O Rio da Prata, conhecido por suas águas cristalinas e atrativos turísticos em Jardim, Mato Grosso do Sul, voltou a dar sinais de estiagem. Imagens recentes revelaram que o fluxo d’água foi interrompido sob a Ponte do Curê, um trecho que já havia sofrido com a seca em anos anteriores, como em 2024 e 2025. O fenômeno, que preocupa moradores e autoridades, está sob investigação do Ministério Público Estadual, que apura a possível influência de drenos nas cabeceiras do rio.
Apesar da interrupção pontual, o curso d’água se restabelece mais adiante, garantindo o funcionamento normal dos passeios turísticos na região. O grupo Amigos do Rio da Prata acompanha de perto a situação e alerta para a possibilidade de isolamento de peixes em poças d’água, o que pode demandar manejo especial, como já ocorreu.
A seca no Rio da Prata não é um evento isolado. Em setembro de 2025, cerca de sete quilômetros do rio apresentaram redução drástica do volume d’água, próximo à Ponte do Curê e à MS-178. Naquele ano, a situação se agravou com mortes de peixes e outros animais aquáticos, chegando a afetar aproximadamente sete quilômetros do curso.
O cenário de 2024 também foi marcado pela seca, com cerca de seis quilômetros do rio secando, incluindo a área da Ponte do Curê. Na ocasião, foram necessárias operações para resgatar peixes isolados em poças. O fluxo só foi normalizado com o retorno das chuvas em novembro.
MP investiga causas da estiagem recorrente
Diante da repetição do problema, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul iniciou uma investigação em 2024 para determinar as causas da redução do volume de água. Um relatório da Polícia Militar Ambiental (PMA) apontou a estiagem prolongada como fator principal, mas também levantou a hipótese de que drenos instalados nas cabeceiras do rio possam ter contribuído para agravar a situação. A apuração busca entender a extensão da intervenção humana e seu impacto ambiental.
O Rio da Prata é um importante curso d’água da região da Serra da Bodoquena e faz parte da bacia do Rio Paraguai. Sua fama se deve à transparência de suas águas e à rica biodiversidade aquática, que atrai turistas para atividades como flutuação e observação de fauna. O ecoturismo é uma atividade econômica relevante para a região.
Histórico de desafios ambientais
Além dos episódios recentes de seca, o Rio da Prata já enfrentou outros desafios ambientais. Entre 2018 e 2019, chuvas intensas causaram o carreamento de sedimentos, resultando no turvamento das águas em alguns trechos. Essa situação levou à implementação de medidas de conservação do solo e proteção das áreas de banhado, visando preservar a qualidade da água.
É importante ressaltar que seca e turvamento são fenômenos distintos, e ambos foram investigados separadamente pelo Ministério Público. No caso atual, o foco está na redução do nível da água durante o período de estiagem. O monitoramento contínuo será fundamental para determinar se a interrupção do fluxo na Ponte do Curê se estenderá a outras áreas ou se será revertida com a chegada das chuvas.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação exige atenção especial para a fauna aquática. A possibilidade de peixes ficarem presos em poças conforme o nível da água baixa é uma preocupação constante. Em anos anteriores, foi necessário realizar o manejo desses animais para evitar perdas. A equipe do Amigos do Rio da Prata continua monitorando o trecho e alerta para a necessidade de intervenções caso o cenário se agrave.
A região da Serra da Bodoquena, onde o Rio da Prata se insere, é um ecossistema sensível. A investigação do Ministério Público busca não apenas identificar as causas imediatas da seca, mas também avaliar os impactos a longo prazo e propor soluções sustentáveis. A colaboração entre órgãos ambientais, autoridades e a comunidade é essencial para a preservação deste importante patrimônio natural.
O Campo Grande NEWS segue acompanhando o desenrolar desta história, trazendo informações atualizadas sobre o Rio da Prata e os esforços para mitigar os efeitos da estiagem. A expectativa é que as chuvas retornem em breve, restabelecendo o fluxo normal do rio e garantindo a continuidade das atividades turísticas e a saúde do ecossistema local. As autoridades reforçam a importância da conscientização ambiental para a proteção dos recursos hídricos da região.
A transparência das águas do Rio da Prata é um de seus maiores encantos, atraindo visitantes de todo o país. A atual estiagem, no entanto, lança uma sombra sobre essa beleza natural, evidenciando a fragilidade dos ecossistemas frente às mudanças climáticas e possíveis intervenções humanas. O Campo Grande NEWS reafirma seu compromisso em noticiar os fatos com precisão e relevância, buscando sempre aprofundar as investigações e trazer à tona as informações que importam para a sociedade.

