A Operação Infiltrados, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), aponta para possíveis conexões entre policiais de São Paulo e um esquema de desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul. A investigação sugere que Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, seria o elo central entre traficantes e servidores públicos corrompidos.
A força-tarefa cumpriu 24 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão em cidades como Campo Grande, Dourados e Terenos. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que os servidores públicos afastados responderão a processos administrativos disciplinares, que podem levar à demissão do serviço público, independentemente das ações penais.
Segundo o Ministério Público, “LK” era considerado o principal articulador, fornecendo informações privilegiadas sobre carregamentos de drogas que seriam interceptados. Ele também negociava os percentuais dos entorpecentes a serem desviados e administrava a revenda do material ilícito no mercado ilegal.
Apreensão em SP levanta suspeitas
A investigação ganhou força ao analisar uma apreensão de mais de 600 kg de maconha realizada por policiais paulistas em Regente Feijó, no interior de São Paulo, em maio de 2025. A carga havia saído de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.
Ao examinarem o celular de Lucas da Silva dos Santos, os investigadores encontraram vídeos de um militar separando os tabletes de maconha apreendidos. A descoberta de um arquivo de vídeo enviado a “LK” no mesmo dia da apreensão levanta sérias dúvidas sobre como ele teria sido informado tão rapidamente sobre o ocorrido.
A própria investigação do Gaeco destaca a rapidez com que a informação chegou a Lucas, questionando “por qual meio ele teria sido tão celeremente informado sobre o episódio”. Essa agilidade sugere uma comunicação direta e possivelmente coordenada.
Operação Traquetos e a droga desviada
O transporte da droga interceptada em São Paulo foi planejado previamente por “LK” com um traficante conhecido como “Gordinho”, identificado como Maicon Igo Barbosa Moreira. Ele é apontado como líder da organização criminosa investigada na Operação Traquetos, também do Gaeco.
Curiosamente, o caminhão interceptado pertencia a “Gordinho” e o entorpecente negociado seria cocaína. No entanto, a apreensão realizada foi de maconha. Essa discrepância é um dos pontos que mais chamam a atenção na investigação.
Lucas da Silva dos Santos possuía um boletim de ocorrência arquivado e o vídeo da apreensão, o que leva o Gaeco a crer que a organização criminosa possuía aliados em São Paulo capazes de interceptar cargas de drogas para desvio. “A organização criminosa tinha aliados no Estado de São Paulo capazes de interceptar cargas de drogas para posterior desvio em benefício da organização criminosa”, aponta a investigação.
Esquema de “fake” para encobrir o desvio
Conforme o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as apurações que levaram à Operação Infiltrados começaram em outubro de 2025, a partir de descobertas nas operações Traquetos e Blindspot. A força-tarefa agiu em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Para evitar suspeitas, o grupo planejava abordar um veículo com drogas, retirar a maior parte do entorpecente e apresentar apenas uma pequena quantidade à delegacia. A ideia era usar um veículo com material falso, o “fake”, para simular uma apreensão regular em São Paulo e justificar a diferença na carga.
Conversas interceptadas entre Lucas e outro integrante da organização, Eberthe Batista de Almeida, indicam que a carga de cocaína planejada foi liberada e apenas a maconha foi apreendida. O lucro da droga desviada seria dividido entre os participantes do esquema.
Servidores afastados e monitoramento interno
A Sejusp afirmou que os servidores afastados já eram monitorados e investigados internamente. Entre eles está o ex-policial Paulo Augusto Torres Galvão Florindo, conhecido como “Paraíba”, que foi demitido em agosto após ser preso por envolvimento em um esquema de desvio de mercadorias.
Mesmo tendo sido absolvido pela Justiça Federal, “Paraíba” foi alvo da operação do Gaeco, demonstrando a continuidade das investigações sobre suas atividades. O caso levanta sérias questões sobre a integridade de agentes públicos e a complexidade das redes criminosas.
Conforme checou o Campo Grande NEWS, a atuação de “LK” no planejamento e execução de desvios de drogas, com possíveis ramificações em São Paulo, evidencia um **modus operandi sofisticado do crime organizado**. A investigação continua em curso para identificar todos os envolvidos e desmantelar completamente a rede criminosa. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta operação que abala as estruturas de segurança pública.

