Procon MS investiga caos no acesso ao show do Guns N’ Roses

O Procon de Mato Grosso do Sul abriu uma investigação preliminar para apurar possíveis responsabilidades da empresa promotora do show do Guns N’ Roses, realizado na última quinta-feira (9), no Autódromo Orlando Moura, em Campo Grande. A medida foi tomada após diversos consumidores relatarem dificuldades extremas de acesso ao evento, incluindo um intenso congestionamento na única via de entrada, o que levou ao abandono de veículos e longas caminhadas até o local.

Guns N’ Roses: Procon MS apura falhas no acesso ao show

A Secretaria-Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor (Procon) de Mato Grosso do Sul instaurou um procedimento administrativo para verificar a impossibilidade de acesso de consumidores com ingressos válidos ao aguardado show do Guns N’ Roses. A empresa responsável pela organização do evento será notificada oficialmente e terá um prazo de 20 dias para apresentar seus esclarecimentos sobre os ocorridos.

Conforme relatos divulgados pelo Campo Grande NEWS, fãs que compareceram ao show descreveram uma situação caótica. Muitos afirmaram não terem conseguido chegar a tempo de assistir à apresentação da banda devido ao intenso fluxo de veículos na região. A falta de estrutura e o trânsito impediram que muitos chegassem ao autódromo, levando alguns a abandonar seus carros e ônibus pelo caminho para prosseguir a pé.

A experiência frustrante de muitos fãs levanta questionamentos sobre a organização e a infraestrutura oferecida para eventos de grande porte. O Procon busca entender se houve falhas por parte da produtora que comprometeram a experiência do consumidor, desde o planejamento logístico até a gestão do acesso ao local do show.

Responsabilidade e ressarcimento: uma análise complexa

O advogado e especialista em defesa do consumidor, Gabriel Vianna, analisou a complexidade da responsabilização em casos como este. Ele explica que a empresa organizadora possui uma responsabilidade contratual, que vai além de apenas garantir a realização do show. A estrutura, a segurança e a experiência geral do evento são parte do serviço oferecido ao consumidor.

“Quando uma empresa organiza o evento ela tem uma responsabilidade contratual, ela te oferece o serviço, que nesse caso seria o show, mas não apenas o show acontecer, a estrutura, a segurança, o evento tem vários extras além da própria performance e uma variedade de motivos que podem gerar a experiência ruim”, comenta Vianna.

No entanto, o advogado ressalta que a relação de consumo foi prejudicada para aqueles que perderam o evento devido ao trânsito. A responsabilidade pode recair sobre a organização caso a estrutura de acesso interno tenha sido inadequada, considerando o número de entradas e o horário de abertura.

“Um ponto que foge ao controle deles é a logística para chegar em um local que é afastado, sem opções de mobilidade urbana, pista simples, em uma cidade sem variedade de opções para shows de grande porte. Presumindo que todos os alvarás necessários foram liberados, é o poder público dizendo que o evento podia ocorrer de acordo com as normas, sendo deles também o dever de atuar no auxílio nas vias de acesso, conforme a competência”, explica.

Dificuldades de acesso e o papel do poder público

A dificuldade de acesso ao Autódromo Orlando Moura é um ponto crucial na investigação. A localização afastada e a falta de opções de mobilidade urbana foram apontadas como fatores que contribuíram para o caos. O advogado Vianna destaca que, embora a organização tenha responsabilidades, o poder público também tem um papel fundamental na garantia do acesso a grandes eventos.

A liberação de alvarás pelo poder público implica em uma avaliação de que o evento pode ocorrer dentro das normas. Contudo, isso não exime o poder público de atuar no auxílio às vias de acesso, conforme sua competência. A colaboração entre organizadores e autoridades é essencial para evitar transtornos.

Para o Campo Grande NEWS, Vianna ponderou que, mesmo com a possibilidade de discussões judiciais, a chance de ressarcimento individual para os consumidores afetados é considerada baixa. Isso ocorre porque muitos conseguiram, de fato, acessar o evento, que ocorreu, apesar das limitações.

“Ao consumidor ficava a responsabilidade de se organizar sobre como e quando ir, com antecedência e ciente das condições, mas tanto para aqueles que chegaram ao show e tiveram um retorno dolorosamente longo quanto para os que nem mesmo conseguiram entrar, a possibilidade de eventual indenização depende de uma avaliação sobre o cumprimento dos papéis de todas as partes”, destaca.

Infraestrutura limitada e futuro dos grandes eventos

O magistrado também ressaltou que, em um âmbito coletivo, a situação pode ser discutida envolvendo a mobilidade urbana e a estrutura da cidade para grandes eventos. No entanto, no caso específico do show do Guns N’ Roses, a multiplicidade de responsabilidades torna difícil apontar um culpado único.

“No fim, a cidade mostrou que tem público para grandes eventos, mas a infraestrutura é limitada, sendo o maior prejudicado o consumidor que teve sua experiência afetada e a população da cidade que pode deixar de receber outros shows de grande porte se não houverem melhorias no cenário”, pontua o advogado, em análise compartilhada pelo Campo Grande NEWS. A infraestrutura limitada da cidade para receber eventos de grande porte foi um fator determinante para os problemas enfrentados.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação evidencia a necessidade de um planejamento mais robusto e integrado entre organizadores de eventos, poder público e empresas de mobilidade urbana. A experiência negativa dos fãs do Guns N’ Roses em Campo Grande serve como um alerta para futuras produções, visando garantir que a paixão pela música não seja ofuscada por problemas de logística e infraestrutura.