Professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) de Campo Grande **rejeitaram enfaticamente** a proposta da prefeitura de parcelar o reajuste salarial de 5,4% até janeiro de 2027. A decisão foi tomada em assembleia realizada na noite desta terça-feira (7), onde a categoria aprovou uma contraproposta que demanda o pagamento integral do índice ainda no ano de 2026.
A principal reivindicação dos educadores é **retirar de 2027 qualquer parcela do reajuste**, conforme resumiu o presidente da ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), Gilvano Bronzoni. A assembleia deliberou pela proposta de 5,4% em 2026, deixando em aberto o formato de pagamento, que poderá ser negociado com a prefeitura. Embora o anseio da maioria seja o recebimento integral ainda este ano, a exigência primordial é que o pagamento ocorra dentro de 2026.
A proposta apresentada pelo Executivo municipal nesta terça-feira previa o pagamento em três parcelas: 1,7% na folha de setembro, 1,7% em dezembro e os 2% restantes em janeiro de 2027. Os percentuais seriam calculados com base no salário de agosto de 2026. No entanto, essa divisão não atendeu às expectativas dos professores, que buscam uma resolução mais célere.
Ampliação da Negociação e Novos Pedidos
Além da rejeição ao parcelamento, a assembleia aprovou outros pontos cruciais para o andamento das negociações. Foi deliberada a solicitação de uma **nova reunião com a presença da prefeita Adriane Lopes (PP)**, buscando um diálogo direto com a chefe do executivo municipal. Outra exigência é a publicação imediata da tabela salarial corrigida no Diogrande (Diário Oficial do Município), detalhando os valores e os prazos acordados.
Adicionalmente, a categoria aprovou a **divulgação mensal das reuniões da comissão mista** que acompanha as verbas destinadas à educação. Essa medida visa aumentar a transparência no processo e garantir o acompanhamento público das finanças educacionais.
Para fortalecer a representatividade nas próximas discussões, **três professores da base foram eleitos** para participar ativamente das negociações, ao lado da diretoria da ACP. A eleição ocorreu durante a assembleia, realizada na sede da Fetems, onde seis profissionais disputaram as vagas, demonstrando o engajamento da categoria.
Histórico das Negociações e Posição da Prefeitura
A atual exigência surge após uma série de negociações que se arrastam sem um consenso definitivo. Segundo a ACP, a primeira reunião contou com a participação da prefeita, mas as rodadas subsequentes com a equipe técnica municipal não resultaram em acordo sobre o percentual e a data de pagamento do reajuste. Essa falta de avanço levou o sindicato a encerrar a negociação com a equipe técnica na última segunda-feira (6), após um encontro de quase três horas no Paço Municipal que terminou sem acordo.
A proposta da prefeitura, que incluía o parcelamento até janeiro de 2027, também deixava para 2027 a discussão de outro acréscimo de 3%, previsto na Lei 7.523 de novembro de 2025. A justificativa apresentada pelo Executivo para essa postergação é a necessidade de reavaliar as condições fiscais e orçamentárias do município, argumentando que o reajuste precisa ser analisado dentro do plano de equilíbrio fiscal, pois impacta diretamente a folha de pagamento e os índices municipais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a prefeita Adriane Lopes já havia afirmado anteriormente que o município enfrenta limitações financeiras, o que demandaria cautela nas negociações.
Próximos Passos e Cobrança por Diálogo
O sindicato pretende enviar um ofício ao Executivo municipal nesta quarta-feira (8) para formalizar a contraproposta e reiterar o pedido por uma nova reunião. A ACP busca que este encontro ocorra ainda nesta semana, reforçando a cobrança pela participação direta da prefeita Adriane Lopes nas discussões. A expectativa é que, com a contraproposta formalizada e a pressão da categoria, um acordo mais favorável aos professores seja alcançado.
A atuação do sindicato em buscar a transparência e a participação da base nas negociações demonstra o compromisso com os direitos dos educadores. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a busca por uma definição que contemple as demandas dos professores, sem postergar pagamentos essenciais, é o foco principal neste momento. A transparência na gestão pública, especialmente em relação às verbas da educação, é um pilar defendido pela categoria, e a divulgação mensal das reuniões da comissão mista é um passo importante nesse sentido.
A comunidade escolar de Campo Grande acompanha atentamente os desdobramentos dessas negociações, na esperança de que um acordo justo seja firmado em breve, garantindo a valorização dos profissionais da educação. A posição firme dos professores, como apurado pelo Campo Grande NEWS, reflete a importância da pauta e a necessidade de um diálogo efetivo entre as partes para a resolução dos impasses salariais.

