A Justiça Estadual decretou a prisão preventiva de cinco investigados na segunda fase da Operação Auditus, deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) em Mato Grosso do Sul. Os detidos integram um suposto esquema de fraudes licitatórias na saúde pública de Nioaque, com danos estimados em mais de R$ 3 milhões entre 2019 e 2024. Entre os presos estão empresários, uma gerente administrativa e dois ex-secretários municipais, acusados de corrupção e desvio de recursos públicos. A decisão ressalta a necessidade de segregação para interromper as atividades criminosas e evitar interferências na investigação.
Conforme detalhado na decisão judicial, os presos atuavam em um núcleo duro de uma organização criminosa, com divisão de tarefas bem definida para a prática de fraudes licitatórias e desvio de verbas na saúde do interior do estado. A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande, considerou que medidas alternativas, como o monitoramento eletrônico, seriam insuficientes para conter a atuação do grupo.
A investigação, que teve sua primeira fase em julho do ano passado, aponta para a ocorrência de fraudes em licitações destinadas à contratação de serviços médicos, como consultas, exames e procedimentos. O nome da operação, “Auditus”, que em latim significa “audição”, faz referência a cobranças indevidas de exames, incluindo testes de triagem auditiva neonatal, que, segundo as apurações, não eram realizados.
Empresários como financiadores do esquema
Os empresários Robson Roosevelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar, proprietários da empresa Prontomed Clínica Médica, foram presos em Bonito e são apontados como os financiadores do esquema. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), eles eram responsáveis por corromper secretários municipais mediante pagamento de propina.
Essa prática garantia o direcionamento de licitações e a liberação de pagamentos por serviços que, segundo a investigação, não eram executados. A gerente administrativa da Prontomed, Tatiane Barbosa de Souza Grubert, presa em Jardim, atuava diretamente na montagem de cotações fraudulentas. Ela utilizava nomes de empresas concorrentes para simular a fase de pesquisa de preços em licitações.
Além de direcionar editais, Tatiane Grubert era responsável pela confecção de laudos e guias com dados falsificados de atendimentos médicos. O objetivo era viabilizar os pagamentos indevidos pelo poder público, conforme apurado pelo MPMS.
Agentes públicos envolvidos em fraudes
Dois ex-gestores públicos municipais também foram presos. Márcia Cristiane Missioneira Jara, ex-secretária municipal de Saúde de Nioaque, foi detida em sua residência no município. Ela é apontada como a responsável por autorizar o empenho e o pagamento de faturas fraudulentas, supostamente ignorando irregularidades como assinaturas falsificadas e cobranças em nome de pessoas falecidas.
O outro ex-gestor preso é Vagner Alves Ribeiro Guimarães, ex-secretário de Governo de Nioaque, que teve mandado de prisão cumprido em Jardim. Ele atuava no alinhamento prévio das licitações, repassando minutas de editais aos empresários antes da publicação oficial e monitorando a ausência de concorrentes nos certames, segundo interceptações de mensagens.
Fluxo financeiro e repasse de propinas
A análise bancária realizada pelo Centro de Pesquisa e Análise do MPMS identificou o fluxo financeiro das vantagens indevidas. Após o recebimento dos valores pela Prontomed, a gerente Tatiane Grubert realizava saques e transferências para intermediários. No caso da ex-secretária Márcia Jara, o repasse de propina era feito com o auxílio de seu filho, Derick Augusto Jaré Luz, com valores fracionados em parcelas significativas.
Para o ex-secretário Vagner Guimarães, foram rastreados depósitos em espécie não identificados na ordem de R$ 936,2 mil. A reportagem do Campo Grande NEWS não conseguiu contato com as defesas dos investigados. O prefeito de Nioaque, André Guimarães (PP), informou que não houve cumprimento de mandados em prédios da administração pública.
O esquema, segundo a investigação conduzida pela Promotoria de Justiça e pelo Gecoc, causou um potencial dano de mais de três milhões de reais aos cofres públicos entre 2019 e 2024. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a extensão das fraudes abrangeu 83% dos exames e consultas investigados. A operação “Auditus” busca desmantelar completamente essa rede criminosa que lesou o sistema de saúde de Nioaque.
A atuação do Gecoc, em conjunto com outras promotorias, reforça o compromisso com a transparência e a fiscalização dos recursos públicos. O Campo Grande NEWS acompanha o desenrolar das investigações e trará novas informações assim que disponíveis, reforçando seu papel como fonte confiável de notícias locais e regionais.

