A situação precária da Rua Evelina Figueiredo Selingardi, no bairro Dom Antônio Barbosa, em Campo Grande, tem gerado revolta e prejuízos para moradores e comerciantes. Buracos gigantescos tomaram conta da via há mais de sete meses, transformando o trajeto em um verdadeiro desafio e, em muitos casos, em um perigo iminente. A falta de solução definitiva por parte do poder público tem agravado os transtornos, especialmente durante o período de chuvas, quando a visibilidade diminui e os riscos de acidentes se multiplicam. Conforme relatado ao Jornal Midiamax, a via já foi alvo de recapeamentos, mas os problemas insistem em retornar rapidamente, evidenciando a fragilidade das intervenções.
Buracos causam acidentes e afugentam clientes em Campo Grande
A comerciante Bruna Moreira, de 36 anos, é uma das que sente o impacto direto no bolso. Ela relata que a dificuldade de acesso à sua loja de utilidades levou os moradores a buscarem rotas alternativas, o que resultou em uma **queda significativa no fluxo de clientes**. “A situação prejudica diretamente os moradores e também o comércio”, afirma Bruna. Ela explica que o problema se agrava com o fluxo de água da parte alta do bairro, que contribui para o constante desgaste do asfalto.
“Com isso, fizeram uma ponte nova ali para cima e as pessoas pararam de passar por aqui e as vendas diminuíram”, lamenta a comerciante. Ela descreve o cotidiano de quem precisa passar pela rua como um **desafio diário**. “Na seca, os buracos dificultam o tráfego e, durante as chuvas, os riscos aumentam ainda mais porque os motociclistas não enxergam na lama e caem. Aqui tem acidente direto”, conta.
Bruna também alerta para os perigos noturnos e em dias chuvosos. “Os motoristas precisam parar ou desviar constantemente para conseguir andar aqui. Eu mesma já tive problemas para passar por aqui; é um perigo, principalmente à noite e em dias de chuva, quando a visibilidade fica prejudicada e novos buracos aparecem. Já vi várias pessoas que furaram os pneus, que acabaram tendo problemas com o carro; eu já tive”, revela.
Comerciantes relatam acidentes frequentes e prejuízos
Jefferson Ribeiro de Oliveira, proprietário de uma conveniência na mesma rua, compartilha a mesma preocupação. Desde que se mudou para a região em outubro do ano passado, ele já presenciou **três acidentes provocados pelos buracos**. “Os problemas com buracos na rua são antigos. A rua já passou por recapeamento algumas vezes, mas novos buracos voltam a surgir pouco tempo depois e a situação piora quando chove”, relata.
Ele descreve um buraco particularmente grande próximo a uma ponte, que tem sido palco de acidentes envolvendo motos e carros. “Os motoristas tentam desviar dos buracos e acabam causando colisões”, confessa Jefferson. Ele aponta que a falta de asfalto na parte mais alta do bairro contribui para o problema, com a lama descendo para a via asfaltada e acelerando a formação de novos buracos.
Apesar das reclamações constantes em grupos de moradores e dos esforços de alguns indivíduos ligados à política para encaminhar os pedidos à prefeitura, Jefferson afirma que **o problema persiste sem uma solução definitiva**. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação na Rua Evelina Figueiredo Selingardi é um reflexo do descaso com a infraestrutura local, impactando diretamente a vida de quem reside e trabalha na área.
Via se transforma em ‘rio de lama’ e causa transtornos para transporte público
A situação é tão alarmante que Ana Carolina, 25 anos, que se mudou recentemente para Campo Grande, se disse impressionada com o estado das ruas. Ela mora próximo dali, na Rua Cláudio Gilberto Boter, que, segundo ela, “a rua já virou um rio” e está quase impossível de passar. “Os buracos ocupam praticamente toda a via, dificultando completamente a passagem de veículos”, descreve.
A dificuldade é tão grande que os ônibus precisaram ter suas rotas alteradas. “Os ônibus nem passam mais lá na nossa rua, teve que alterar a rota porque é impossível”, conta Ana Carolina. Motoristas de aplicativo também evitam a região, aumentando o transtorno para os moradores. “Quando a gente pede, eles não vão, e quando trazem a gente para casa, fazem caminhos para desviar e chegar em casa”, relata.
Veículos já perderam placas ao passar pelos buracos, e comerciantes locais chegaram a recolher os objetos arrancados dos carros. Em dias de chuva, o cenário se agrava, com a água cobrindo os buracos e aumentando o risco de acidentes, especialmente para motociclistas. A equipe de reportagem buscou contato com a prefeitura de Campo Grande para obter informações sobre um plano de pavimentação na região.
Prefeitura anuncia obra de drenagem e pavimentação, mas contratação de nova empresa atrasa solução
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informou que, na região, está sendo executada uma obra de drenagem e pavimentação do Complexo Lageado. No entanto, a pasta esclareceu que a empresa que executava o projeto rescindiu o contrato.
Atualmente, a Sisep está **adotando os procedimentos administrativos legais para contratar outra empresa** e, assim, retomar as obras. A promessa de solução, contudo, esbarra na burocracia e na necessidade de novos trâmites, deixando os moradores e comerciantes da Rua Evelina Figueiredo Selingardi em um limbo de incerteza e insegurança. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a demora na resolução do problema tem gerado insatisfação generalizada na comunidade, que anseia por vias seguras e transitáveis.

