A Prefeitura de Campo Grande realizou uma reunião emergencial com vereadores na Câmara Municipal neste sábado (1º) para defender a manutenção da taxa de lixo, que está atrelada ao IPTU 2026. O encontro, realizado a portas fechadas, buscou apresentar os argumentos do Executivo para reverter o veto da prefeita Adriane Lopes a um projeto aprovado pelos parlamentares que suspendia alterações na cobrança. A discussão sobre o tema se intensificou nas últimas semanas, com moradores reclamando de aumentos considerados elevados e questionando os critérios de cobrança.
Prefeitura defende taxa de lixo e alerta para rombo financeiro
A reunião teve como objetivo esclarecer aos vereadores os motivos que levaram a prefeitura a vetar o projeto que suspendeu as mudanças na taxa de resíduos sólidos. Secretários municipais de Infraestrutura e Serviços, Marcelo Miglioli, e de Governo, Ulisses Rocha, apresentaram dados técnicos que, segundo eles, demonstram um desequilíbrio financeiro significativo entre os custos da coleta e destinação de lixo e a arrecadação com a taxa específica.
Conforme os números apresentados, em 2023, o município gastou cerca de R$ 119 milhões com os serviços de limpeza urbana e zeladoria, mas arrecadou apenas R$ 35 milhões com a taxa de lixo. Em 2024, as despesas subiram para R$ 123,5 milhões, enquanto a arrecadação foi de R$ 41 milhões. A projeção para 2025 aponta para um gasto de R$ 137 milhões, com uma arrecadação estimada em R$ 41,8 milhões. O secretário Miglioli enfatizou que a correção da taxa é fundamental para garantir a qualidade dos serviços e evitar que recursos de outras áreas sejam remanejados.
O secretário de Governo, Ulisses Rocha, reforçou que o município arrecada aproximadamente R$ 40 milhões anualmente com a taxa de lixo, mas os gastos com coleta, tratamento e zeladoria ultrapassam os R$ 180 milhões. Essa diferença, segundo ele, obriga a administração a remanejar verbas, o que impacta outras áreas da gestão pública.
Vereadores buscam consenso e analisam impactos no bolso do contribuinte
O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto, conhecido como Papy, afirmou que os vereadores receberam as informações técnicas apresentadas pela prefeitura para embasar a votação. Ele destacou que, nos dias anteriores, os parlamentares também ouviram representantes do setor produtivo, que manifestaram preocupação com os impactos financeiros da manutenção da taxa, e secretários municipais, que detalharam os custos e a arrecadação da limpeza urbana.
Papy ressaltou que o encontro teve um caráter de esclarecimento, sem pressões, e enfatizou a urgência de uma solução, visto que o prazo para o pagamento do IPTU com desconto de 10% termina no dia 12. O presidente da Câmara mencionou que alternativas estão sendo discutidas para ajustar tanto a taxa de lixo quanto os descontos, buscando um consenso após semanas de divergências entre os poderes Executivo e Legislativo.
A polêmica ganhou força após moradores relatarem aumentos expressivos no IPTU 2026 em comparação com o ano anterior, além de questionamentos sobre a transparência e os critérios utilizados na cobrança da taxa de lixo. Uma das principais reivindicações dos vereadores, além da exclusão da taxa, era a manutenção do desconto de 20% para pagamento à vista, que foi reduzido para 10%, contribuindo para a percepção de aumento do imposto. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a redução do desconto foi um dos pontos mais criticados pela população.
A expectativa é que o tema gere intensos debates na sessão da Câmara Municipal agendada para a próxima terça-feira (3), quando o veto da prefeita será votado. A decisão impactará diretamente o valor final do IPTU para milhares de contribuintes campo-grandenses. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto as negociações e a votação, buscando trazer todas as atualizações para os leitores.
A situação reflete um desafio comum em muitas cidades brasileiras, onde a gestão de resíduos sólidos representa um custo elevado para os cofres públicos. A busca por um equilíbrio entre a necessidade de custear esses serviços essenciais e a capacidade de pagamento dos cidadãos é um dilema constante para os gestores. A forma como a Câmara Municipal de Campo Grande decidir votar o veto da prefeita definirá os próximos passos na arrecadação municipal e no bolso dos contribuintes. O Campo Grande NEWS, como importante agregador de notícias locais, está comprometido em fornecer cobertura detalhada e imparcial sobre este e outros assuntos de interesse público.

