Um pecuarista que esteve à frente de acampamentos em frente a quartéis em Mato Grosso do Sul, contestando o resultado das eleições de 2022 e clamando por intervenção militar, reaparece agora como um dos financiadores da campanha de Capitão Contar ao Senado. Renato Nascimento Oliveira, conforme documentos encaminhados ao STF e prestação de contas à Justiça Eleitoral, doou R$ 15 mil para a campanha do candidato. A movimentação financeira e a participação em manifestações pós-eleitorais levantam questões sobre a influência de figuras com histórico de contestação democrática no cenário político atual.
Pecuarista ligado a atos antidemocráticos financia campanha ao Senado
Renato Nascimento Oliveira, pecuarista sul-mato-grossense, figura em documentos da Sejusp que foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nestes registros, ele é identificado como uma das lideranças dos acampamentos que surgiram em frente a quartéis no estado após as eleições presidenciais de 2022. Na época, os manifestantes expressavam descontentamento com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e defendiam abertamente uma intervenção militar no país.
A atuação de Oliveira nesses atos, que questionaram a lisura do processo eleitoral democrático, contrasta com seu atual envolvimento no financiamento de campanhas políticas. Segundo a prestação de contas registrada na Justiça Eleitoral, o pecuarista realizou uma doação de R$ 15 mil para a campanha de Capitão Contar ao Senado. Essa conexão entre a participação em manifestações antidemocráticas e o apoio financeiro a candidaturas políticas levanta debates sobre a influência de determinados grupos no processo eleitoral.
Justiça Eleitoral analisa remoção de vídeos de campanha
Em outro desdobramento relacionado a disputas eleitorais, o adversário Lídio Lopes tentou, sem sucesso até o momento, remover cinco vídeos publicados pelo candidato Bruno Ortiz Barbosa da plataforma Instagram. A Justiça Eleitoral considerou que faltaram provas robustas para determinar a exclusão imediata do conteúdo. Lopes apresentou os links, mas não anexou os vídeos ao processo, o que pode ter influenciado a decisão judicial.
É importante ressaltar que a decisão da Justiça Eleitoral não valida o conteúdo dos vídeos nem os declara regulares. Bruno Ortiz Barbosa ainda será ouvido no processo, e o mérito da questão será julgado posteriormente. A disputa em torno da remoção de conteúdo online evidencia a complexidade das regulamentações sobre propaganda eleitoral e a liberdade de expressão na internet.
Multa por publicação com ‘verniz’ eleitoral negativo
Um site de notícias foi multado em R$ 5 mil pela Justiça Eleitoral devido a uma publicação que associou Fátio Trad e seus familiares a “Du Mato”, indivíduo condenado por tráfico de drogas. O desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva entendeu que a montagem buscava sugerir uma ligação da família Trad com o crime organizado sem a devida apresentação de provas concretas.
Embora Fabiana Trad, filha de Fátio, atue como advogada de “Du Mato”, a Justiça considerou que o portal distorceu esse fato para atacar o então pré-candidato ao governo do estado. O conteúdo foi retirado do ar dentro do prazo estipulado, o que livrou o site da multa diária. No entanto, a condenação por propaganda eleitoral antecipada negativa se manteve, cabendo ainda recurso.
Comissão de sindicância investiga irregularidades na Sesau
A Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) instaurou uma comissão de sindicância para apurar indícios de irregularidades em um processo administrativo. Três servidores foram designados para conduzir a investigação, que tem um prazo de 30 dias para apresentar um relatório conclusivo. Contudo, a resolução que institui a comissão não detalha a natureza do processo administrativo, as irregularidades específicas identificadas ou os envolvidos.
A falta de detalhes sobre o objeto da investigação levanta questionamentos, indicando uma possível suspeita sobre o próprio processo ou os procedimentos que levaram à sua instauração. A transparência na divulgação das apurações é fundamental para garantir a confiança pública nos órgãos estatais e nos processos administrativos.
Senado avança com projeto sobre jornada de trabalho sob críticas
O presidente da Fiems, Sérgio Longen, alinhou-se à senadora Tereza Cristina (PP-MS) em relação à votação contra o fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Ambos expressaram apoio à redução da jornada de trabalho, mas criticaram a imposição de uma regra única e alertaram para um possível aumento de custos, elevação de preços e impacto nas contratações.
A proposta, que existe desde 2019, teve um avanço rápido no Senado. Ela foi enviada à comissão em agosto e aprovada em setembro, sem a realização de audiências públicas nesta fase. Tereza Cristina lamentou a falta de discussão aprofundada, enquanto Longen criticou o encurtamento do calendário, sugerindo que a medida foi acelerada para se tornar um discurso eleitoral.
Justiça Federal busca veículos blindados de alto valor
A Justiça Federal em Mato Grosso do Sul está em busca de quatro veículos blindados, com valor estimado em até R$ 2,2 milhões. Os modelos devem ter capacidade para sete pessoas, motor a diesel e tração 4×4, com um custo individual de até R$ 550 mil. O aviso de licitação não especifica quem utilizará os veículos nem as razões para o reforço na segurança.
A licitação será aberta em 16 de setembro, mas a aquisição dos veículos não é garantida. A falta de informações sobre o destino e a finalidade desses veículos de luxo e alta segurança gera especulações e questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a transparência nesses processos é essencial para a confiança da população.
Projeto de lei garante nome social em jazigos e documentos municipais
Os vereadores de Campo Grande votarão hoje um projeto de lei que assegura o uso do nome social para pessoas trans, travestis e não-binárias em lápides e jazigos de cemitérios da Capital, além de documentos municipais relacionados ao óbito. A proposta, de autoria do vereador Jean Ferreira (PT), visa garantir respeito e dignidade aos falecidos.
A regra, que entrará em vigor para óbitos a partir de 1º de janeiro de 2026, prevê que o nome social seja o único a constar nas lápides e também em destaque nos registros. A iniciativa busca assegurar que a identidade de gênero das pessoas seja respeitada mesmo após a morte, promovendo um ambiente mais inclusivo e acolhedor. O Campo Grande NEWS acompanhou o desenvolvimento da proposta.
Respeito na despedida e multas por descumprimento
O texto do projeto de lei também estipula que os órgãos municipais adotem o nome social nos procedimentos de sepultamento, cremação e tanatopraxia, além de respeitarem a aparência e as vestimentas utilizadas pela pessoa em vida. A família terá o direito de solicitar a inclusão do nome social a qualquer momento.
O descumprimento da lei poderá acarretar multa de dez salários mínimos, com os recursos destinados ao financiamento de políticas de promoção dos direitos das pessoas trans e de combate à transfobia. A redação, no entanto, apresenta uma ambiguidade quanto à aplicação em cemitérios particulares, parecendo abranger todos os locais de sepultamento, mas sem clareza sobre a sujeição das empresas privadas à regra e à penalidade, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS.

