Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, expressou temor de ser alvo dos Estados Unidos, comparando sua situação à de Nicolás Maduro.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, revelou em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País que temeu ser capturado pelos Estados Unidos, em um cenário que ele comparou à recente prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Petro admitiu que a possibilidade de um desfecho semelhante ao de Maduro, que foi levado sob custódia pelos EUA no último fim de semana, o preocupou. Ele destacou que qualquer líder pode ser removido de seu cargo caso não se alinhe com determinados interesses.
No entanto, o líder colombiano acredita que uma conversa telefônica com o presidente americano Donald Trump, ocorrida na quarta-feira (7), pode ter ajudado a diminuir a tensão entre as nações. Conforme informação divulgada pelo El País, Petro relatou que Trump lhe disse estar pensando em “fazer coisas ruins” na Colômbia e que planos de uma operação militar já estavam em andamento.
Ameaças “congeladas”, mas com ressalvas
Após o diálogo com Trump, Petro expressou a crença de que as ameaças contra a Colômbia foram “congeladas”, embora tenha ressaltado que essa percepção pode estar equivocada. Apesar do receio, o presidente colombiano afirmou que não reforçou sua segurança pessoal.
Ele explicou que a Colômbia não possui defesa aérea, pois o foco histórico tem sido o combate a grupos guerrilheiros internos, que não dispõem de aeronaves de guerra avançadas como caças F-16. O Exército colombiano, segundo Petro, não tem esse tipo de capacidade defensiva.
A defesa popular como escudo
A única defesa que Petro considera eficaz é a do seu povo. “O que usamos aqui é a defesa popular e é por isso que convoquei a resistência popular na quarta-feira”, declarou o presidente, referindo-se a um chamado feito à população.
No sábado, 3 de janeiro, Nicolás Maduro foi detido pelo governo dos Estados Unidos e levado para julgamento em Nova York. Sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina da Venezuela.
Posição sobre a Venezuela e a necessidade de união
Petro, que se diz amigo de Rodríguez, avalia que a vice-presidente venezuelana enfrenta forte pressão interna e externa, tendo sido acusada de traição. Ele enfatizou a importância de fortalecer a unidade latino-americana e, em particular, unir o povo venezuelano.
“Se o povo estiver dividido, haverá colonização. Se eles se unirem e buscarem uma solução política para esse problema que é evidente, poderão avançar”, ponderou Petro.
Proposta de transição alinhada, mas com soberania
O presidente colombiano revelou que sua posição sobre a Venezuela, que prevê uma transição para eleições livres e um governo compartilhado, não difere substancialmente das propostas defendidas pelos Estados Unidos, como as mencionadas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Contudo, Petro ressaltou que essa transição **”não pode ser imposta de fora”**, devendo emergir do diálogo interno venezuelano. O papel dos Estados Unidos, na visão de Petro, deveria ser o de **facilitar esse diálogo**, em conjunto com outros países da América Latina, garantindo a soberania das decisões tomadas pelo povo venezuelano.


