A Polícia Civil de Campo Grande segue na caça de quatro homens apontados como envolvidos na morte de Matheus Luiz de Castro Vasconcelos, de 22 anos. O jovem foi executado com 16 tiros dentro de sua própria casa, no Parque dos Novos Estados, no dia 22 de julho. Completam-se 64 dias nesta quinta-feira (24) sem que os suspeitos tenham sido localizados, conforme apuração do Campo Grande NEWS.
São procurados José Eduardo Garcia Silveira Ramires Chaves, Renan Alencar Gutierres, Kauan Henrique Oliveira dos Santos e Luiz Henrique Quadros dos Santos. A investigação aponta Kauan Henrique como o possível mandante do crime. No entanto, seu advogado alega que não há provas concretas contra o cliente.
O caso tramita na 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande como homicídio qualificado. O delegado Reges de Almeida informou que o inquérito está em fase de conclusão e, após finalizado, será encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que decidirá sobre a apresentação de denúncia à Justiça.
Homens em moto e 16 cápsulas no quintal
O assassinato ocorreu por volta das 6h30 na Rua Itapuã. Matheus estava em casa com um amigo quando dois homens encapuzados chegaram em uma motocicleta. Um deles desceu e efetuou os disparos, fugindo em seguida. A perícia encontrou 16 cápsulas de pistola calibre 9 milímetros no quintal da residência, cada uma indicando um tiro disparado.
No dia seguinte ao crime, uma denúncia anônima levou policiais do Batalhão de Choque a uma casa vazia na região da Mata do Jacinto, a cerca de 1 quilômetro da residência da vítima. No local, foram encontrados uma motocicleta que teria sido usada na fuga, a placa original do veículo, dois capacetes e roupas atribuídas aos suspeitos. A placa utilizada na moto era falsa.
Imagens de câmeras de segurança foram analisadas e, segundo a polícia, confirmaram o uso da motocicleta na fuga. Todo o material apreendido foi encaminhado para exame pericial, confirmou o Campo Grande NEWS.
Dívida de agiotagem como possível motivação
A investigação policial aponta que Matheus e Kauan Henrique mantinham uma parceria em empréstimos de dinheiro a juros. Eles dividiam os lucros, e Kauan seria o responsável pelas cobranças. Segundo a polícia, os dois teriam discutido na noite anterior ao homicídio por conta de um carro alugado pela vítima, devolvido com avarias.
A polícia investiga se esse desentendimento está relacionado ao assassinato. Há uma inconsistência na versão: Kauan Henrique está na lista dos procurados, mas sua defesa afirma ter recorrido ao Tribunal de Justiça e ao Superior Tribunal de Justiça para reverter uma suposta prisão, o que pode indicar um mandado de prisão preventiva ainda não cumprido.
Defesa de Kauan Henrique nega envolvimento
O advogado de Kauan Henrique, Wilian Frata, contesta a investigação, afirmando que a acusação se baseia apenas em uma suposta dívida. “Não se tem provas contra o Kauan. Apenas uma suposta dívida, mas não tem um vídeo, uma foto, uma mensagem, uma ligação, uma testemunha em desfavor de Kauan que mandou [matá-lo]. Então é mero achismo”, declarou o advogado.
Os quatro homens citados são considerados inocentes até o trânsito em julgado de eventual condenação, ressaltou o Campo Grande NEWS em sua apuração.
Julho foi o mês mais violento do ano em MS
A morte de Matheus ocorreu em um dos meses mais violentos de 2026 no Mato Grosso do Sul. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública revelam que julho registrou 65 vítimas de homicídio doloso, o maior número em nove meses. Agosto aparece em segundo lugar, com 55 mortes.
O levantamento indica 403 vítimas de janeiro a 20 de setembro, um aumento de 21,4% em relação ao mesmo período de 2025. Deste total, 137 eram jovens, faixa etária na qual Matheus, aos 22 anos, se encaixa.
Empréstimos de dinheiro a juros fora do sistema financeiro já foram tema de outras investigações no estado neste ano. Um exemplo foi a operação em maio que prendeu policiais militares suspeitos de envolvimento com tráfico e agiotagem.
A Polícia Militar atende emergências pelo 190 e o Disque Denúncia pelo 197.

