Acabar com o risco de queda de árvores em Campo Grande pode se tornar um pesadelo financeiro para os moradores. Apesar de uma lei federal que permite a remoção em casos de risco, o custo para resolver o problema por conta própria pode atingir a impressionante marca de R$ 12 mil. A espera pela liberação do serviço público se arrasta por meses, e em alguns casos, anos, levando cidadãos a considerar a solução particular diante da urgência e do perigo iminente.
Lei de Remoção de Árvores: Liberdade com Alto Custo
Desde dezembro do ano passado, a Lei nº 15.299 alterou a legislação ambiental, permitindo que cidadãos realizem podas ou cortes em áreas públicas ou privadas quando houver risco de acidentes. A condição é que o órgão ambiental competente não se manifeste em até 45 dias após o pedido. Caso o prazo se esgote sem resposta, o morador está autorizado a executar o serviço, desde que apresente um laudo técnico emitido por profissional ou empresa habilitada.
No entanto, a agilidade prometida pela nova legislação esbarra na realidade dos altos custos. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a remoção de árvores em Campo Grande pode pesar significativamente no bolso do cidadão. A variação no preço é grande e depende de diversos fatores, como a complexidade do serviço, a localização exata da árvore e seu porte.
Profissionais do setor apontam que a falta de uma regulamentação clara para a nova lei federal é um dos entraves. Shin Ro Rezende, sanitarista ambiental da empresa Locker, especializada em serviços mecanizados, explica que os custos podem variar enormemente. “A remoção varia de R$ 1 mil a R$ 10 mil. Às vezes é uma área crítica perto de poste ou fiação”, detalha.
Situações mais complexas, que exigem o uso de equipamentos especiais como guindastes e escavadeiras, ou que envolvem a proximidade com redes elétricas, tendem a elevar o valor final. “Árvores grandes podem exigir munck, guindaste e até escavadeira. Fora a destinação do material, que envolve carregamento mecanizado e envio para aterro com emissão de certificado”, afirma Rezende.
A burocracia aumenta quando a árvore está próxima da rede elétrica. “É preciso comunicar a Energisa e a Agetran. É trabalhoso”, comenta o especialista. Ele também menciona que em áreas com vegetação mais densa, como a leucena, o preço pode ser calculado por hectare ou metro quadrado, adaptando-se à extensão da área a ser tratada.
Falta de Regulamentação e Preços Elevados
Rezende reforça a dificuldade imposta pela ausência de normas detalhadas. “Não existe uma regulamentação detalhada, nem um termo de referência de como fazer o estudo ou levantamento. Isso também gera custo elevado”, pontua. Essa incerteza regulatória contribui para a imprevisibilidade e o aumento dos gastos para os moradores que buscam a solução particular.
Cacildo Salina, profissional com 20 anos de experiência em trabalho em altura, corrobora que o preço é diretamente influenciado pelas condições da árvore e do local. “Depende de como a árvore está condicionada, o tamanho e riscos. Eu cobro o volume. Uma árvore pode ser centenária, mas estar em um terreno aberto. Se estiver perto de fiação elétrica, muro, residência, piscina, talvez uma árvore pequena sai o mesmo custo de uma árvore centenária”, explica.
Salina estima que os valores cobrados por seu serviço geralmente variam entre R$ 800 e R$ 12 mil, dependendo da necessidade de equipamentos como guindaste, munck e técnicas de alpinismo. A complexidade de uma remoção completa, que exigiria um espaço livre equivalente a 2,5 vezes a altura da árvore, raramente é viável em áreas urbanas densas. “Geralmente, não tem esse espaço. Tem que subir e cortar aos poucos. Cada uma é um estudo, geralmente precisa tirar por parte”, completa.
Espécies de grande porte, como seringueiras, mangueiras e ipês, que podem atingir até 20 metros de altura, estão entre as mais caras para remoção. O especialista observa ainda uma mudança no comportamento da população: “Os pedidos de remoção diminuíram nos últimos dois anos. Hoje tem mais podas do que cortes”, relata.
Salina alerta para a importância da segurança na contratação. “Precisa de treinamento. A pessoa que vai contratar não se preocupa com isso, se preocupa com preço”, conclui, enfatizando o risco de negligenciar a qualificação dos profissionais em busca de economia.
Procedimentos em Campo Grande
Em Campo Grande, a remoção de árvores requer autorização prévia da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur). A vistoria e a emissão de um laudo técnico são obrigatórias para determinar a necessidade do serviço. Conforme o Campo Grande NEWS checou, antes da lei federal, a demora na autorização e execução já era um problema, e o morador não podia intervir.
O pedido de autorização pode ser formalizado pelo CAC (Central de Atendimento ao Cidadão) ou pelo telefone 156. Em situações de emergência com risco iminente, o Corpo de Bombeiros Militar ou a Defesa Civil podem ser acionados, mas a atuação ainda segue critérios técnicos e exige avaliação ambiental posterior. A reportagem do Campo Grande NEWS buscou contato com a Prefeitura de Campo Grande e aguarda retorno para mais detalhes sobre a regulamentação local da nova lei.

