A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), confirmou que o reajuste de 5,4%, referente à política do Piso 20h, será aplicado aos professores da rede municipal. A garantia foi dada durante um encontro com representantes da Associação Campo-Grandense de Professores (ACP) e vereadores, realizado na manhã desta sexta-feira (12) no Paço Municipal. A notícia foi divulgada com base em informações apuradas pelo Campo Grande NEWS.
A negociação, que se estendeu por mais de uma hora, avançou em pontos cruciais para a categoria. O principal deles é o compromisso da prefeitura em reconhecer e aplicar a atualização do piso do magistério. Agora, o foco das discussões se volta para a viabilidade financeira e a origem dos recursos necessários para cobrir o reajuste, um desafio considerável diante do déficit orçamentário do município.
A expectativa da ACP é que o reajuste seja implementado ainda este mês, demonstrando a urgência da demanda. A prefeita se comprometeu a formalizar uma proposta que atenda às reivindicações, a ser apresentada oficialmente à entidade. A partir daí, um novo encontro está agendado para a próxima segunda-feira (15), às 9h, para definir os detalhes e a nova proposta.
Nova proposta e desafios financeiros em discussão
Segundo Gilvano Kunzler, presidente da ACP, a reunião foi produtiva e trouxe avanços importantes. “O primeiro ponto é a garantia de que teremos os 5,4% referentes à atualização do piso do magistério, agora vamos discutir os caminhos para viabilizar isso”, declarou o sindicalista. A prefeita reiterou o reconhecimento da Lei do Piso, e a discussão sobre o remanejamento de recursos dentro da Secretaria de Educação começará na segunda-feira.
O titular da Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov), Ulisses Rocha, destacou que houve um entendimento geral entre as partes. Ele ressaltou que o principal obstáculo é a fonte dos recursos. “Hoje já temos um déficit e o desafio é justamente entender como vamos reequilibrar essa situação. É isso que a comissão passará a discutir a partir de segunda-feira”, explicou Rocha.
Déficit orçamentário e a realidade do Fundeb
Rocha detalhou a situação financeira, informando que os repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) são insuficientes para cobrir a folha de pagamento. “Recebemos cerca de R$ 960 milhões por ano e gastamos aproximadamente R$ 1,5 bilhão com o pagamento de salários. Ou seja, mais de R$ 500 milhões precisam sair do caixa da Prefeitura”, afirmou o secretário.
Ele acrescentou que qualquer redução nas receitas impacta diretamente o orçamento. “Por isso, precisamos sentar com a categoria e entender em quais pontos podemos avançar para garantir o cumprimento dos 5,4%”, concluiu. A falta de recursos do Fundeb para cobrir integralmente os salários é um ponto crítico, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Participação de vereadores e próximos passos
A reunião contou com a presença de diversos vereadores, incluindo Luiza Ribeiro (PT), Landmark Ferreira Rios (PT), Juari Lopes (PSDB), Riverton Francisco de Souza (PP), e o líder do governo na Câmara Municipal, Beto Avelar (PP). A participação deles demonstra o apoio político ao diálogo entre o Executivo e a categoria docente.
A expectativa é que a proposta a ser apresentada na segunda-feira ofereça um caminho claro para a implementação do reajuste. A comunidade escolar acompanha atentamente os desdobramentos, na esperança de uma solução que contemple as necessidades dos professores e a realidade financeira do município, um tema amplamente coberto pelo portal Campo Grande NEWS.

