Restaurantes em Campo Grande improvisam com banho-maria e fiado após temporal

A força da natureza deixou um rastro de destruição em Campo Grande após o temporal da última quinta-feira (10). Bairros inteiros ficaram sem energia elétrica, afetando diretamente o funcionamento de diversos estabelecimentos comerciais, especialmente restaurantes. Diante do cenário de incerteza e do risco de perdas significativas, donos de estabelecimentos precisaram usar a criatividade e a solidariedade para manterem seus negócios de pé.

Soluções como o uso de banho-maria para manter pratos quentes, a prática da venda fiada e a ajuda de amigos e parceiros se tornaram o cardápio de muitos empreendedores. A falta de energia não compromete apenas a refrigeração de alimentos, mas também a operação de máquinas de cartão e sistemas de entrega por aplicativo, forçando uma adaptação drástica no dia a dia dos negócios.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, uma churrascaria na Avenida Afonso Pena estima um prejuízo de até R$ 30 mil se a energia demorar a ser restabelecida. Em outro ponto da cidade, no bairro Santa Maria, um restaurante teve o telhado arrancado pelo vento, com danos orçados em R$ 12 mil apenas na estrutura da cobertura. A situação se repete em pequenos negócios, onde a criatividade se torna a principal aliada.

Buffet no escuro e fiado no cardápio

Em uma churrascaria e buffet localizado na Avenida Afonso Pena, a falta de energia elétrica desde o temporal impôs uma operação totalmente “manual”. Sem luz para manter a mesa de saladas refrigerada, a solução encontrada foi servir apenas pratos quentes, aquecidos em fogões a gás no sistema de banho-maria. Refrigerantes e cervejas que estavam nos freezers desligados acabaram esquentando.

A ausência de internet também paralisou os atendimentos por aplicativos de entrega e impediu o uso das máquinas de cartão. A alternativa foi o bom e velho caderno para anotações e o pagamento em dinheiro vivo. A incerteza sobre o retorno da energia elétrica também travou o planejamento de compras, como relata Caroline, uma das responsáveis pelo estabelecimento.

“Hoje a gente acabou nem fazendo o Ceasa, porque como tem que guardar, como vamos guardar esses produtos? No caso, essa compra de hoje seria para o final de semana, mas como vamos manter esses alimentos para os próximos dias?”, questiona Caroline, evidenciando a dificuldade em gerenciar o estoque sem refrigeração adequada.

Estrutura danificada e solidariedade em ação

Já em um restaurante especializado em frango caipira no bairro Santa Maria, os ventos fortes causaram destruição estrutural. As rajadas arrancaram todo o telhado do prédio, gerando um prejuízo estimado em R$ 12 mil somente com a cobertura. Além disso, equipamentos como computadores foram danificados e mesas quebraram.

“Foi aquele caos, coisa de filme mesmo. Saiu todo o telhado do restaurante, acabou a energia, queimou computador, quebrou mesa. Isso porque ainda nem checamos todos os freezers”, relata Douglas Moraes, filho dos proprietários. Sem gerador e com a fiação exposta, a equipe protegeu freezers e equipamentos com sacos de lixo.

Para salvar o estoque de carnes, Douglas recorreu à solidariedade de parceiros. Ele carregou os alimentos em sua caminhonete e os distribuiu para serem guardados nos freezers de restaurantes amigos na região. O que já estava pronto para o almoço do dia foi consumido pelos próprios funcionários para evitar o desperdício. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os pais de Douglas, que estavam de férias, anteciparam o voo de volta para liderar os esforços de reconstrução e mapeamento dos estragos.

Venda fiada como último recurso

A situação se repetiu em pequenos negócios. No bairro Vila Eliane, a cozinheira Elena Marquelozo, proprietária de um restaurante de comida caseira, encontrou na venda fiada a única alternativa para evitar o descarte total dos alimentos que começaram a descongelar nos freezers.

“Vendi muito pouco hoje, nem águas e nem bebidas. Nem máquina de cartão usei e vendi muito fiado, porque não tem como carregar as máquinas. Os alimentos estão na geladeira, descongelando tudo”, desabafa a comerciante, ilustrando a gravidade da situação para os pequenos empreendedores.

A resiliência e a capacidade de adaptação dos comerciantes de Campo Grande foram colocadas à prova. As soluções improvisadas, embora temporárias, demonstram a força do empreendedorismo local diante de adversidades climáticas inesperadas. A expectativa agora é pela rápida normalização do fornecimento de energia para que os negócios possam retomar suas atividades plenamente. O Campo Grande NEWS continua acompanhando os desdobramentos e os impactos do temporal na cidade.