A epidemia de chikungunya e a alta nos casos de dengue em Mato Grosso do Sul ganham um capítulo preocupante em Campo Grande. Uma Unidade de Saúde da Família (USF) localizada no bairro Tiradentes, a USF Doutor Antônio Pereira, foi flagrada com focos do mosquito Aedes Aegypti, transmissor dessas doenças. O cenário, que deveria ser de cuidado e prevenção, tornou-se um ambiente propício para a proliferação do inseto.
Alerta em Campo Grande: Focos do mosquito da dengue em posto de saúde
Em meio a um cenário de preocupação com a saúde pública em Mato Grosso do Sul, um flagrante em Campo Grande levanta sérias questões sobre a prevenção e o combate ao mosquito Aedes Aegypti. A Unidade de Saúde da Família (USF) Doutor Antônio Pereira, no bairro Tiradentes, apresenta água parada em seu portão, um ambiente ideal para a reprodução do mosquito transmissor da dengue e chikungunya. O problema foi registrado em vídeo, que mostra larvas do inseto em movimento na água acumulada.
A situação não afeta apenas a área da unidade de saúde, mas também as residências vizinhas. A água escorre pela calçada, chegando à frente da casa do empresário Fabiano Pereira da Luz, de 39 anos. Ele relata o mau cheiro intenso no local e a presença de muitas larvas, caracterizando um ambiente insalubre. A preocupação é ainda maior por se tratar de um posto de saúde, um local que deveria ser referência em higiene e cuidados com a saúde.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o acúmulo de água ocorre próximo a uma rampa de acesso para cadeiras de rodas, em um canto com mato alto. A água malcheirosa parece ter origem em uma fossa transbordada, que escorre pela calçada através de rachaduras em um muro. A comunidade local teme a proliferação de doenças em um local que deveria ser um bastião contra elas, como atesta o próprio morador: “Minha casa fica fedendo e, por se tratar de um posto de saúde, não deveria ter esse fedor todo”, desabafa Fabiano.
Aedes Aegypti em ambiente de saúde pública
O empresário Fabiano Pereira da Luz enfatiza a gravidade da situação, afirmando que “tudo que está mexendo na água é bichinho da dengue, tem muitas larvas”. Essa constatação em um posto de saúde é um alerta máximo para as autoridades de saúde. O Jornal Midiamax buscou um posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) sobre o ocorrido, e aguarda resposta oficial.
Cenário preocupante de dengue e chikungunya em Mato Grosso do Sul
Os dados recentes sobre a incidência de dengue e chikungunya em Mato Grosso do Sul pintam um quadro alarmante. Embora o primeiro trimestre de 2026 tenha registrado uma queda significativa nos casos prováveis de dengue em relação ao ano anterior, a tendência se inverteu em abril, com um ligeiro aumento. No total do ano, o estado soma 4.818 casos prováveis de dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A incidência estadual é de 173,3 casos por 100 mil habitantes.
Campo Grande, apesar de figurar como penúltima cidade no ranking de incidência de dengue com 37 casos prováveis e 4,1 casos a cada 100 mil moradores, não está imune ao problema, especialmente com o flagrante na USF do Tiradentes. Apenas Corguinho não registrou casos da doença neste ano.
Epidemia de chikungunya assola o estado
A situação da chikungunya é ainda mais crítica. Somente na última semana, Mato Grosso do Sul registrou mais 1.295 casos prováveis da doença. A incidência estadual atinge 322,6 casos por 100 mil habitantes, um índice considerado muito alto pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-MS). O estado já confirmou 3.997 casos e outros 4.897 aguardam resultados de exames, totalizando 8.894 casos prováveis.
O número de casos de chikungunya aumentou 17% em apenas sete dias. Dourados confirmou mais uma morte pela doença, elevando para nove o número de óbitos na cidade. No estado, já são 14 mortes confirmadas, o que representa 70% dos 21 registros em todo o país. Outros dois óbitos seguem em investigação, evidenciando a gravidade da epidemia.
Como se proteger contra o Aedes Aegypti
Diante deste cenário, a prevenção se torna a arma mais eficaz. O Ministério da Saúde reforça a importância de ações contínuas para eliminar os focos do mosquito Aedes Aegypti. Medidas simples e cotidianas podem fazer a diferença na proteção individual e coletiva. O Campo Grande NEWS destaca as principais recomendações para evitar a proliferação do inseto:
É fundamental manter a manutenção das piscinas em dia e esticar ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos, evitando assim a formação de poças d’água. Guardar garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo, e descartar embalagens sem uso são atitudes essenciais. Colocar areia nos pratos de vasos de plantas e guardar pneus em locais cobertos ou descartá-los corretamente em borracharias são outras medidas importantes.
Amarrar bem os sacos de lixo, manter caixas d’água, tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados, além de não acumular sucata e entulho, também são ações preventivas cruciais. A limpeza de calhas e lajes, a instalação de telas nos ralos e a manutenção de sua limpeza, assim como a limpeza e secagem de bandejas de ar-condicionado e geladeiras, eliminam potenciais criadouros.
Por fim, é vital eliminar a água acumulada nos reservatórios de purificadores de água e geladeiras. A atenção a esses detalhes, como ressaltado pelo Campo Grande NEWS ao checar as informações de saúde pública, contribui significativamente para o controle do mosquito e a prevenção de doenças como a dengue e a chikungunya. A colaboração de toda a comunidade é essencial para combater essa ameaça.

