A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e representantes do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) chegaram a um acordo para uma nova proposta de pagamento do reajuste de 5,4% do piso salarial dos professores da Rede Municipal de Ensino (Reme). A decisão foi tomada após mais de duas horas de reunião fechada nesta sexta-feira (10).
A nova proposta será formalizada pelo Executivo municipal e apresentada aos professores em assembleia geral, agendada para a próxima segunda-feira, dia 13. A expectativa é de que este encontro defina os próximos passos para a resolução do impasse que se arrasta há meses.
Além da questão salarial, a prefeitura também acenou positivamente para outras reivindicações importantes apresentadas pela categoria. Entre elas, destacam-se a publicação da tabela salarial atualizada e a criação de uma comissão permanente para acompanhar as ações e investimentos na área da educação. Tais medidas visam aumentar a transparência e o diálogo entre o poder público e os educadores.
Nova Proposta Salarial em Detalhes
Apesar de os detalhes específicos da nova proposta, como os percentuais exatos e o cronograma de pagamento, ainda não terem sido divulgados oficialmente, o Executivo confirmou ao Campo Grande NEWS que a oferta anterior foi reformulada. A proposta original, que previa o parcelamento dos 5,4% em três etapas (1,7% em setembro, 1,7% em dezembro e 2% em janeiro de 2027), além de postergar a discussão sobre os 3% previstos para setembro para janeiro de 2027, foi rejeitada pela categoria em assembleia na última terça-feira (7).
O presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, informou que a nova proposta do Executivo para os 5,4% de reposição do piso de 2026 permanece dividida em três parcelas, mas com um calendário a ser discutido. A expectativa do sindicato, no entanto, continua sendo o pagamento integral do reajuste ainda em 2026, um ponto crucial para os professores.
Outras Conquistas para a Educação
A reunião desta sexta-feira também selou o compromisso da prefeitura em atender a outras três importantes demandas do sindicato. Conforme relatado por Gilvano Bronzoni, a prefeitura concordou em publicar a tabela salarial, o que trará maior clareza sobre a remuneração dos profissionais. Outra conquista foi a instituição de um calendário permanente de reuniões mensais.
Esses encontros periódicos terão como objetivo o acompanhamento das contas e dos investimentos realizados na educação municipal. Além disso, os 3% previstos para setembro deste ano serão incluídos em um cronograma de discussão a partir de janeiro de 2027. A formação de uma comissão permanente de acompanhamento da educação, com participação da prefeitura, do sindicato e da Câmara Municipal, foi outra definição importante do encontro.
Impacto Financeiro e Negociações Futuras
O secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, confirmou que o impacto financeiro total do acordo, caso seja integralmente implementado, pode ultrapassar os R$ 100 milhões em 2027. Ele ressaltou a necessidade de responsabilidade fiscal para equilibrar as contas do município, uma vez que educação e saúde já consomem a maior parte da arrecadação.
Rocha assegurou que a prefeitura não discute demissões, mas admitiu que serão necessárias adequações administrativas para acomodar o aumento das despesas. “Existem algumas adequações administrativas que nós vamos ter que fazer, mas no pedagógico não”, declarou. A nova proposta será encaminhada à ACP ainda nesta sexta-feira, mas seu conteúdo permanecerá em sigilo até a análise dos professores em assembleia.
Histórico do Impasse
A negociação entre a prefeitura e a ACP tem sido marcada por intensos debates e paralisações. A categoria reivindica a aplicação integral da política do Piso 20h, o que levou a uma greve e caminhada pelas ruas centrais de Campo Grande em 12 de junho. Desde então, seis reuniões foram realizadas sem um consenso definitivo. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto as movimentações, que culminaram nesta nova tentativa de acordo.
A decisão final sobre a aceitação da nova proposta caberá aos professores, que se reunirão em assembleia na segunda-feira, às 18h, na sede da Fetems. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a transparência e o diálogo são fundamentais para que a categoria possa tomar uma decisão informada, garantindo os direitos e o futuro da educação no município.

