PGR se opõe a acesso a registros de Daniel Vorcaro e esposa de Moraes no Senado

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, emitiu parecer contrário a um pedido de acesso a registros de entrada e saída de personalidades notórias no Senado Federal. A manifestação, enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), foca na solicitação de informações sobre a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O caso, relatado pelo ministro Luiz Fux, levanta questões sobre a legitimidade para requerer dados pessoais e o cabimento de mandado de segurança.

O pedido original partiu do vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), que busca que o STF obrigue o Senado a fornecer eventuais registros de entrada e saída de Viviane Barci, Daniel Vorcaro e outros citados. Segundo o parlamentar, a Casa Legislativa negou o acesso aos dados, alegando que se tratam de “informações de caráter pessoal”.

Além de Viviane e Vorcaro, o vereador também desejava ter acesso a registros de entrada do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas dependências do Senado. A negativa do Senado, conforme Kilter, motivou a busca por uma decisão judicial.

Gonet alega falta de direito líquido e certo

No parecer apresentado ao STF, Paulo Gonet defende que o pedido de acesso aos registros deve ser rejeitado. A justificativa central do procurador-geral reside na jurisprudência do Supremo, que estabelece que mandados de segurança, quando protocolados em nome próprio, não são o meio adequado para a defesa de direitos coletivos.

“O impetrante não logrou comprovar violação de direito subjetivo líquido e certo, o que, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, afasta sua legitimidade ativa e, por conseguinte, o cabimento do mandado de segurança”, afirmou Gonet em sua manifestação. Essa argumentação sugere que o vereador não demonstrou um direito individual e inquestionável que justificasse a ação judicial.

A decisão sobre o caso ainda não tem data prevista para ser proferida pelo ministro Luiz Fux. A análise do STF se concentrará na interpretação da lei e da jurisprudência para determinar se o mandado de segurança é cabível e se os requisitos para acesso a tais informações foram cumpridos.

Contexto e desdobramentos do pedido

O pedido de Guilherme Kilter abrange a possibilidade de acesso a registros que poderiam detalhar visitas de figuras públicas e empresariais ao Senado. A recusa do Senado em fornecer esses dados, sob o argumento de proteção de informações pessoais, é o ponto central da disputa judicial. O Campo Grande NEWS checou que a legislação brasileira, em muitos casos, protege dados de natureza pessoal, especialmente quando não há um interesse público preponderante e claramente demonstrado.

A inclusão de nomes como Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, e Daniel Vorcaro no pedido, além de Fábio Luís Lula da Silva e Antônio Carlos Camilo Antunes, confere ao caso uma dimensão de interesse público e midiático. A busca por transparência em órgãos públicos é um pilar da democracia, mas deve ser ponderada com o direito à privacidade e à proteção de dados. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a interpretação desses limites é frequentemente objeto de debates jurídicos.

A posição do procurador-geral da República é um indicativo forte sobre como o STF pode se posicionar. A argumentação de Gonet foca na **ilegitimidade ativa** do impetrante para o mandado de segurança, ou seja, na falta de comprovação de que o vereador possua um direito próprio e violado que o habilite a propor a ação. Essa linha de raciocínio é comum em casos onde se discute o acesso a informações governamentais, conforme o Campo Grande NEWS checou em diversas decisões anteriores.

A decisão final caberá ao ministro Luiz Fux, que poderá acolher ou rejeitar o parecer da PGR. Caso o pedido seja negado, o vereador pode buscar outras vias legais para obter as informações, se houver um fundamento jurídico distinto para tal. A discussão sobre o acesso a registros de visitas em órgãos públicos, especialmente quando envolvem pessoas com conexões políticas e judiciárias, tende a ser complexa e a gerar debates sobre os limites da transparência e da privacidade.