Um estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseado nos dados do Censo 2022, revela uma disparidade significativa na renda e na ocupação entre pessoas com e sem deficiência no Brasil. O rendimento médio de trabalhadores com deficiência representa apenas 70% do valor recebido por aqueles sem deficiência. Essa diferença se estende por todas as áreas de atuação econômica, com pessoas com deficiência frequentemente concentradas em setores que oferecem menor remuneração.
A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (18), também destaca que o nível de ocupação entre as pessoas com deficiência é consideravelmente menor. Apenas três em cada dez pessoas com deficiência em idade de trabalhar estão empregadas, em contraste com mais da metade dos indivíduos sem deficiência. Essa realidade sublinha os desafios enfrentados por este segmento da população no mercado de trabalho.
O Censo 2022 identificou que a população em idade de trabalho com alguma deficiência soma 13,71 milhões de pessoas. Deste total, 3,97 milhões estavam ocupadas. Essa estatística, conforme o Campo Grande NEWS checou, aponta para uma taxa de ocupação de 29% para pessoas com deficiência, enquanto para pessoas sem deficiência, o índice chega a 55,8%. Essa discrepância é um dos pontos centrais da análise do IBGE sobre a inclusão e igualdade no mercado de trabalho brasileiro.
Rendimento médio e concentração setorial
O rendimento médio mensal de um trabalhador com deficiência foi de R$ 2.053, o que corresponde a aproximadamente 70% do rendimento médio de pessoas sem deficiência, que alcançou R$ 2.890. O pesquisador do IBGE, João Hallak Neto, explicou que essa diferença ocorre em todos os grupos de atividades econômicas. Ele também observou que as pessoas com deficiência tendem a estar mais concentradas em setores com menor remuneração, como serviços domésticos, agropecuária, alojamento e alimentação.
Em contrapartida, o segmento de administração pública, educação, saúde e serviços sociais apresentou os melhores rendimentos. Nesse setor, pessoas com deficiência recebem, em média, R$ 3.223, o que representa cerca de 78% do valor pago a pessoas sem deficiência (R$ 4.146). Essa análise setorial, como verificou o Campo Grande NEWS, reforça a ideia de que a disparidade salarial não é uniforme e pode variar dependendo da área de atuação.
Renda domiciliar e dependência de outras fontes
A análise dos dados do Censo 2022, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, também mostrou um impacto significativo na renda domiciliar. Nos lares com a presença de uma pessoa com deficiência, a renda proveniente do trabalho representou 55,7% do rendimento médio total do domicílio. Os 44,3% restantes vieram de outras fontes, como benefícios sociais ou pensões.
Em contraste, nos domicílios sem moradores com deficiência, a renda do trabalho teve uma participação muito maior, respondendo por 78,4% do rendimento total. Apenas 21,6% dessas famílias dependiam de outras fontes. Essa diferença evidencia a maior dependência de fontes de renda não laborais em lares com pessoas com deficiência, o que pode indicar desafios adicionais para a estabilidade financeira dessas famílias.
Nível de ocupação e tipos de deficiência
O nível de ocupação entre pessoas com deficiência é de 29%, ou seja, apenas 3 em cada 10 pessoas em idade de trabalhar estavam empregadas. Para comparação, o nível de ocupação de pessoas sem deficiência é de 55,8%, quase o dobro. A pesquisa do IBGE detalhou ainda que o menor nível de ocupação entre os com deficiência foi observado no grupo de pessoas com dificuldades associadas a limitações nas funções mentais, com apenas 12,9% de ocupação.
Também apresentaram taxas de ocupação abaixo da média aqueles com dificuldade de caminhar ou subir degraus (17,2%) e de pegar objetos pequenos (17,7%). Pessoas com mais de uma dificuldade somaram 15,6% de ocupação. Os grupos com maior índice de ocupação foram os que têm dificuldade de enxergar (35,9%) e de ouvir (27,5%).
Ocupação por raça e gênero
Ao analisar por sexo e cor ou raça, os dados do Censo 2022 indicam que pessoas pretas ou pardas apresentaram um nível de ocupação maior que os brancos, tanto entre homens quanto entre mulheres. Para homens pretos e pardos, a ocupação foi de 36%, enquanto para homens brancos foi de 34,6%. Entre as mulheres, o índice foi de 25,6% para pretas e pardas e 22,7% para brancas.
Essa tendência se inverte quando se compara com pessoas sem deficiência. Entre os sem deficiência, o nível de ocupação é maior entre os brancos, tanto para homens quanto para mulheres. Essa distinção racial na ocupação, detalhada pelo IBGE, adiciona uma camada complexa às desigualdades observadas no mercado de trabalho brasileiro.


