Pantanal tem poucas pesquisas de restauração, aponta cientista da UFMS
A professora e pesquisadora Letícia Couto Garcia, do Instituto de Biociências (Inbio) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), destacou em entrevista recente a **insuficiência de pesquisas sobre restauração ecológica no Pantanal**. Segundo ela, ao comparar o bioma com outros ecossistemas brasileiros, como a Mata Atlântica e o Cerrado, percebe-se uma **clara lacuna nos estudos voltados à recuperação ambiental**.
Essa constatação, publicada na 24ª edição da Revista Candil da UFMS, surgiu a partir de uma revisão abrangente sobre o tema no Brasil. A pesquisa revelou que, apesar das significativas transformações que o Pantanal tem enfrentado, o volume de estudos sobre sua restauração é notavelmente menor. Diante desse cenário, o grupo de pesquisa da professora Letícia tem direcionado seus esforços para preencher essa lacuna, buscando entender e aplicar as melhores estratégias para a conservação e recuperação do bioma.
A pesquisadora, que coordena o Laboratório de Ecologia da Intervenção (LEI) da UFMS, é pioneira em abordagens que integram o conhecimento científico com os saberes tradicionais das comunidades locais. Seu trabalho, que abrange também o Cerrado e a Mata Atlântica, já rendeu reconhecimentos importantes, como o Prêmio Mulheres e Ciência e o título de Campeã Nacional no Frontiers Planet Prize em 2026, evidenciando a **relevância e o impacto de suas pesquisas para os desafios ambientais globais**.
Restauração socioecológica: uma nova perspectiva para o Pantanal
Letícia Couto Garcia defende uma visão de **restauração que vai além do simples plantio de mudas**. Ela propõe a chamada **restauração socioecológica**, um conceito que considera a paisagem em sua totalidade, a **manutenção das ações de recuperação a longo prazo** e, fundamentalmente, a **participação ativa das comunidades locais** no processo. Essa abordagem reconhece que a ciência, por si só, não é suficiente para garantir o sucesso da restauração, sendo essencial integrar o conhecimento científico com os saberes ancestrais das populações que vivem e dependem desses territórios.
Um dos focos de atuação do laboratório é a **restauração de nascentes**, um trabalho que envolve diretamente comunidades indígenas e tradicionais. A pesquisadora ressalta a **importância vital dessas populações para a conservação da biodiversidade** e a relação intrínseca que mantêm com os recursos naturais. Ao incluir essas comunidades no processo de restauração, considera-se não apenas os aspectos ecológicos, mas também as necessidades de **segurança hídrica e alimentar** das pessoas que habitam essas áreas, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
A pesquisadora enfatiza que cada projeto de restauração deve ser **adaptado à realidade local**, levando em conta as particularidades do ambiente e as pessoas envolvidas. A integração do conhecimento científico com os saberes tradicionais é vista como uma **estratégia poderosa para garantir a sustentabilidade e a eficácia das ações de recuperação ambiental**, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Fogo e restauração: um manejo integrado
O trabalho de Letícia Couto Garcia também aborda a questão do fogo no Pantanal, um elemento natural, mas que, em regimes alterados, pode causar grandes danos. Ela relaciona as estratégias de restauração com as **ações de conservação e o Manejo Integrado do Fogo (MIF)**. Experiências conduzidas pelo grupo já demonstraram resultados positivos na **redução da frequência de incêndios e da área queimada** através da aplicação desse tipo de manejo.
A ideia é aproximar a produção científica da realidade dos territórios, garantindo que as pesquisas desenvolvidas no Pantanal tenham aplicação prática e beneficiem diretamente as comunidades e o meio ambiente. No caso específico da restauração de nascentes, a participação das comunidades indígenas e tradicionais é um **componente essencial da própria estratégia de restauração estudada pelo grupo**, como destaca o Campo Grande NEWS.
Reconhecimento e 25 anos de dedicação à ciência
Com cerca de **25 anos de atuação** em restauração, conservação, manejo e políticas públicas, Letícia Couto Garcia tem seu trabalho reconhecido nacional e internacionalmente. Em 2026, foi agraciada com o **Prêmio Mulheres e Ciência**, na categoria Estímulo, em Ciências da Vida. Além disso, foi eleita **Campeã Nacional do Brasil no Frontiers Planet Prize**, uma prestigiada premiação internacional que reconhece pesquisas voltadas aos desafios ambientais globais.
Esses prêmios reforçam a importância de sua linha de pesquisa e a necessidade de **investir em estudos sobre a restauração ecológica no Pantanal**, um bioma de extrema relevância para o Brasil e para o planeta. A atuação da pesquisadora demonstra que a **ciência e o conhecimento tradicional podem caminhar juntos** em prol da conservação e da recuperação ambiental.
O trabalho de Letícia Couto Garcia no Laboratório de Ecologia da Intervenção (LEI) da UFMS é um exemplo de como a pesquisa científica pode ser **aliada às necessidades das comunidades e à preservação dos ecossistemas**, buscando soluções inovadoras e sustentáveis para os complexos problemas ambientais que enfrentamos.

