Um soldado da Polícia Militar Rodoviária de Mato Grosso do Sul, de 27 anos, e uma estudante de 19 anos foram presos em flagrante por tráfico de drogas na tarde de segunda-feira (10), na rodovia MS-164, próximo ao distrito de Vista Alegre, em Maracaju, a 159 quilômetros de Campo Grande. A ação foi realizada por equipes do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) durante a Operação Protetor. A droga apreendida, um total de 4,1 kg de skunk, está avaliada em R$ 101,3 mil.
Conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, o veículo em que a dupla estava, um Honda CR-V prata, foi abordado por volta das 17h30. O condutor, identificado como o policial militar Luiz Rhuan Horiguchi, alegou que estava retornando de Ponta Porã para Campo Grande, onde reside, e que teria ido à fronteira apenas para comprar uma bicicleta elétrica.
No carro, além do policial, viajavam dois passageiros. Luiz Rhuan Horiguchi afirmou inicialmente que não conhecia os passageiros e que realizava uma corrida combinada por aplicativo. No entanto, durante a entrevista, os policiais notaram um certo nervosismo em uma das passageiras, Ingra Laylla Machado de Medeiros, de 19 anos, moradora de Belo Horizonte (MG).
Ingra Laylla não soube detalhar quanto tempo havia permanecido na região de fronteira. Em uma vistoria mais minuciosa no veículo, os agentes do DOF encontraram 14 pacotes de skunk, totalizando 4,1 kg da droga, escondidos na mochila da estudante. O valor estimado do prejuízo ao crime foi de R$ 101,3 mil.
Estudante confessa transporte da droga por R$ 3 mil
Sob interrogatório, Ingra Laylla admitiu saber da existência do entorpecente e relatou ter aceitado transportar a droga de Ponta Porã até Belo Horizonte por R$ 3 mil. Ela contou que foi convidada por uma amiga para viajar e que ficou sem dinheiro para retornar, o que a levou a aceitar a proposta. A estudante afirmou que o motorista, o policial militar, não sabia do conteúdo ilícito que ela transportava.
A versão da estudante, no entanto, entra em conflito com o relato inicial dos policiais. Antes mesmo da descoberta da droga, o condutor, Luiz Rhuan Horiguchi, teria afirmado aos agentes que realizou uma vistoria nas bagagens de todos os passageiros antes do embarque. Ao ser questionado novamente após a apreensão do skunk, o PM optou por permanecer em silêncio.
PM muda versão e é levado para delegacia
Em depoimento posterior na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira), em Dourados, o policial militar mudou sua versão dos fatos. Ele passou a negar ter feito uma revista completa nas bagagens, alegando ter apenas “apertado” a mala. Ele reiterou que utilizava uma plataforma para oferecer caronas e que não tinha conhecimento sobre a droga transportada pela passageira.
O outro passageiro do veículo, um estudante de 23 anos, teve seus pertences vistoriados, nada de ilícito foi encontrado com ele. Ele foi ouvido como testemunha no caso. A Polícia Civil ratificou a prisão em flagrante de ambos, o policial militar e a estudante.
Decisão sobre prisão preventiva e investigação
O delegado responsável representou pela conversão da prisão em flagrante de Ingra Laylla em preventiva, levando em consideração a logística interestadual e a quantidade expressiva de droga apreendida. No entanto, o pedido de prisão preventiva para o policial militar não foi feito, deixando a decisão a cargo do Poder Judiciário.
A decisão de não pedir a prisão preventiva do PM considerou a ausência de elementos concretos que indicassem risco à ordem pública ou tentativa de obstrução da Justiça. Foi destacado que o policial possui endereço fixo, vínculo funcional ativo e entregou voluntariamente seu celular pessoal, com a senha, para perícia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a corporação da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul foi comunicada sobre o envolvimento de um de seus integrantes.
Um oficial da Polícia Militar Rodoviária acompanhou os procedimentos na delegacia. O caso segue sob investigação para identificar outros possíveis envolvidos na remessa do entorpecente. A Polícia Militar, em nota ao Campo Grande NEWS, reafirmou que a corporação não tolera desvios de conduta e atua de forma intransigente na fiscalização, buscando preservar a honra dos profissionais de segurança pública.
“Após as providências necessárias, o envolvido foi imediatamente encaminhado ao Presídio Militar Estadual. Medidas disciplinares estão em andamento para a apuração integral dos fatos e responsabilização do investigado, assegurando o devido processo legal”, informou a nota oficial da PM. A corporação reforçou a ideia de que nenhum comportamento individual deve atingir a honra do efetivo policial que trabalha diariamente para a proteção da população.

