Nem mesmo a união de forças com a senadora Tereza Cristina (PP) foi suficiente para garantir a Marco Aurélio Santullo uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Candidato pela primeira vez a um cargo eletivo, Santullo disputou as eleições utilizando o nome “Santullo da Tereza” na urna, em uma tentativa de capitalizar o prestígio da senadora. No entanto, a estratégia não se traduziu em votos suficientes, e ele acabou como suplente, com 14.245 votos.
Santullo da Tereza fica fora da Assembleia Legislativa de MS
Apesar de ser estreante nas urnas, Marco Aurélio Santullo (PP) não conseguiu se eleger para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Ele obteve 14.245 votos, ficando na suplência. A aposta em associar seu nome ao da senadora Tereza Cristina, utilizando “Santullo da Tereza” na urna, não surtiu o efeito desejado para a conquista de uma cadeira. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, Santullo atribuiu o resultado à falta de votos e à vantagem de candidatos que já possuem mandato.
Estratégia de “Santullo da Tereza”: a aposta em um nome forte
A decisão de concorrer como “Santullo da Tereza” foi uma estratégia calculada, visando replicar o sucesso eleitoral da senadora Tereza Cristina, que obteve expressivos 829.149 votos na eleição para o Senado em 2022. A ideia era transferir parte dessa força eleitoral e o prestígio construído ao longo dos anos de parceria política entre os dois. Santullo reconheceu que o resultado ficou aquém das expectativas, mas avaliou que houve, de fato, alguma transferência de votos.
“Foi simplesmente falta de votos, fiz 14.245, a campanha foi bem tranquila, mas é uma opção do eleitor, achava que dava pra fazer um pouco mais”, declarou Santullo, admitindo que esperava um desempenho superior. Ele também ressaltou a dificuldade de competir com candidatos que já possuem mandato e, consequentemente, estruturas políticas e eleitorais mais consolidadas.
A vantagem dos “mandatos”: um desafio para novos candidatos
Santullo enfatizou que a disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul é marcada pela força das estruturas políticas já estabelecidas. “Se você olhar isso, você vê que as grandes estruturas daqui ganharam a eleição. Quem já tem mandato”, afirmou, indicando que a experiência e o tempo de serviço público de alguns concorrentes representaram um diferencial significativo.
Apesar de percorrer diversas regiões do estado durante a campanha, Santullo conduziu a disputa de forma serena. Contudo, ele reconheceu que a competição com nomes já conhecidos e com acesso a recursos e redes de apoio mais amplas tornou a conquista de uma vaga mais desafiadora. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa é uma percepção comum entre candidatos estreantes que buscam espaço no cenário político.
Trajetória de Santullo: experiência em Brasília e na administração pública
Embora fosse sua estreia nas urnas, Marco Aurélio Santullo possui uma vasta experiência no serviço público e na administração. Formado em Administração de Empresas e Ciências Políticas, sua carreira pública iniciou na Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul. Ele também atuou como assessor técnico legislativo na Câmara Federal e, em 2016, assumiu a Superintendência da Funasa.
Posteriormente, ocupou o cargo de diretor administrativo-financeiro da Anater por quatro anos. Mais recentemente, em março de 2024, assumiu a Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais da Prefeitura de Campo Grande. Essa bagagem administrativa e a proximidade com Tereza Cristina foram os pilares de sua primeira tentativa de converter sua experiência em um mandato eletivo.
Campanha movimentou mais de R$ 1 milhão
A campanha de Santullo movimentou mais de R$ 1 milhão em receitas, segundo a prestação de contas parcial apresentada ao TSE. Até 2 de outubro, o candidato declarou R$ 1,01 milhão em recursos captados e R$ 800 mil em despesas. A maior parte dos gastos, cerca de R$ 479 mil (60%), foi destinada à contratação de pessoal.
Outras despesas significativas incluíram publicidade por materiais impressos (R$ 129 mil), serviços advocatícios (R$ 60 mil), cessão ou locação de veículos (R$ 36 mil) e impulsionamento de conteúdos (R$ 29 mil). A estrutura financeira da campanha, embora robusta, não foi suficiente para garantir a vitória, como atestam os dados analisados pelo Campo Grande NEWS.
Apesar do resultado, Santullo sinalizou que pretende permanecer no Partido Progressista (PP). “Sou desapegado, tranquilo. Não tenho muito o que fazer”, afirmou ao comentar seus próximos passos após a eleição, indicando resignação com o desfecho da disputa.

