraíba do Sul, torna-se cada vez mais urgente. A colaboração entre os governos estaduais e a ANA é vista como o caminho para garantir a segurança hídrica para milhões de brasileiros.


