O início das obras de recapeamento nas sete regiões de Campo Grande está condicionado à melhora da situação dos buracos nas vias. Segundo André Moura Brandão, titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), os contratos para o recapeamento já foram licitados, mas a execução só poderá começar após a estabilização da operação tapa-buraco. A declaração foi feita nesta terça-feira (20), em meio a questionamentos sobre a manutenção das ruas da capital.
Sisep: Recapeamento depende de tapa-buraco
André Moura Brandão esteve na Câmara Municipal para prestar esclarecimentos sobre a situação das ruas, atendendo a uma convocação de vereadores. A sessão, no entanto, foi encerrada abruptamente devido a um tumulto gerado durante um protesto contra os buracos. Após a confusão, o secretário reuniu-se com os parlamentares em caráter reservado.
Em entrevista ao Campo Grande NEWS, Brandão reconheceu a complexidade do cenário atual em todas as sete regiões da cidade. Ele detalhou que aproximadamente 1,7 mil quilômetros da malha asfáltica de Campo Grande possuem mais de 30 anos de idade, o que contribui significativamente para o desgaste e o surgimento de buracos.
“Temos cerca de 1.700 quilômetros de malha asfáltica com mais de 30 anos. Precisamos, agora, de um trabalho efetivo de tapa-buracos e, na sequência, entrar com o recapeamento”, declarou o secretário. Ele explicou que a prefeita Adriane Lopes propôs um projeto de recapeamento no início do ano, mas a execução seguirá uma ordem de prioridade, priorizando os reparos pontuais antes da renovação completa do pavimento.
“Já temos contratos licitados para as sete regiões de Campo Grande para que, após a estabilização da operação tapa-buracos, possamos iniciar também as frentes de recapeamento”, afirmou Brandão. Ele informou que duas equipes de tapa-buraco estão empenhadas em atender às reclamações e estabilizar a situação nas sete regiões. Contudo, o secretário não forneceu detalhes sobre a distribuição dessas equipes nem um prazo estimado para a conclusão dessa etapa inicial.
Desgaste histórico e CPI em andamento
O titular da Sisep atribuiu parte do problema ao desgaste acumulado das vias ao longo dos anos, ressaltando que os problemas atuais não são recentes. A convocação do secretário ocorreu em um momento em que vereadores buscam coletar assinaturas para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades em contratos e na execução dos serviços de tapa-buraco.
Brandão declarou que respeita a iniciativa da CPI e que se colocará à disposição para fornecer todos os esclarecimentos necessários. Ele mencionou uma auditoria municipal e a atuação do Ministério Público na Sisep, além da Operação Buraco Sem Fim, que, segundo ele, resultou na prisão de servidores em maio. “Vejo que a CPI vem para colaborar nessa mesma linha. Nós respeitamos e estaremos à disposição para esclarecer toda essa situação”, disse.
Anteriormente ao tumulto, o presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy, sinalizou que pretendia questionar o vencimento de contratos sem novas licitações e o esgotamento de saldos orçamentários destinados aos serviços. Na visão do vereador, falhas na gestão das contratações agravaram o estado das ruas da cidade.
Protesto e encerramento da sessão
A sessão foi interrompida por uma confusão envolvendo uma placa de isopor que simulava um buraco no asfalto, levada por um comerciante. Um homem identificado como Antônio de Jesus, o Charupá, quebrou o material e foi retirado do plenário por seguranças. Sobre o incidente, Brandão afirmou que o Executivo tomará as providências cabíveis, sem especificar quais. Ele reiterou sua disponibilidade para retornar à Câmara sempre que for convocado.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a situação das ruas tem gerado insatisfação entre os moradores da capital. A reportagem do Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta questão, buscando trazer informações atualizadas sobre os planos da prefeitura e o andamento das obras emergenciais e de recapeamento.

