A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (25.ago.2026), a Operação Presciência, que visa investigar possíveis irregularidades na aplicação de R$ 1,2 milhão do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Campo Grande (MS) em carteiras do Banco Master. A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.
A investigação, iniciada a partir de um relatório sobre letras financeiras emitido pelo Ministério da Previdência Social, aponta que funcionários públicos teriam deixado de seguir procedimentos técnicos e administrativos essenciais, expondo o patrimônio do regime a riscos significativos. Os envolvidos podem responder por crimes como gestão temerária, corrupção passiva e ativa, conforme apurado pela corporação.
A prefeitura de Campo Grande, em nota oficial, declarou que está acompanhando as investigações conduzidas pela Polícia Federal e ressaltou que o município foi um dos primeiros do país a garantir o ressarcimento de valores aplicados junto ao Banco Master, evitando prejuízos aos cofres públicos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as aplicações financeiras do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) seguem a resolução CMN 4.963/2021 e a Política Anual de Investimentos aprovada pelo Conselho Deliberativo.
Investigação aponta falhas em procedimentos de investimento
As apurações da Polícia Federal indicam que funcionários públicos diretamente envolvidos no processo de tomada de decisão para as aplicações financeiras do RPPS de Campo Grande não teriam observado os procedimentos técnicos e administrativos necessários. Essa conduta, segundo a corporação, pode ter criado um cenário de risco para o patrimônio do regime previdenciário.
A falta de observância de protocolos pode ter sido o gatilho para a abertura da investigação. A Coordenação de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios do Ministério da Previdência Social foi a responsável por emitir um relatório sobre letras financeiras que deu o pontapé inicial para a Operação Presciência. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande.
Os suspeitos podem responder por uma série de crimes graves. Entre eles, a Polícia Federal cita gestão temerária, que se refere a assumir riscos desnecessários em atividades financeiras, e também corrupção passiva e ativa, que envolvem a troca de favores ou benefícios indevidos em transações públicas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a legislação brasileira prevê penas severas para esses tipos de delitos.
Prefeitura afirma que valores foram ressarcidos e prejuízo evitado
Em resposta à operação policial, a Prefeitura de Campo Grande emitiu um comunicado oficial. Na nota, o Executivo municipal assegura que está acompanhando de perto as investigações. Um ponto destacado pela administração é que Campo Grande teria sido uma das primeiras cidades brasileiras a conseguir o ressarcimento dos valores que haviam sido aplicados junto ao Banco Master.
Essa ação preventiva, segundo a prefeitura, teria sido fundamental para evitar qualquer tipo de prejuízo aos cofres públicos municipais. A administração reforça que as aplicações financeiras realizadas pelo IMPCG são conduzidas em estrita conformidade com as normativas vigentes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a resolução CMN 4.963, de 25 de novembro de 2021, estabelece as regras para os investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social em âmbito nacional.
Além disso, a prefeitura afirma que as aplicações financeiras do IMPCG também seguem a Política Anual de Investimentos. Este documento é elaborado e aprovado pelo Conselho Deliberativo do IMPCG ao final de cada exercício financeiro, garantindo um controle e direcionamento claros para os recursos do regime de previdência municipal. A transparência e a conformidade legal são, portanto, pilares que a prefeitura diz buscar manter.

