Réu por feminicídio alega que vítima cometeu suicídio e nega pornografia

Em seu primeiro depoimento à Justiça, Gilberto Jarson, acusado de feminicídio contra a subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, negou ter efetuado o disparo que a matou. Ele atribuiu a morte à depressão, dívidas e solidão da vítima, sustentando a tese de suicídio. Em relação às acusações de armazenamento de pornografia infantil, Gilberto alegou diversas vezes não saber ler nem escrever, justificando seu desconhecimento sobre as provas reunidas pela investigação. O depoimento foi prestado na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Gilberto afirmou que Marlene enfrentava problemas emocionais há meses, com histórico de tratamento psiquiátrico e uso de medicamentos controlados. Segundo ele, o casamento dos filhos teria agravado a tristeza e a sensação de solidão da policial. O acusado relatou que a vítima reclamava do trabalho, enfrentava dificuldades financeiras e havia feito empréstimos que a deixaram endividada. Ele também mencionou que Marlene falava frequentemente em tirar a própria vida, chegando a relatar que tomou um isqueiro dela para evitar um possível ato.

O réu disse que tentou convencer a companheira a buscar ajuda médica, mas as ameaças de suicídio teriam persistido. Ao reconstruir os fatos que antecederam a morte, Gilberto contou que havia decidido deixar a residência onde moravam, o que, segundo ele, provocou uma reação de Marlene. “Ela falou que, se eu fosse embora, ela ia fazer aquilo que estava prometendo fazia tempo”, declarou.

Na audiência, Gilberto voltou a negar que tenha disparado contra a subtenente. Sua versão é que encontrou Marlene armada dentro da residência e tentou impedi-la de atirar. “Quando eu vi, ela estava com o revólver. Corri para tirar da mão dela. Aí aconteceu o disparo”, afirmou, emocionado, dizendo que a companheira morreu em seus braços.

Acusações de pornografia infantil e alegação de analfabetismo

Além da acusação de feminicídio, Gilberto Jarson também responde por armazenamento de pornografia infantil. Ao ser questionado sobre as imagens encontradas em seu celular, o réu alegou desconhecimento, afirmando repetidamente que não sabe ler nem escrever. Essa justificativa foi utilizada para explicar sua suposta falta de habilidade em utilizar diversas funções do aparelho, bem como para responder sobre documentos e mensagens citadas durante a audiência.

Defesa busca reforçar tese de suicídio

Após o depoimento, o advogado de defesa, Jeferson Soares, considerou o resultado da audiência positivo para a sustentação da tese de suicídio. Ele destacou o depoimento de uma testemunha da defesa, irmã de Gilberto e proprietária de um salão de beleza frequentado pela subtenente, que relatou que Marlene comentava sobre tratamento psiquiátrico e uso de medicamentos. “A expectativa é bem positiva, pelo fato que uma das testemunhas da defesa relatou que ela realmente tinha depressão e estava fazendo tratamento”, afirmou o defensor.

A defesa pretende pedir perícia em aparelhos eletrônicos na tentativa de recuperar conteúdos que, segundo a versão de Gilberto, poderiam reforçar a tese de suicídio. Sobre as imagens de pornografia infantil, o advogado informou que, de acordo com os autos, seriam conteúdos retirados da internet e não algo que o acusado teria trocado com menores. O Campo Grande NEWS apurou que este ponto será explorado nas alegações finais.

Relembre o caso

A morte da subtenente Marlene de Brito Rodrigues ocorreu em abril deste ano, em Campo Grande. Ela foi encontrada morta com um tiro no pescoço dentro da residência onde vivia com Gilberto. No dia do crime, o acusado apresentou versões contraditórias sobre os fatos, inicialmente negando ter presenciado o disparo e depois afirmando que tentou impedir que a companheira atirasse contra si mesma. A Polícia Civil concluiu pelo feminicídio, e Gilberto segue preso preventivamente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, esta foi a segunda audiência do processo, que apura a morte de uma das pioneiras da Polícia Militar feminina em Mato Grosso do Sul.

Em caso de necessidade de apoio emocional, o GAV (Grupo Amor Vida) oferece atendimento gratuito em Campo Grande pelo telefone 0800 750 5554. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo 188. Em situações emergenciais, acione a Polícia Militar pelo 190 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. A Central 180 funciona 24 horas e recebe denúncias de violência contra mulheres de forma anônima.