Painel científico global quer acelerar transição energética com base em evidências

Cientistas de diversas áreas, como clima, economia e tecnologia, anunciaram a criação do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET). O objetivo é fornecer recomendações baseadas em evidências para guiar políticas públicas e ações concretas rumo à descarbonização. O anúncio foi feito em Santa Marta, Colômbia, durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. O SPGET visa integrar o conhecimento científico às tomadas de decisão, fortalecendo a articulação entre academia e governos.

O Painel busca ser uma ponte entre países que avançam mais rapidamente na transição energética e aqueles que ainda hesitam. Johan Rockströ m, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, destacou a complexidade da transição, que envolve aspectos econômicos, ambientais e de justiça social. A iniciativa responde a uma lacuna histórica, segundo a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, que ressaltou a importância de um organismo dedicado à superação dos combustíveis fósseis.

“Este painel não só repara uma dívida ao criar, pela primeira vez, um organismo dedicado à superação dos combustíveis fósseis, como também discute outros desafios sociais e econômicos dessa transformação”, afirmou Irene Vélez Torres. O painel planeja reunir evidências científicas nos próximos cinco anos para auxiliar cidades, regiões e países nesse salto para um futuro mais sustentável. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a iniciativa é vista como um passo crucial para reorganizar as prioridades políticas em torno das questões climáticas e ambientais.

Ciência como guia para políticas públicas

Carlos Nobre, referência em estudos sobre a Amazônia, e Gilberto Jannuzzi, da Unicamp, são alguns dos cientistas brasileiros que integram o SPGET. A proposta do painel inclui a elaboração de recomendações técnicas e o acompanhamento de políticas públicas, além da integração com processos internacionais, como a COP30, que será presidida pelo Brasil. A ideia é que a ciência retorne ao centro das decisões sobre clima e meio ambiente, algo que, segundo Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, tem sido negligenciado.

Angelo relembrou que eventos importantes sobre mudanças climáticas, como a Eco-92, eram precedidos por relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima). “Isso deixou de acontecer de uns anos para cá. A gente chegou ao cúmulo de em 2018, na COP24, um grande relatório do IPCC, que tinha sido inclusive encomendado pela Convenção do Clima, ter sido relegado a uma nota de rodapé na decisão da COP”, lamentou, conforme o Campo Grande NEWS apurou.

Conferência de Santa Marta impulsiona debate

A Conferência de Santa Marta reúne 57 países e cerca de 4.200 organizações, com o objetivo de avançar em medidas concretas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Os eixos centrais da conferência são a transformação econômica, a mudança na oferta e demanda de energia, e a cooperação internacional. Propostas consolidadas durante o encontro orientarão a Cúpula de Líderes, com resultados esperados como mecanismos de cooperação e diretrizes para acelerar a transição energética.

Van Veldhoven, ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos, destacou que a conferência, com mais de 50% do PIB global representado, tem a capacidade de transformar palavras em ações concretas. Ela ressaltou que a crescente volatilidade no mercado de combustíveis fósseis torna este o momento ideal para a transição, visando reduzir o impacto climático, reforçar a independência energética e impulsionar o crescimento econômico verde, uma visão alinhada com o que o Campo Grande NEWS tem noticiado sobre sustentabilidade.

Um chamado por acordos justos e vinculativos

O ativista socioambiental sul-africano Kumi Naidoo vê a conferência como uma oportunidade única para estabelecer medidas concretas que as Conferências das Partes (COP) da ONU não têm conseguido realizar. “Queremos receber o que pedimos para a COP desde pelo menos 2009: um acordo fantástico, que seja justo, ambicioso e vinculativo. Na maioria das vezes, recebemos acordos superficiais, cheios de brechas”, criticou Naidoo, que lidera a Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis (Fossil Fuel Treaty).

Ele enfatizou a necessidade de garantir que o processo político acompanhe o avanço científico. “Outros mecanismos e caminhos juridicamente vinculativos, como o tratado sobre combustíveis fósseis, são cruciais”, completou. A criação do SPGET representa um esforço significativo para **garantir que a ciência seja a bússola** na complexa jornada da transição energética global, buscando um futuro mais **justo, sustentável e resiliente** para todos.