Santa Casa de Campo Grande: Milagres diários em meio a desafios

A frase “Deus está aqui” ecoa pelos corredores da Santa Casa de Campo Grande, a maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul. Em meio a um cenário de desafios e investigações, o hospital demonstra uma resiliência admirável, mantendo suas portas abertas e realizando o que muitos chamam de “pequenos milagres”. Desde transplantes que devolvem a esperança a pacientes em estado grave até o cuidado minucioso com recém-nascidos prematuros, a instituição se firma como um pilar de salvação.

Apesar de ter sido alvo de uma força-tarefa que investiga fraudes milionárias em contratos em setembro, a Santa Casa provou sua força na manhã de 21 de setembro, seguindo firme em sua missão de salvar vidas. Essa capacidade de superação é evidenciada pelas histórias de pacientes como Aparecido Vilalba, que reencontrou a saúde após um transplante de rim, e pelo trabalho contínuo de seu banco de sangue e UTI neonatal, como veremos a seguir.

Um exemplo tocante da dedicação da equipe é a história de Aparecido Gonçales Vilalba, de 58 anos. Após três anos e oito meses de hemodiálise, com viagens diárias de Antômino João para Ponta Porã, a esperança renasceu com a ligação de uma médica nefrologista, que informou sobre a disponibilidade de um rim. A viagem, antes penosa, transformou-se na “melhor viagem da vida” quando ele chegou à Santa Casa de Campo Grande, onde foi “muito bem atendido pela equipe”, relatou emocionado. Sua esposa, Ilza Vilalba, 69 anos, testemunhou a recuperação do marido, que voltou a ter força nas pernas e a caminhar.

A nefrologista Rafaella Campanholo Grandinete, que atua no hospital há uma década, destacou a importância do trabalho em equipe. “O procedimento do transplante envolve o hospital inteiro”, explicou. “É uma engrenagem que precisa rodar”, onde cada profissional, da recepção à equipe cirúrgica, desempenha um papel crucial. A satisfação em ver pacientes recuperando a qualidade de vida, saindo da hemodiálise e voltando a ter suas vidas, é o que move a equipe, superando as dificuldades financeiras e estruturais do hospital, conforme relatado ao Campo Grande NEWS.

O Poder da Solidariedade no Banco de Sangue

No Banco de Sangue da Santa Casa, a solidariedade se manifesta diariamente. O médico Pedro Santiago e Souza, 41 anos, é um exemplo, realizando doações quatro vezes ao ano. “Enquanto o corpo me permitir, estarei doando sangue”, afirma, sentindo a obrigação de ajudar diante da constante necessidade. O Dr. Tsutomu Fukuchi, 82 anos, que trabalha na Santa Casa há 25 anos, compartilha uma experiência marcante: uma senhora humilde que viajou de ônibus, com ajuda da vizinha, apenas para doar sangue, comovida por um apelo na televisão. “O que mais me comoveu nesses 25 anos foi o dia em que fui atender uma senhora simples”, contou ele, evidenciando a força do espírito humano.

O Banco de Sangue funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h, e as tipagens mais raras, como A negativo, B negativo e AB negativo, são sempre bem-vindas. A disponibilidade de sangue é fundamental para a realização de procedimentos complexos e para atender emergências, sustentando a capacidade de salvar vidas da Santa Casa.

Pequenos Gigantes: A UTI Neonatal e o Banco de Leite

Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, um dos mais emocionantes “milagres” da Santa Casa pesa apenas 600 gramas: o pequeno Noah. Nascido prematuramente com 22 semanas de gestação, ele segue em recuperação, recebendo nutrição essencial através do leite materno. Sua mãe, Vitória Yzabela Xavier, 20 anos, demonstra esperança e gratidão pelo cuidado recebido, apesar das dificuldades financeiras e da saudade dos outros filhos. Ela organiza rifas e busca ajuda para montar o enxoval do bebê, sonhando com o dia em que Noah irá para casa.

O Banco de Leite da Santa Casa, ativo há 24 anos, atende cerca de 70 crianças por mês, a maioria recém-nascidos prematuros. Isabella Tozzi, supervisora do Banco de Leite, explica que o serviço é vital para bebês que não podem receber fórmula infantil ou cujas mães não conseguem amamentar. A equipe busca ativamente doadoras, coleta o leite em domicílio, pasteuriza e realiza todos os exames necessários para garantir a segurança e a qualidade. Essa iniciativa, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, é um elo crucial na cadeia de cuidados intensivos neonatais.

Para se tornar uma doadora de leite, é preciso estar em boas condições de saúde, ter realizado os exames pré-natais e possuir leite excedente. O processo é simples e pode ser iniciado por telefone no número (67) 3322-4174 ou pelo WhatsApp (67) 98472-5256, facilitando o acesso e a participação da comunidade nesse ato de amor e solidariedade, como ressalta a cobertura do Campo Grande NEWS.

A Santa Casa de Campo Grande, apesar dos desafios, continua a ser um farol de esperança, impulsionada pela dedicação incansável de seus profissionais e pela generosidade da comunidade. Cada vida salva, cada recuperação, é um testemunho da força e da resiliência desta instituição fundamental para Mato Grosso do Sul.