Após impugnações, a Prefeitura de Campo Grande relançou a licitação para a aquisição de curativos especiais, um investimento estimado em R$ 1,7 milhão. O objetivo é garantir o tratamento de feridas graves e de difícil cicatrização, que afetam pacientes com lesões crônicas, pé diabético e sequelas de hanseníase. A nova data para o pregão eletrônico foi marcada para o dia 2 de julho, às 8h.
Esta nova etapa da licitação visa suprir a demanda do Serelepe (Serviço de Referência no Tratamento de Lesões Vasculares Periféricas), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). O serviço é crucial para o manejo de condições que exigem cuidados especializados e materiais de alta tecnologia para promover a cicatrização e evitar complicações graves, como amputações. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a necessidade de materiais específicos para essas condições é uma prioridade para a rede de saúde municipal.
O valor total estimado para a compra é de R$ 1.725.146,40. A modalidade de registro de preços permitirá à administração municipal adquirir os produtos conforme a necessidade, sem a obrigatoriedade de compra imediata de todo o montante. Isso garante flexibilidade e otimização dos recursos públicos na gestão de saúde.
Curativos especiais: mais que simples bandagens
É fundamental entender que os curativos especiais mencionados na licitação vão muito além de gazes e esparadrapos comuns. Eles são desenvolvidos com tecnologias avançadas para auxiliar na cicatrização de lesões complexas, como feridas vasculares, o temido pé diabético, complicações decorrentes de hanseníase e outras condições onde o processo de cura é lento e exige intervenção especializada.
Esses materiais são essenciais para reduzir o tempo de cicatrização, diminuir a frequência das trocas de curativos, controlar a carga bacteriana local e, crucialmente, prevenir o agravamento do quadro clínico dos pacientes. A ausência desses insumos pode levar a complicações sérias, incluindo a necessidade de internações hospitalares e até mesmo amputações, como alertado no próprio termo de referência da licitação.
O item mais caro e a questão da exclusividade
Um dos itens de maior destaque na licitação, e que gerou questionamentos anteriores, é uma espuma de transferência de exsudato com antimicrobiano. Este produto tem a função de absorver secreções da ferida e auxiliar no controle de contaminação. A previsão é de adquirir 1.248 unidades deste item, com um valor unitário estimado em R$ 500,29, totalizando R$ 624.361,92. Este valor representa cerca de 36% do montante total da licitação.
Durante a fase de pesquisa de preços, a Gerência de Pesquisa de Preço identificou que para este item específico, os valores encontrados remetiam a uma única marca e modelo: Mepilex Transfer Ag, da Molnlycke. Essa exclusividade levou a uma solicitação de esclarecimentos à Sesau sobre a existência de alternativas ou a justificativa para a aquisição de um produto de marca específica. A resposta técnica indicou que o produto da Molnlycke era a referência, citando carta de exclusividade e tecnologia proprietária.
Variedade de materiais e exigências da licitação
Para os demais itens, o edital permite a apresentação de produtos similares ou equivalentes a marcas de referência reconhecidas no mercado, como Coloplast e Helianto. A lista abrange uma gama variada de produtos essenciais, incluindo curativos hidrocoloides, hidrofibras estéreis, espumas não adesivas com ibuprofeno, soluções para remoção de biofilme, hidrogéis, botas de Unna, curativos com prata, filmes de poliuretano, óleos dermoprotetores e cremes restauradores de pele.
Além do item de espuma antimicrobiana, outros com valores significativos incluem a bota de Unna com bandagem elástica, estimada em R$ 287.289,60, a hidrofibra com prata iônica, no valor de R$ 210.408, e a hidrofibra estéril de carboximetilcelulose e alginato de cálcio, orçada em R$ 106.708,80.
O edital estabelece que todos os produtos devem possuir registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). As empresas vencedoras serão obrigadas a apresentar amostras dos materiais para aprovação antes da efetivação do contrato, garantindo a qualidade e a conformidade dos insumos. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a exigência de registro na Anvisa é um padrão para garantir a segurança dos pacientes.
As entregas dos materiais serão realizadas de forma parcelada no almoxarifado central da Sesau, atendendo à demanda da rede municipal de saúde. O prazo previsto para cada entrega é de até 15 dias úteis após o recebimento da nota de empenho ou instrumento similar. A agilidade e a regularidade no fornecimento são cruciais para o bom andamento dos tratamentos. O Campo Grande NEWS acompanha de perto as ações da prefeitura na área da saúde, buscando informar a população sobre os avanços e os desafios na gestão pública.

