Sanesul investe R$ 176 milhões em infraestrutura hídrica e lança 10 licitações para abastecer aldeias na Grande Dourados.
A Sanesul, empresa de saneamento de Mato Grosso do Sul, anunciou um plano ambicioso para garantir o abastecimento de água em comunidades indígenas da Grande Dourados. Serão lançadas dez licitações com o objetivo de construir novos sistemas de água, um investimento que surge como resposta direta aos problemas expostos durante a recente epidemia de chikungunya, que afetou severamente as aldeias.
A falta de água potável e o acesso irregular ao recurso foram apontados como fatores que contribuíram para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Diante desse cenário, a Sanesul busca agora uma solução definitiva para cerca de 25 mil habitantes dessas comunidades.
O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, detalhou os planos em um evento recente, enfatizando a magnitude do projeto. “Cada aldeia vai ter um superpoço. Nós estamos falando lá entre as duas aldeias de 25 mil habitantes. Seria o 14º ou 15º município do Estado”, explicou Marcílio, ressaltando a importância de tratar as aldeias como um município de médio porte em termos de infraestrutura.
Novos sistemas para Dourados e Itaporã
As três primeiras licitações estão previstas para serem publicadas em até 30 dias. Elas priorizarão a construção de superpoços para as aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, e a implantação de estruturas de abastecimento em aldeias na região de Itaporã. O projeto foi dimensionado para ser um sistema urbano de médio porte, com dois sistemas independentes para Dourados, cada um com um superpoço de alta vazão, rede de distribuição e um robusto sistema de reservação.
“Vamos ter muita reservação porque o poço não trabalha o dia inteiro. Ele trabalha durante um tempo, essa reserva fica armazenada e depois a gente distribui”, detalhou Renato Marcílio. Os poços planejados para Dourados serão significativamente mais profundos e com maior capacidade de vazão do que os sistemas convencionais da empresa. A iniciativa é comparada a construir toda a estrutura de abastecimento de água do zero para um município sem recursos hídricos.
Estratégia de licitações em etapas
A Sanesul optou por dividir as contratações em etapas para otimizar o cronograma. As duas licitações mais vultosas, referentes aos superpoços das aldeias de Dourados, ficarão sob responsabilidade do Governo do Estado. A terceira licitação, destinada ao sistema de abastecimento das aldeias de Itaporã, contará com recursos da Itaipu Binacional.
“Os poços exigem empresas mais especializadas, então a gente separou justamente para conseguir andar mais rápido. A ideia é soltar primeiro a água e depois o restante. Em seguida vêm as licitações da rede e da reservação de cada aldeia”, afirmou Marcílio. Após essa fase inicial, outras sete licitações serão abertas, todas financiadas pela Itaipu Binacional, para a implantação das redes de distribuição e reservatórios.
Obras devem começar ainda este ano
A previsão é que todas as dez licitações sejam concluídas e as obras iniciadas até o final deste ano. Segundo Renato Marcílio, a conclusão da primeira etapa de licitações deve levar cerca de 40 dias, com as demais sendo lançadas sequencialmente, duas ou três por mês. “Até o final do ano começamos todas as obras, com certeza”, declarou o diretor-presidente.
A ampliação dos sistemas hídricos nas comunidades indígenas ocorre em um momento crítico, após a epidemia de chikungunya ter evidenciado a precariedade do acesso à água. Moradores e lideranças indígenas relataram, conforme o Campo Grande NEWS checou, a necessidade de armazenamento improvisado de água, o que criou um ambiente propício para a reprodução do mosquito vetor da doença.
Em um evento anterior, Marcílio destacou que o Estado de Mato Grosso do Sul vive um novo ciclo de crescimento econômico, e que a infraestrutura hídrica precisa acompanhar a expansão populacional e industrial para evitar colapsos futuros nos sistemas. A Sanesul, como apontado pelo Campo Grande NEWS, tem um papel crucial nesse desenvolvimento, buscando soluções sustentáveis e eficientes para o abastecimento.
A iniciativa da Sanesul, como noticiado pelo Campo Grande NEWS, demonstra um compromisso em resolver problemas estruturais que afetam diretamente a saúde e a qualidade de vida das populações indígenas, alinhando investimentos em infraestrutura com as necessidades emergenciais de saúde pública.

