Revoada Cultural toma o Centro de Campo Grande com arte diversa e 24h de programação

A arte tomou conta do Centro de Campo Grande neste sábado, 30 de março, com a primeira edição da Revoada Cultural. A Rua Maracaju, no cruzamento com a 14 de Julho, se transformou em um vibrante corredor de cultura, reunindo música, dança, teatro, feiras e muita interação. O evento, que propõe democratizar o acesso à arte e oferecer programação gratuita, busca devolver o movimento e a diversidade para a região central da cidade.

Revoada Cultural: um convite à diversidade no coração de Campo Grande

Criada com o objetivo de congregar diferentes expressões culturais em um único espaço, a Revoada Cultural nasceu da proposta de democratizar o acesso à arte e levar programação gratuita à população. A ideia central é transformar as ruas em verdadeiros espaços de convivência, aproximando artistas locais do público e incentivando o uso do Centro como local de lazer e entretenimento. O evento se destacou por oferecer uma programação intensa e diversificada.

Carlos Porto, um dos organizadores do evento, destacou que a primeira edição contou com 24 horas de atividades culturais ininterruptas. A programação teve início às 13h de sábado e seguiu até a meia-noite de domingo, apresentando atrações que transitaram por diversos gêneros e manifestações artísticas, desde teatro e dança até rock, rap, sertanejo e expressões populares. Essa diversidade foi um dos pontos altos.

“São atividades diversas e a diversidade da cultura brasileira apresentada nos palcos. A oportunidade que as pessoas têm de ter acesso, nós estamos falando de acesso”, afirmou Porto. Conforme ele, cerca de 90% das atrações são formadas por artistas de Mato Grosso do Sul, o que reforça o compromisso do evento em valorizar e dar visibilidade aos talentos locais. Para Porto, além do entretenimento, a Revoada Cultural movimenta a economia criativa da cidade.

Um palco para a arte e a economia criativa florescerem

“Gera emprego, renda, lazer, entretenimento e, acima de tudo, conhecimento através da arte e da cultura”, ressaltou o organizador. A inspiração para o projeto veio da ideia de devolver vida às ruas centrais da Capital através da cultura, promovendo o encontro entre diferentes públicos e fortalecendo artistas independentes. Nesta edição, mais de 40 atrações gratuitas passaram pelos palcos espalhados pela região central, conforme apurou o Campo Grande NEWS.

O público presente aprovou a mistura de estilos, tribos e gerações. A estudante Rafaeli Fonseca, de 20 anos, expressou sua satisfação com a iniciativa. “Eu acho que é uma ação que promove a gente ocupar espaços em Campo Grande e principalmente aqui no Centro da cidade. Todo mundo pode compartilhar um pouco da sua história, da sua cultura, das músicas e da sua arte”, comentou.

Ela também ressaltou a importância da troca entre diferentes públicos: “A gente se constitui a partir da troca com o outro. O mundo já é tão sério, então um pouco de diversão também é muito bom”. Essa perspectiva de união e troca foi um sentimento compartilhado por muitos dos participantes, que viram na Revoada Cultural uma oportunidade única de vivenciar a arte em sua plenitude.

Hip-hop ganha voz e visibilidade além do sertanejo

Entre os nomes da cena urbana presentes no evento estava o MC Raniel, conhecido nas batalhas como Manucity. Ele destacou que espaços como a Revoada ajudam a fortalecer o hip-hop e abrir portas para novos artistas. “Por muito tempo foi muito difícil. Mas graças a algumas ações de pessoas específicas do nosso meio a gente conseguiu trazer muita coisa boa”, disse.

Raniel também celebrou a presença da Batalha Delas dentro da programação. “É a primeira vez que tem uma batalha só de mulheres e isso é muito legal”, afirmou. Para ele, a ocupação cultural ajuda a mostrar uma Campo Grande que vai além do sertanejo. “Tem muito hip-hop aqui na cidade. Tem muito artista bom no rap e no trap que ninguém conhece”, finalizou, ecoando o desejo de maior reconhecimento para a cena local, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Ao longo da noite, o cruzamento da Maracaju com a 14 de Julho se tornou um ponto de encontro vibrante de skatistas, artistas, coletivos culturais, famílias e jovens. Eles circularam pelas apresentações, rodas de conversa, batalhas de rima e feiras criativas, demonstrando a força da união cultural. No palco, letras sobre resistência, desigualdade social e periferia dividiram espaço com música regional, performances e manifestações culturais diversas.

Sucesso da estreia já projeta futuras edições

O sucesso da primeira edição da Revoada Cultural já motivou a organização a planejar os próximos passos. Segundo Carlos Porto, a expectativa é realizar uma nova edição do evento em 2027. “Já estamos trabalhando para a segunda edição. Isso já demonstra que foi um sucesso”, afirmou, sinalizando que a Revoada Cultural veio para ficar e se consolidar como um marco cultural na cidade, um fato que o Campo Grande NEWS acompanhou de perto.

A programação do domingo, 31 de março, incluiu apresentações como a Orquestra UFMS, Marcelus e Marcela, Lara Árabe com Kpop, DJ Lady Afro, Ana Lua e Pedro Espíndola, Kalu, Coletivo Soul Art, Roda de Samba da Revoada, Karla Coronel, Forró Flor de Pequi com Rolê da Dança, Beget de Lucena, Gabriel Noah e Corvo e os Malditos do Cerrado, garantindo um fim de semana repleto de arte e cultura para todos os públicos.